Protocolo com a China abre mercado para miúdos suínos
Acordo sanitário permite ampliar habilitações de frigoríficos e cria uma nova frente de receita para a cadeia brasileira de carne suína.

Brasil e China assinaram neste sábado (26) um protocolo sanitário que autoriza a exportação brasileira de miúdos suínos internos, como fígado, coração, rins e estômago. O documento foi firmado em Brasília pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador chinês Zhu Qingqiao, concluindo uma negociação técnica iniciada meses antes.
A assinatura foi noticiada pela CNN Brasil, que acompanhou a cerimônia no Ministério da Agricultura e Pecuária. O próprio Mapa havia registrado em maio que a revisão do protocolo de carne suína avançara em reunião com a Administração-Geral das Alfândegas da China, a GACC, e já incluía os miúdos entre os produtos negociados. Em junho, a Agência Brasil informou que o reconhecimento chinês do território brasileiro como livre de febre aftosa ampliava as possibilidades de acesso para produtos suínos.
O novo acesso não significa embarque imediato de qualquer frigorífico. Empresas que já possuem habilitação para vender carne suína à China precisarão pedir ao Mapa a ampliação do escopo de seus registros. A autoridade brasileira verificará se as plantas e os produtos cumprem as exigências sanitárias previstas no protocolo antes de autorizar as remessas.
Acesso amplia valor da carcaça
Os miúdos têm consumo doméstico menor e preços diferentes dos cortes tradicionais, mas encontram demanda relevante no mercado chinês. Ao direcionar partes com menor valorização no Brasil para consumidores que as incorporam à culinária local, a indústria consegue melhorar o aproveitamento do animal abatido e elevar a receita por carcaça sem depender apenas da venda de carne.
Segundo a CNN, a China importa aproximadamente US$ 2,5 bilhões em miúdos suínos por ano. A Associação Brasileira de Proteína Animal estima que a abertura poderá acrescentar mais de 100 mil toneladas aos embarques brasileiros e cerca de US$ 100 milhões à receita do setor. Esses números são projeções da entidade empresarial; o resultado efetivo dependerá das habilitações, dos preços internacionais e da demanda chinesa.
O protocolo abrange miúdos internos e também ossos. Antes dele, o Brasil tinha autorização mais limitada para alguns produtos externos, como patas e orelhas. A expansão, portanto, altera a variedade comercial autorizada e pode tornar mais eficiente a operação de frigoríficos que já abastecem outros mercados com carne suína.
A negociação ganhou impulso durante missão oficial realizada em Pequim em maio. Na ocasião, o Mapa informou que representantes brasileiros e chineses confirmaram entendimentos sobre requisitos sanitários e quarentenários. O reconhecimento sanitário concedido pela China ao Brasil no mês seguinte retirou outra barreira importante para a ampliação do comércio de produtos de origem animal.
Habilitação precede os embarques
Quinze estabelecimentos — sete em Santa Catarina e oito no Rio Grande do Sul — já estariam em condição de solicitar a ampliação da habilitação, conforme os dados divulgados pela CNN. A concentração nos dois estados reflete o peso regional da suinocultura e da indústria exportadora, mas cada unidade ainda precisa cumprir o procedimento administrativo específico.
O fato de o acordo não prever cota de importação favorece a expansão comercial, embora não garanta volume mínimo de compra. Também é necessário distinguir esse protocolo das salvaguardas chinesas aplicadas à carne bovina: os miúdos suínos pertencem a outra categoria e, segundo a apuração publicada, não estão submetidos à cota criada para a proteína bovina.
Para produtores e frigoríficos, o principal ganho potencial está na diversificação. A China já é um parceiro central do agronegócio brasileiro, e a inclusão de novos itens reduz a dependência de poucos cortes e destinos. Ao mesmo tempo, concentração excessiva em um único comprador expõe empresas a mudanças sanitárias, tarifárias e diplomáticas, o que torna relevante manter outros mercados abertos.
Os próximos atos serão os pedidos de extensão apresentados pelas empresas, a análise do Mapa e a emissão dos certificados sanitários exigidos para cada carga. Somente depois dessas etapas será possível medir a velocidade dos embarques e confrontar as estimativas da indústria com contratos, volumes e receitas efetivamente registrados.
Em resumo
Ele autoriza a exportação brasileira de miúdos suínos internos, como fígado, coração, rins e estômago, para a China.
Não. As empresas precisam solicitar ao Mapa a ampliação de suas habilitações e cumprir os requisitos sanitários do protocolo.
A ABPA estima mais de 100 mil toneladas e cerca de US$ 100 milhões adicionais, mas os valores dependem da demanda e das habilitações.
Segundo a apuração divulgada, os miúdos suínos foram autorizados sem uma cota de importação.
Quinze estabelecimentos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul já podem iniciar o pedido, conforme os dados divulgados.