PT fugiu do tema da segurança, e Lula já concordava com redução da maioridade, diz Camilo Santana
Senador e ex-ministro afirma que consultou presidente antes de articular proposta sobre o tema:

Um dos coordenadores da campanha à reeleição, o senador Camilo Santana (CE) conta que consultou o presidente Lula ( PT ) antes de levar ao Senado proposta de redução de maioridade penal para 16 anos em caso de crimes hediondos.
Lula já era favorável à ideia
Segundo ele, Lula já era favorável à ideia. Camilo afirma que por muito tempo o PT fugiu da discussão da segurança pública.
Após vitória de virada de seu grupo político no Ceará, Camilo foi escalado para campanha de Lula na tentativa de reversão do quadro nacional junto com outros petistas que tiveram sucesso nas eleições estaduais.
Citando Ivete Sangalo, ele aposta na lucidez do eleitor e fala em risco de volta do bolsonarismo ao poder. "O povo está achando que está tudo bom? Não. O que nós queremos dizer para a população? A mudança segura é com Lula."
Lula disse que é a favor
Lula disse que é a favor de uma revisão da maioridade penal para 16 anos em caso de crime hediondo, uma posição que o PT historicamente rejeita. Ele está abrindo mão de uma convicção em nome da reeleição? Não é isso.
Parte do nosso partido, inclusive eu, já há muito tempo quer discutir esse problema da segurança pública. O PT durante muito tempo fugiu dessa discussão.
Eu, os governadores Rafael [Fonteles], Elmano [de Freitas], Rui [Costa], o próprio Wellington [Dias], há muito tempo vínhamos discutindo. E surgiu a oportunidade para se posicionar.
Claro que isso não vai resolver o problema. Precisa de uma série de outras coisas. Principalmente uma reforma do Judiciário que garanta celeridade no julgamento dos crimes contra a vida do cidadão e da cidadã.
Há uma sensação de impunidade. É uma crítica construtiva.
Isso sempre foi um tabu dentro do partido. Vários países já diminuíram. Se uma pessoa que tem 16 anos tem o direito de votar, também precisa responder pelos seus atos.
Estamos colocando só para crimes extremamente graves. A oposição quer diminuir para 14 anos. Somos contra.
Repito que só isso não vai resolver o problema, tem que ser junto com uma série de outras medidas de prevenção, de escola em tempo integral, de oportunidade de emprego.
Entramos nesse tema porque a oposição tentou atrapalhar o debate da PEC da Segurança. Eles têm procurado ser aquela oposição que quanto pior, melhor. Somos a favor da redução para essa idade, então vamos votar.
Agora, achamos que essa discussão pode ser numa nova PEC e deixar votar a PEC da Segurança Pública.
O sr. consultou o presidente sobre essa proposta que protocolou? Eu tenho juízo.
E por que então... Eu defendo isso e ele acabou concordando e defendendo. A oposição tentou trazer esse debate para interromper uma aprovação de uma PEC que foi encaminhada pelo presidente da República.
Se tem alguém que está preocupado com o problema da violência já há algum tempo nesse país é o presidente Lula.
O sr. convenceu o presidente? Ele precisou ser convencido nessa reunião? Não, ele já concordava com isso.
Quando foi essa inflexão do presidente? Porque o sr. disse que ele já tinha essa convicção, mas ele não tinha falado publicamente. Ninguém nunca perguntou.
Há muito tempo a gente vem discutindo sobre o problema da segurança pública. Se for para debater, nós queremos debater. O maior problema da população é o da violência. E nós temos um posicionamento.
O presidente disse em entrevista que desconhecia o congelamento do Bolsa Família, e a oposição está afirmando que ele ignora os pobres. Como responder a isso?
O presidente defendeu alteração legislativa para garantir que o salário mínimo tivesse ganho real acima da inflação, deu reajuste da merenda escolar —coisa que o governo Bolsonaro não deu em quatro anos.
