PSB e PDT ampliam apoio à reeleição de Motta
Adesão das duas siglas eleva para 273 o número de deputados vinculados a partidos que defendem a permanência do presidente da Câmara em 2027.

PSB e PDT anunciaram nesta quarta-feira, 21 de outubro, apoio à reeleição de Hugo Motta para a presidência da Câmara dos Deputados. Com as duas adesões, partidos que já se posicionaram pela continuidade do deputado do Republicanos somam 273 dos 513 integrantes previstos para a próxima legislatura.
A movimentação foi noticiada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo SBT News, que contabilizou 12 partidos na aliança. O PSB oficializou a decisão após reunião em Brasília; o PDT já havia fechado posição na semana anterior. A eleição da Mesa Diretora está prevista para fevereiro de 2027.
O número de 273 representa a soma das bancadas partidárias, não uma contagem individual e definitiva de votos. Como a escolha para presidente da Câmara é secreta, deputados podem divergir da orientação de suas legendas. Motta precisa de maioria absoluta, equivalente a 257 votos, para vencer no primeiro escrutínio.
Apoio supera maioria nominal
Antes da entrada de PSB e PDT, dez partidos do centro e do centrão reuniam 252 deputados em torno de Motta. O PSB terá 15 cadeiras e o PDT, seis, elevando a base nominal para 273. A composição dá vantagem à candidatura, mas deixa uma margem de 16 votos acima do mínimo, distância que ainda exige articulação até o dia da votação.
A ofensiva responde ao crescimento do PL, que elegeu 121 deputados e formará a maior bancada da Casa. O partido pretende disputar o comando da Câmara e também articula espaço no Senado. A aliança de Motta tenta evitar que a força eleitoral do PL se transforme automaticamente no controle da Mesa Diretora.
A matemática da eleição não depende apenas do tamanho das bancadas. Candidaturas alternativas, acordos para os demais cargos da Mesa, presidências de comissões e compromissos sobre a pauta legislativa podem alterar votos. Por isso, apoios anunciados meses antes da disputa funcionam como sinal político, mas não encerram a sucessão.
Aliança reúne interesses distintos
PSB e PDT disseram que a decisão busca preservar estabilidade institucional e construir uma maioria de centro diante do avanço da direita no Congresso. As siglas também citaram pautas apoiadas pela gestão de Motta, entre elas a redução da jornada na escala 6x1, mudanças tributárias e medidas voltadas a microempreendedores.
Essas justificativas não tornam a aliança homogênea. Os partidos do centrão que chegaram primeiro ao bloco têm posições diferentes das duas legendas de centro-esquerda em temas econômicos, sociais e eleitorais. O ponto comum, neste momento, é impedir uma mudança no comando da Câmara e conservar canais de negociação com o Executivo.
Motta foi reeleito deputado federal pela Paraíba no primeiro turno de 2026 e continuará na Casa quando ocorrer a votação interna. Até fevereiro, ele precisará manter as adesões e administrar a relação com o PL, que tende a usar sua bancada para reivindicar influência proporcional nos espaços de poder do Congresso.
A conclusão mais segura é que Motta passou a ter uma maioria partidária formal, mas ainda não 273 votos garantidos. O teste real ocorrerá na votação secreta. Até lá, cada novo apoio fortalece a candidatura e amplia o custo político de uma dissidência, sem eliminar a possibilidade de surpresa no plenário.
Em resumo
As 12 siglas que anunciaram apoio somam 273 dos 513 deputados da próxima legislatura.
A maioria absoluta exige 257 votos para eleger o presidente da Câmara.
Não. O cálculo soma bancadas partidárias, mas a votação é secreta e pode haver dissidências.
A escolha da Mesa Diretora está prevista para fevereiro de 2027.
As siglas citaram estabilidade institucional, construção de maioria de centro e pautas apoiadas pela gestão de Motta.