Justiça

PT pede investigação sobre operação policial em Piracicaba

Partido acionou autoridades eleitorais após familiares alegarem que detidos foram obrigados a vestir camisetas políticas; SSP nega tolerar desvios.

2026-10-22T11:40:25.000Z · Redação Notícia ES
PT pede investigação sobre operação policial em Piracicaba

O Partido dos Trabalhadores pediu investigação sobre uma operação da Polícia Militar realizada na quarta-feira (21) na comunidade Vitória Pantanal, em Piracicaba, interior de São Paulo. A legenda afirma haver suspeita de manipulação política e abuso de autoridade na apresentação de três detidos usando camisetas de apoio ao presidente Lula.

O acionamento da Procuradoria-Geral Eleitoral foi noticiado pelo Metrópoles nesta quinta-feira (22). A Folha de S.Paulo também informou que o partido pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar possível fraude eleitoral e abusos. As acusações ainda dependem de investigação e não constituem conclusão sobre a conduta dos policiais.

Na operação, dois homens de 21 e 24 anos foram presos e um adolescente de 17 anos foi apreendido. Segundo a Secretaria da Segurança Pública paulista, foram encontradas 160 porções de cocaína, um revólver e R$ 340. O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Piracicaba por tráfico, porte ilegal de arma e ato infracional.

Família contesta versão policial

A mãe do adolescente afirmou que o filho usava outra roupa quando foi abordado e que os agentes teriam colocado camisetas políticas nos três detidos. Um dos adultos presos apresentou relato semelhante em entrevista. As peças vistas nas imagens eram brancas, idênticas e ligadas a uma mobilização de professores em apoio a Lula.

Na mesma comunidade, duas mulheres disseram que policiais as intimidaram e exigiram a retirada de camisetas do mesmo modelo. A deputada estadual Professora Bebel, presidente da Apeoesp, anunciou que levaria as declarações à Ouvidoria da Polícia Militar e cobraria apuração dos agentes envolvidos.

As imagens dos detidos foram publicadas pelo senador eleito Guilherme Derrite, ex-secretário estadual de Segurança Pública. Na postagem, ele elogiou a ação policial e defendeu punições mais duras. Procurado pela Folha, Derrite não havia se manifestado sobre a acusação de troca das roupas.

A denúncia partidária busca esclarecer se houve interferência política na produção e divulgação das imagens. Para chegar a uma conclusão, a apuração poderá confrontar depoimentos, registros da ocorrência, vídeos, horários da abordagem, origem das camisetas e a cadeia de custódia das provas recolhidas.

Secretaria apresenta outra versão

A SSP afirmou que não compactua com desvios de conduta e pune com rigor os casos comprovados. Sobre a alegada intimidação das mulheres, declarou que não havia registro formal dos fatos e orientou eventuais vítimas a procurar uma delegacia, a Delegacia Digital ou a Corregedoria da PM.

A pasta informou que a ação começou após denúncia ao telefone 190 com a descrição de três pessoas que estariam vendendo drogas, uma delas armada. A secretaria detalhou os entorpecentes e a arma apreendidos, mas, segundo as reportagens consultadas, não respondeu especificamente se os policiais trocaram as roupas dos detidos.

A investigação das duas questões pode ocorrer de forma paralela. A existência de material ilícito e a eventual responsabilidade criminal dos abordados não eliminam o dever de apurar uma possível montagem de natureza eleitoral. Da mesma forma, a acusação contra os agentes precisa ser testada com provas e direito de defesa.

Até que as autoridades concluam as diligências, a formulação correta é tratar a troca das camisetas e as agressões como alegações, não como fatos estabelecidos. O pedido do PT formaliza a controvérsia perante órgãos de controle e abre caminho para preservar registros que possam confirmar ou afastar as suspeitas.