Ele acha que isso é automático, que o Bolsa Família era para estar dando os reajustes, da mesma forma que é o salário mínimo.
Ele se surpreendeu quando foi verificar que não tinha sido dado reajuste e resolveu dar tudo de uma vez.
Depois do primeiro turno, a campanha foi reorganizada. As pesquisas estão mexendo devagar a 9 dias da eleição. O que ainda dá para ser feito para Lula ganhar? Ele vai ganhar, é a tendência.
Tem pessoas que votaram no Flávio, mas de forma frágil. Tem pessoas que ainda estão indecisas, tem gente que votou em Lula em 2022 e não foi votar agora. Estamos estimulando para que esse eleitor possa ir votar.
E para mim eleição é sempre tendência. É maravilhoso ganhar uma eleição cruzando a boca do jacaré no final. As pessoas estão percebendo o risco que é um governo Flávio Bolsonaro.
Aquela frase da Ivete Sangalo: a insatisfação não pode ser maior do que a lucidez.
O sr. confia na atuação do presidente do TSE [Kassio Nunes Marques] para a condução da eleição? Já denunciamos publicamente, exigindo imparcialidade.
Por exemplo, ele está com pedido de resposta da revista Veja e até hoje não tomou uma decisão. Se ele quer negar, que negue. O tribunal não pode causar desequilíbrio no processo eleitoral.
Denunciamos que ele estava sendo parcial, censurando os gestos do Lula.
Há uma avaliação de alas do partido de que foi cometido um erro estratégico ao tentar convencer a população de que estava tudo maravilhoso, como foi o discurso no início da campanha. Não está maravilhoso.
O que a gente quer mostrar é que o governo precisava recuperar o país. Eles [bolsonarismo] acabaram com todas as políticas públicas. Foi um processo. O povo está achando que está tudo bom? Não.
O que nós queremos dizer para a população? A mudança segura é com Lula. Essa mudança que eles [adversários] estão propondo é uma mudança que prejudica o povo e só favorece os poderosos.
Ao contrário da visão do presidente Lula, que favorece o povo e coloca a conta para os poderosos.
Havia expectativa de que os índices de aprovação do governo melhorassem, o que não aconteceu nem com os programas eleitorais. Por quê? Acho que nós não conseguimos nos comunicar bem.
Porque se você for comparar o governo do presidente Lula com o governo do Bolsonaro é incomparável em todas as áreas.
Mas o que o governo fez era o que a população queria que tivesse feito? Acho que faltou entender, se conectar com os desejos maiores, com as prioridades da população. Talvez seja isso. Não sou da área, não sou estudioso.
Só sei que nós estamos aqui a 9 dias da eleição e precisamos nos comunicar melhor com o povo para mostrar que a mudança segura é com o presidente Lula.
Em resumo
Um dos coordenadores da campanha à reeleição, o senador Camilo Santana (CE) conta que consultou o presidente Lula ( PT ) antes de levar ao Senado proposta de redução de maioridade penal para 16 anos em caso de crimes hediondos.
Segundo ele, Lula já era favorável à ideia. Camilo afirma que por muito tempo o PT fugiu da discussão da segurança pública.
Após vitória de virada de seu grupo político no Ceará, Camilo foi escalado para campanha de Lula na tentativa de reversão do quadro nacional junto com outros petistas que tiveram sucesso nas eleições estaduais.
Citando Ivete Sangalo, ele aposta na lucidez do eleitor e fala em risco de volta do bolsonarismo ao poder. "O povo está achando que está tudo bom? Não. O que nós queremos dizer para a população? A mudança segura é com Lula."
Lula disse que é a favor de uma revisão da maioridade penal para 16 anos em caso de crime hediondo, uma posição que o PT historicamente rejeita. Ele está abrindo mão de uma convicção em nome da reeleição? Não é isso. Parte do nosso partido, inclusive eu, já há muito tempo quer discutir esse problema da segurança pública. O PT durante muito tempo fugiu dessa