Quaest: 62% dizem que crise no STF não influencia voto para presidente
Levantamento presencial ouviu 2.004 eleitores e foi registrado no TSE; resultado mede percepção declarada, não previsão do comportamento nas urnas.

Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (21) aponta que 62% dos eleitores entrevistados dizem que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal não influencia sua escolha para presidente. O levantamento, encomendado pela TV Globo e por O Globo, ouviu presencialmente 2.004 pessoas entre 17 e 20 de setembro e está registrado no TSE sob o número BR-06004/2026.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O resultado mede a percepção declarada no momento da entrevista. Ele não demonstra que notícias sobre o STF sejam irrelevantes para todos os eleitores nem permite prever, sozinho, como cada pessoa se comportará até o primeiro turno.
A pergunta ganha peso em uma campanha atravessada por decisões judiciais, investigações e críticas ao poder exercido por ministros não eleitos. Para parte da direita, o Supremo tornou-se tema central de mobilização. O dado da Quaest indica, porém, que a maioria consultada não reconhece efeito direto dessa crise sobre o voto presidencial.
Resultado exige leitura além da manchete
Dizer que um assunto não influencia o voto pode significar que a escolha já está consolidada por outras razões, que o entrevistado não acompanha o tema ou que considera economia, segurança e serviços públicos mais importantes. A resposta também pode conviver com opinião forte sobre o tribunal sem mudança de candidato.
A pesquisa nacional divulgou ainda empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em cenários de primeiro e segundo turnos. Esses números foram publicados separadamente e pertencem ao mesmo conjunto de entrevistas. A pergunta sobre o STF ajuda a explicar prioridades, mas não substitui a intenção de voto.
Pesquisas registradas precisam informar contratante, amostra, período de campo, metodologia e questionário. Esses elementos permitem conferir se percentuais apresentados em redes sociais correspondem ao estudo real. Recortes sem a formulação exata da pergunta podem alterar o sentido do resultado.
Críticas ao Supremo continuam na agenda
A ausência de influência declarada para a maioria não elimina a relevância institucional do debate. O Senado analisa autoridades indicadas para tribunais superiores e pode processar pedidos de impeachment de ministros nas hipóteses legais. O presidente nomeia ministros após aprovação da Casa, o que conecta a eleição às futuras composições.
Candidatos de direita cobram limites para decisões individuais e maior controle sobre o Judiciário. Governistas afirmam que ataques ao Supremo procuram enfraquecer a defesa da democracia. As duas leituras disputam espaço, mas devem ser confrontadas com decisões concretas, competências constitucionais e propostas executáveis.
Pesquisa é fotografia de quatro dias
O campo terminou em 20 de setembro, duas semanas antes da votação. Fatos novos, debates e decisões podem alterar percepções. A margem de erro vale para o conjunto da amostra, e subgrupos possuem incerteza maior. Diferenças pequenas não devem ser apresentadas como liderança consolidada.
O registro no TSE não representa certificação do resultado pelo tribunal. A Justiça Eleitoral recebe os dados exigidos por lei e permite fiscalização de partidos, imprensa e cidadãos. A responsabilidade pela metodologia e execução continua sendo do instituto, enquanto a divulgação deve reproduzir as informações obrigatórias.
O questionário completo também ajuda a verificar a ordem das perguntas e as opções apresentadas. Respostas sobre influência são sensíveis à redação: perguntar se um caso “muda o voto” não é igual a perguntar se o eleitor “considera o tema importante”. A publicação responsável deve preservar esse contexto. Comparações com rodadas futuras só serão válidas se a formulação e a metodologia permanecerem equivalentes. A taxa de pessoas que não souberam responder e a distribuição por grupos também precisam ser observadas antes de qualquer conclusão sobre o país inteiro.
O principal sinal do levantamento é que a crise do STF, embora ruidosa entre lideranças políticas, não aparece como fator declarado de voto para quase dois terços da amostra. Campanhas que apostam no tema precisarão demonstrar como ele se conecta à vida cotidiana. Para o eleitor, a comparação entre séries e perguntas completas vale mais que um percentual isolado.
Em resumo
Para 62% dos entrevistados, a crise no STF não influencia o voto presidencial.
Foram 2.004 entrevistas presenciais.
Entre 17 e 20 de setembro de 2026.
Dois pontos percentuais para mais ou para menos.
No TSE, sob o número BR-06004/2026.
Não. Ele retrata respostas no período da coleta e dentro da metodologia informada.