Economia · 2026-11-06 · Redação Notícia ES

Quem financia os imóveis do Brasil? FIIs e CRIs avançam; poupança perde terreno

O mercado de capitais se tornou uma das principais fontes de financiamento do setor imobiliário brasileiro

Quem financia os imóveis do Brasil? FIIs e CRIs avançam; poupança perde terreno
Quem financia os imóveis do Brasil? FIIs e CRIs avançam; poupança perde terreno

O mercado de capitais se tornou uma das principais fontes de financiamento do setor imobiliário brasileiro e deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.

Dados e contexto do setor

Impulsionada pelo crescimento dos fundos imobiliários (FIIs) e dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) , essa modalidade ampliou sua participação no funding do setor, em um movimento que acompanha a expansão da indústria e a busca por alternativas ao financiamento bancário tradicional.

Entre 2017 e 2026, a participação do mercado de capitais no estoque de financiamento imobiliário passou de 15,8% para 25,8%, um avanço de 10 pontos percentuais. No mesmo intervalo, a fatia do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) recuou de 46,1% para 27,5%.

Já o funding bancário avançou de 15% para 23,6%, enquanto os recursos do FGTS permaneceram praticamente estáveis, passando de 23,1% para 23%.

Impactos e informações adicionais

A expansão também aparece nos números da indústria de fundos imobiliários. O patrimônio líquido dos FIIs saltou de R$ 120 bilhões em 2017 para R$ 439 bilhões em setembro de 2026. O número de investidores chegou a 3,4 milhões, ante aproximadamente 100 mil nove anos antes.

Para Bruno Gargiolli, diretor responsável pelo setor imobiliário do XP Banco de Atacado, a capacidade de adaptação foi determinante para esse crescimento.

Segundo ele, a indústria passou por diferentes ciclos de juros e precisou desenvolver produtos capazes de atender às condições de mercado.

A partir de 2022, por exemplo, ganharam espaço estruturas com prazo determinado, voltadas à originação de ativos em ciclos específicos, além de fundos com diferentes classes e mecanismos de subordinação para oferecer maior proteção aos investidores.

“Talvez esse seja o grande ponto interessante de se analisar: a indústria de FIIs conseguiu, com inovação e disrupção, quebrar a correlação com a Selic”, afirmou Gargiolli, durante evento da XP Asset, que chega a 20 anos de atuação.

Na avaliação do executivo, os fundos imobiliários também passaram a funcionar como uma espécie de cesta de renda fixa gerida ativamente por equipes especializadas, ampliando as possibilidades de financiamento e investimento no mercado brasileiro.

A mudança na composição do funding não significa que a poupança tenha perdido sua importância, mas evidencia que ela já não consegue atender sozinha às necessidades de financiamento de um setor que cresceu significativamente nos últimos anos.

Gargiolli ressalta que a própria indústria da construção civil mais que dobrou de tamanho no período analisado, exigindo novas fontes de recursos.

“Eu não acredito que a poupança vai acabar. Essa análise fica um pouco distorcida.

Mas a verdade é que, se a gente pegar só a indústria de construção civil, só a incorporação, ela mais que dobrou de tamanho nesse intervalo de tempo.

A poupança foi capaz de prover esse crescimento, mas não de forma totalitária. O mercado precisou achar outras maneiras de se financiar para a poupança não ser o limitador desse setor”, explica.

O executivo cita como exemplo o desenvolvimento de empreendimentos em regiões de alto padrão, como a Faria Lima, em São Paulo. Nesses projetos, o financiamento pela poupança nem sempre é uma alternativa suficiente, o que abre espaço para instrumentos do mercado de capitais.

Para ele, é difícil imaginar o futuro do setor imobiliário brasileiro sem o desenvolvimento dessas estruturas.

A transformação também aparece na capacidade de inovação dos produtos. Gargiolli lembra que a indústria passou a contar, nos últimos anos, com novas possibilidades regulatórias e operacionais, como o aluguel de cotas, contratos futuros, derivativos e mecanismos de recompra de cotas.

São instrumentos relativamente recentes, que ampliam as possibilidades de atuação dos fundos e ajudam a explicar por que o setor ainda tem espaço para amadurecer.

Em resumo

O que aconteceu?

O mercado de capitais se tornou uma das principais fontes de financiamento do setor imobiliário brasileiro e deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.

Qual é o ponto principal?

Impulsionada pelo crescimento dos fundos imobiliários (FIIs) e dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) , essa modalidade ampliou sua participação no funding do setor, em um movimento que acompanha a expansão da indústria e a busca por alternativas ao financiamento bancário tradicional.

Quais são os dados mais importantes?

Entre 2017 e 2026, a participação do mercado de capitais no estoque de financiamento imobiliário passou de 15,8% para 25,8%, um avanço de 10 pontos percentuais. No mesmo intervalo, a fatia do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) recuou de 46,1% para 27,5%.

Qual é o contexto?

Já o funding bancário avançou de 15% para 23,6%, enquanto os recursos do FGTS permaneceram praticamente estáveis, passando de 23,1% para 23%.

Quais são os próximos desdobramentos?

A expansão também aparece nos números da indústria de fundos imobiliários. O patrimônio líquido dos FIIs saltou de R$ 120 bilhões em 2017 para R$ 439 bilhões em setembro de 2026. O número de investidores chegou a 3,4 milhões, ante aproximadamente 100 mil nove anos antes.

Fontes