Randolfe deixa Senado após ficar em terceiro no Amapá
Líder do governo no Congresso recebeu 163.857 votos e foi superado por Rayssa Furlan e Lucas Barreto na disputa por duas cadeiras.

Randolfe Rodrigues ficou em terceiro lugar na disputa pelo Senado no Amapá e deixará a Casa ao fim do mandato, em janeiro de 2027. O líder do governo Lula no Congresso recebeu 163.857 votos, equivalentes a 18,55% dos votos válidos, na eleição de 4 de outubro.
O g1 retomou neste domingo (18) os fatores políticos associados à derrota. O resultado oficial divulgado pelo Senado confirma a eleição de Rayssa Furlan, com 264.799 votos, e a reeleição de Lucas Barreto, com 213.948; os dois ocuparão as cadeiras em disputa entre 2027 e 2035.
Rayssa alcançou cerca de 30% dos votos válidos, enquanto Lucas obteve 24,22%. Como cada eleitor escolheu dois nomes para o Senado, os percentuais da disputa somam mais de 100%, e as duas maiores votações definiram os eleitos.
Randolfe concorria a um terceiro mandato consecutivo e exercia papel central na articulação do Palácio do Planalto com deputados e senadores. A derrota retira do governo um operador experiente justamente quando a composição do Congresso passará por renovação.
Urnas redesenham bancada amapaense
A eleição fortaleceu grupos que disputam influência no estado. Rayssa, médica e ex-primeira-dama de Macapá, integrou o campo político ligado ao governador eleito Antônio Furlan. Lucas garantiu o segundo mandato e manteve espaço próprio na representação amapaense.
Randolfe terminou atrás dos dois vencedores por quase 50 mil votos em relação a Lucas e por mais de 100 mil na comparação com Rayssa. A diferença afasta a interpretação de que a cadeira foi perdida por uma margem estreita.
A reportagem do g1 atribuiu o revés a uma combinação de polarização, desejo de renovação e dinâmica local. A explicação eleitoral, porém, precisa partir do dado objetivo: mesmo com projeção nacional e apoio do governo federal, o senador não converteu esse capital em uma das duas maiores votações do estado.
O caso também mostra o limite de análises centradas apenas em Brasília. O desempenho de um líder nacional depende de alianças, avaliação do eleitor e organização territorial em sua base, fatores que podem produzir resultado diferente daquele sugerido pela visibilidade no Congresso.
Derrota altera articulação governista
Randolfe está no Senado desde 2011 e passou por PSOL, Rede e PT ao longo da trajetória. Foi vice-presidente da CPI da Covid e assumiu a liderança do governo no Congresso, função que reúne a negociação política entre o Executivo e as duas Casas.
A saída não interrompe imediatamente essa atuação. O mandato segue até o começo de 2027, período em que o Planalto ainda poderá mantê-lo na articulação. Depois disso, o governo precisará escolher outro parlamentar para conduzir a relação com deputados e senadores.
Rayssa e Lucas tomarão posse em fevereiro de 2027. A mudança de nomes representa mais do que uma troca individual: reorganiza a bancada do Amapá e reduz a presença direta do PT na mesa de negociações do Senado, onde cada voto pode ser decisivo em propostas constitucionais e indicações de autoridades.
Em resumo
Ele recebeu 163.857 votos, equivalentes a 18,55% dos votos válidos para senador no Amapá.
Rayssa Furlan e Lucas Barreto conquistaram as duas cadeiras em disputa.
O mandato atual termina em janeiro de 2027.
Ele atua como líder do governo Lula no Congresso Nacional.
Os eleitos assumem os mandatos em fevereiro de 2027.