Quaest expõe divisão religiosa na corrida presidencial
Levantamento mostra Lula à frente entre católicos e mulheres, enquanto Flávio Bolsonaro mantém vantagem no eleitorado evangélico.

A pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (28) mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% de Flávio Bolsonaro. Os recortes revelam uma disputa marcada por diferenças entre grupos religiosos e pelo voto feminino.
O g1 apresentou os resultados segmentados, e o UOL confirmou os números gerais e religiosos do levantamento. Foram ouvidos presencialmente 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro; a margem de erro geral é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95% e registro BR-06520/2026 na Justiça Eleitoral.
Entre católicos, Lula aparece com 48%, enquanto Flávio soma 29%. No levantamento anterior, os percentuais eram 43% e 27%, respectivamente. A margem de erro desse recorte é de três pontos, o que recomenda cautela ao atribuir significado a oscilações isoladas.
O cenário se inverte entre evangélicos. Flávio lidera com 46% e Lula registra 27%. Em relação à rodada anterior, o candidato do PL oscilou de 49% para 46%, e o petista foi de 23% para 27%. Nesse grupo, a margem de erro chega a quatro pontos.
Religião divide preferência eleitoral
Os dados foram coletados durante a repercussão de uma informação falsa que associou Flávio à retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O candidato negou defender a medida, e não há base na pesquisa para afirmar que o episódio causou as mudanças observadas.
A separação por religião indica tendências, mas não transforma católicos ou evangélicos em blocos uniformes. Em cada segmento há eleitores de diferentes regiões, rendas, idades e posições políticas. A margem de erro ampliada nos subgrupos torna inadequado tratar pequenas variações como mudança consolidada.
Entre as mulheres, Lula alcança 40% e Flávio, 29%. O presidente subiu quatro pontos e o senador caiu três na comparação numérica com a rodada anterior. Em eventual segundo turno, Lula aparece com 46% nesse público, diante de 37% de Flávio.
No conjunto do eleitorado, a diferença de cinco pontos entre Lula e Flávio fica fora da margem de erro geral, segundo a pesquisa. Em uma simulação de segundo turno, porém, os dois aparecem empatados com 42%, o que mantém aberta a disputa nacional.
Recortes exigem leitura cautelosa
A Quaest foi contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo. Essa informação, o período de campo, o tamanho da amostra, o método presencial e o registro eleitoral precisam acompanhar a divulgação dos percentuais para que o público possa avaliar o levantamento de forma completa.
A pesquisa também encontrou redução dos indecisos e concentração maior nos dois primeiros colocados. Esse movimento pode refletir a aproximação do primeiro turno e o apelo ao voto útil, mas só novas rodadas e o resultado das urnas poderão mostrar se a tendência se manteve.
O debate religioso ganhou espaço na campanha, mas os números não autorizam partidos a falar em nome de igrejas inteiras. A preferência de cada eleitor permanece individual, e nenhuma denominação substitui a decisão tomada de forma secreta na urna.
Até domingo (4), campanhas tentarão transformar vantagens segmentadas em mobilização. A leitura responsável é mais simples: Lula lidera o quadro geral e entre católicos e mulheres, Flávio conserva vantagem entre evangélicos, e o segundo turno permanece empatado no levantamento.
Em resumo
Lula tem 39% das intenções de voto no primeiro turno, e Flávio Bolsonaro aparece com 34%.
Lula registra 48% entre católicos, diante de 29% de Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro tem 46% entre evangélicos, enquanto Lula soma 27%.
A Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro.
O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-06520/2026.