Quaest dá fôlego a Ricardo: 56% aprovam governo e apenas 13% desaprovam no ES
Pesquisa encomendada pela TV Gazeta mostra saldo favorável à gestão de Ricardo Ferraço, com aprovação majoritária e avaliação positiva superior à negativa; resultado chega no início da fase decisiva da campanha estadual.

Quase cinco meses depois de assumir definitivamente o Palácio Anchieta, Ricardo Ferraço (MDB) chega à fase mais intensa da campanha de 2026 com um ativo político importante: a maioria dos eleitores capixabas diz aprovar sua administração. Pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira, 27 de agosto, aponta 56% de aprovação do governo estadual, contra 13% de desaprovação. Outros 31% não souberam ou preferiram não responder.
O levantamento foi encomendado pela TV Gazeta e ouviu 804 eleitores presencialmente entre 23 e 26 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo ES-04444/2026.
O dado de aprovação é diferente da intenção de voto e não deve ser confundido com ela. Ainda assim, em uma eleição na qual o governador disputa a permanência no cargo, a avaliação da gestão é um dos indicadores mais relevantes para medir o ambiente em que a campanha acontece.
Quatro em cada dez classificam a gestão como positiva
Quando a Quaest troca a pergunta binária de aprova ou desaprova por uma avaliação mais detalhada, 40% classificam o governo de Ricardo como positivo. Outros 35% consideram a administração regular e 5% a avaliam negativamente. Vinte por cento não souberam ou não responderam.
O contraste entre 40% de avaliação positiva e 5% de avaliação negativa mostra que, neste momento, o governo tem um saldo favorável de percepção pública. Isso não significa que todos os eleitores que aprovam a gestão votarão no governador. A própria pesquisa eleitoral divulgada na mesma rodada coloca Ricardo com 35% das intenções de voto no primeiro turno, diante de 28% de Lorenzo Pazolini (Republicanos) e 10% de Helder Salomão (PT).
Essa diferença entre aprovação administrativa e voto revela uma reserva eleitoral potencial, mas não automática. O desafio da campanha governista é transformar uma opinião favorável sobre a gestão em escolha de urna. Para a oposição, a tarefa é convencer parte dos eleitores que aprovam o governo de que ainda assim existe uma alternativa melhor.
Aprovação atravessa grupos políticos diferentes
A Gazeta publicou recortes da pesquisa que ajudam a entender a amplitude do resultado. A aprovação chega a 63% entre católicos, 64% entre eleitores com 60 anos ou mais e 60% entre pessoas com ensino fundamental.
O dado mais curioso aparece na identificação política. Entre eleitores que se declaram lulistas, 68% aprovam a administração de Ricardo. Já entre a direita não bolsonarista, a aprovação é de 49%. A maior desaprovação, 19%, aparece entre bolsonaristas.
Esses números sugerem que a avaliação do governo não está restrita ao eleitorado tradicional do MDB ou à base formal da administração. Ao mesmo tempo, mostram uma área de maior resistência justamente no campo conservador, que é relevante no Espírito Santo e no qual Lorenzo Pazolini tenta ampliar sua presença.
Ricardo assumiu em abril após saída de Casagrande
Ricardo Ferraço tomou posse como governador em 2 de abril de 2026, depois que Renato Casagrande deixou o cargo para se habilitar à disputa pelo Senado. Até então vice-governador, Ricardo assumiu uma administração já em andamento e passou a responder diretamente por seus resultados.
Nos primeiros dias, o governo anunciou como prioridades segurança pública, saúde e educação. Em reunião com o secretariado no fim de abril, Ricardo também definiu continuidade administrativa, equilíbrio fiscal, investimentos e aceleração de projetos como eixos da gestão.
Esse contexto importa para interpretar a pesquisa. O eleitor está avaliando um governo que combina herança do ciclo Casagrande com uma gestão própria ainda curta. A aprovação de 56% pode refletir tanto a percepção sobre entregas acumuladas do grupo quanto a avaliação direta do novo governador.
O peso eleitoral do resultado
Na mesma rodada, Ricardo aparece na liderança da corrida ao governo com 35%. Pazolini tem 28%, Helder 10%, Breno Barcelos 2% e Rafael Demuner 1%. Nos cenários de segundo turno divulgados, Ricardo também aparece à frente dos adversários testados.
A Band publicou outro indicador politicamente relevante: 61% dos entrevistados afirmam que Ricardo merece ser reeleito, enquanto 26% defendem mudança. Treze por cento não responderam. Essa pergunta se aproxima mais diretamente da decisão eleitoral do que a aprovação administrativa, embora continue não sendo equivalente ao voto estimulado.
O mesmo levantamento mostra que 41% dos eleitores ainda admitem mudar de voto até outubro. Portanto, a fotografia é favorável ao governador, mas está longe de encerrar a disputa.
Segurança pública aparece como maior cobrança
A pesquisa também pergunta qual é o principal problema do Espírito Santo. A violência lidera, citada por 37% dos entrevistados, seguida da saúde, com 29%, e da educação, com 7%.
Esse ranking cria uma espécie de teste para a popularidade do governo. Ricardo assumiu dizendo que essas três áreas seriam prioridades e agora será cobrado exatamente nelas durante a campanha. Aprovação elevada oferece vantagem política, mas também aumenta a responsabilidade de defender resultados concretos quando os adversários atacarem os pontos mais sensíveis para o eleitor.
Uma fotografia forte, mas ainda uma fotografia
A Quaest entrega à campanha de Ricardo um dos melhores indicadores possíveis para um candidato que ocupa o governo: maioria absoluta de aprovação e baixa desaprovação. O dado fortalece a narrativa de continuidade e ajuda a explicar a liderança eleitoral registrada na mesma pesquisa.
Mas pesquisa não transforma aprovação em voto de forma automática. As próximas semanas terão propaganda eleitoral, debates, entrevistas, confronto de propostas e aumento da exposição dos adversários. O que hoje é vantagem pode se consolidar ou diminuir.
Por enquanto, o ponto central é objetivo: no levantamento realizado entre 23 e 26 de agosto, a gestão de Ricardo Ferraço chega à reta decisiva com saldo amplamente positivo entre os capixabas. A campanha agora terá de provar que consegue levar esse patrimônio até a urna.