Cultura · 2026-10-11 · Redação Notícia ES

"Vivem em mim": a história da mãe que perdeu filhos e neto em Brumadinho

Após perder filhos, nora, neto e ex-marido, Helena Taliberti lança livro sobre memória em Ouro Preto e BH, nos dias 17 e 20 de outubro

"Vivem em mim": a história da mãe que perdeu filhos e neto em Brumadinho
"Vivem em mim": a história da mãe que perdeu filhos e neto em Brumadinho

Belo Horizonte — Era sexta-feira, 25 de janeiro de 2019, quando Helena Taliberti, hoje, com 69 anos, passeava, na Avenida Paulista , em São Paulo, durante o feriado de aniversário da capital Paulistana .

“Eu estava dentro do Museu de Arte

“Eu estava dentro do Museu de Arte de São Paulo (Masp) quando soube, por um portal de notícias, que uma barragem havia se rompido”, contou.

Naquele primeiro momento, Helena não deu muita importância à notícia. Não conhecia a região atingida, embora soubesse que os filhos estavam em Minas Gerais para visitar o museu Inhotim , maior museu de arte contemporânea a céu aberto do mundo.

“Não imaginei que pudesse ter acontecido alguma coisa com eles”, lembrou.

Preocupação veio com o passar das horas

A preocupação veio com o passar das horas. Helena começou a enviar mensagens aos filhos, mas não recebia respostas. “Eles não me respondiam, não me davam nenhum sinal de vida”, relatou.

No fim da tarde, sem conseguir contato com os familiares, a apreensão aumentou. “Foi aí que comecei a ficar muito preocupada”, disse. Helena decidiu, então, viajar para Belo Horizonte em busca de notícias.

Os bombeiros precisaram reforçar equipes para buscar os corpos em meio à lama

Rompimento da barragem da Vale em Brumadinho deixou ao menos 270 mortos

O que ela ainda não sabia era que cinco pessoas de sua família, todos de São Paulo, estavam entre as 272 vítimas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho , na Região Metropolitana de Belo Horizonte .

Helena perdeu os dois filhos, Camila e Luiz Taliberti , de 33 e 31 anos; a nora, Fernanda Damian , de 30 anos, que estava grávida de cinco meses de Lorenzo ; o ex-marido, Adriano da Silva , de 61 anos; e a esposa dele, Maria Lourdes Bueno , de 58 anos.

Helena descreve a filha Camila como uma advogada especialista em direito digital e engajada na defesa dos direitos humanos, especialmente das mulheres, além de preocupada com as questões ambientais.

Luiz era arquiteto e compartilhava com a irmã a preocupação com o meio ambiente e aplicava princípios de sustentabilidade nos projetos que desenvolvia. Morava na Austrália e estava prestes a se tornar pai .

Sua esposa, Fernanda, estava grávida de Lorenzo, que seria o primeiro neto de Helena.

“Eu gosto muito de lembrar das histórias deles. Depois que morreram, os amigos nos contaram muitas coisas que eu não sabia. Foi muito legal conhecê-los de outra forma, diferente daquela que eu conhecia em casa”, disse.

É essa memória que Helena gostaria de compartilhar com outras pessoas e que agora reúne no livro autobiográfico ”Tentam nos enterrar, não sabem que somos sementes” , que será lançado em Minas Gerais em duas datas, 17 e 20 de outubro.

“Nós éramos uma família muito unida, feliz. E eu sabia que era feliz. Eles foram muito amados pelos amigos e também amaram muito. As histórias mostram o quanto eles tocaram o coração das pessoas que os conheceram. Isso é muito bonito de saber”, afirmou.

Economista e experiência em administração pública, Helena passou a dedicar sua vida, após a perda dos familiares, à preservação da memória , à defesa dos direitos humanos e à busca por justiça socioambiental.

Esse trabalho é desenvolvido por meio do Instituto Camila e Luiz Taliberti , organização sem fins lucrativos criada em de julho de 2019 por amigos e familiares em homenagem aos irmãos Camila e Luiz.

Os familiares de Helena estavam hospedados na Pousada Nova Estância Inn , em Brumadinho, quando a barragem da Vale se rompeu.

Vítimas de Brumadinho: cinco familiares de Helena Taliberti morreram no rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, ocorrido em 2019; Relato autobiográfico: Helena Taliberti lança o livro “Tentam nos enterrar, não sabem que somos sementes” em 17 de outubro, em Ouro Preto, e em 20 de outubro, em Belo Horizonte; Processo judicial: as audiências criminais iniciaram em fevereiro de 2026 e a previsão do Ministério Público Federal é que a etapa siga até setembro de 2027.

Em resumo

O que aconteceu?

Belo Horizonte — Era sexta-feira, 25 de janeiro de 2019, quando Helena Taliberti, hoje, com 69 anos, passeava, na Avenida Paulista , em São Paulo, durante o feriado de aniversário da capital Paulistana . “Eu estava dentro do Museu de Arte de São Paulo (Masp) quando soube, por um portal de notícias, que uma barragem havia se rompido”, contou.

Qual é o ponto principal?

Naquele primeiro momento, Helena não deu muita importância à notícia. Não conhecia a região atingida, embora soubesse que os filhos estavam em Minas Gerais para visitar o museu Inhotim , maior museu de arte contemporânea a céu aberto do mundo. “Não imaginei que pudesse ter acontecido alguma coisa com eles”, lembrou.

Quais são os dados mais importantes?

A preocupação veio com o passar das horas. Helena começou a enviar mensagens aos filhos, mas não recebia respostas. “Eles não me respondiam, não me davam nenhum sinal de vida”, relatou.

Qual é o contexto?

No fim da tarde, sem conseguir contato com os familiares, a apreensão aumentou. “Foi aí que comecei a ficar muito preocupada”, disse. Helena decidiu, então, viajar para Belo Horizonte em busca de notícias.

Quais são os próximos desdobramentos?

Os bombeiros precisaram reforçar equipes para buscar os corpos em meio à lama

Fontes