Economia · 2026-10-12 · Redação Notícia ES

Queda nas vendas internas pressiona setor automotivo chinês

Varejo de carros de passeio recua 28% em setembro, enquanto exportações próximas de 920 mil unidades sustentam as montadoras.

Queda nas vendas internas pressiona setor automotivo chinês
Queda nas vendas internas pressiona setor automotivo chinês

As vendas de carros de passeio no varejo chinês caíram 28% em setembro de 2026 na comparação anual e ficaram em 1,62 milhão de unidades. O resultado prolongou para 12 meses a sequência de retração, apesar da alta de 5% em relação a agosto e do início de um período tradicionalmente forte para o setor.

A InfoMoney publicou os números atribuídos à China Passenger Car Association nesta segunda-feira (12). O Wall Street Journal confirmou a queda de 28% e o volume de 1,62 milhão, enquanto a associação chinesa de distribuidores divulgou sua análise mensal do mercado automotivo.

O contraste entre as comparações mensal e anual indica que setembro trouxe algum avanço sobre agosto, mas não recuperou o nível registrado um ano antes. A fraqueza do consumo doméstico tornou a expansão externa ainda mais importante para fabricantes instaladas no país.

Mercado interno perde força

A associação relacionou a retração à demanda menor por veículos a combustão, aos preços elevados do petróleo e à cautela das famílias. O custo de chips de memória também foi apontado como obstáculo para lançamentos, porque eleva despesas e pode atrasar a chegada de novos modelos às lojas.

Os veículos de nova energia, grupo que reúne elétricos e híbridos plug-in, mantiveram participação elevada no mercado. Mesmo assim, o avanço estrutural dessa tecnologia não foi suficiente para impedir a queda do volume total vendido dentro da China em relação a setembro de 2025.

A desaceleração ocorre depois de anos de expansão rápida e intensifica a competição entre as montadoras. Descontos agressivos podem estimular compras no curto prazo, mas também comprimem margens e aumentam a pressão sobre fabricantes menores, fornecedores e redes de concessionárias.

Exportações sustentam as fabricantes

Enquanto o varejo doméstico recuou, as exportações de carros de passeio avançaram cerca de 74% e ficaram próximas de 920 mil unidades em setembro, conforme os dados setoriais divulgados nesta segunda-feira. A diferença mostra como o mercado externo passou a compensar uma parte crescente da demanda perdida dentro do país.

A Tesla vendeu 95.366 veículos produzidos em Xangai no mês, incluindo 30.529 unidades destinadas à exportação. Fabricantes chinesas também ampliaram embarques e procuram novos destinos, movimento que aumenta a presença global do setor e, ao mesmo tempo, alimenta disputas comerciais.

Essa dependência externa deixa as montadoras expostas a tarifas, exigências locais e negociações com a União Europeia. Uma desaceleração das exportações reduziria a principal válvula de escape do setor justamente quando o consumo interno ainda não apresenta recuperação consistente.

Para outubro, a associação não indicou uma retomada forte. O dado de setembro combina três sinais: melhora modesta sobre agosto, queda profunda diante de 2025 e exportações em expansão. A indústria segue produzindo em grande escala, mas precisa encontrar compradores fora do país para equilibrar a fraqueza do seu maior mercado.

Em resumo

Quanto caíram as vendas de carros na China?

As vendas de carros de passeio no varejo recuaram 28% em setembro ante o mesmo mês de 2025.

Quantos veículos foram vendidos?

O mercado registrou 1,62 milhão de unidades no varejo durante setembro de 2026.

Houve melhora sobre agosto?

Sim. As vendas avançaram 5% na comparação mensal, mas continuaram bem abaixo do nível de um ano antes.

Como reagiram as exportações?

Os embarques de carros de passeio cresceram cerca de 74% e ficaram próximos de 920 mil unidades.

Por que o mercado interno enfraqueceu?

A associação citou consumo cauteloso, menor demanda por carros a combustão, petróleo caro e custos maiores de chips.

Fontes