Raquel Lyra mantém neutralidade no segundo turno
Governadora reeleita de Pernambuco afirma que não apoiará Lula nem Flávio Bolsonaro e priorizará a relação institucional com o próximo governo.

A governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra, afirmou nesta quarta-feira (7) que não declarará apoio a Lula nem a Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial. Ela disse ter sido procurada pelas duas campanhas e manterá a posição adotada desde 2022.
A declaração foi dada em entrevista à Folha de S.Paulo e confirmada em manifestação pública registrada pelo Jornal do Commercio. Raquel associou a neutralidade à responsabilidade de negociar obras e recursos federais em favor de Pernambuco.
A governadora afirmou ser grata ao governo Lula pelas parcerias construídas durante seu primeiro mandato, mas disse que essa relação institucional não se transformará em apoio eleitoral. Também declarou que saberá dialogar com Flávio caso ele seja eleito.
Prioridade declarada é Pernambuco
Raquel sustenta que a escolha de um lado na disputa nacional poderia limitar a interlocução do estado com o vencedor. Sua justificativa é que o governo pernambucano precisa manter canais abertos com o Palácio do Planalto independentemente do resultado das urnas.
Ao citar resultados da cooperação com a União, ela mencionou programas habitacionais, obras rodoviárias, abastecimento de água e projetos de contenção de enchentes. A lista foi usada para defender uma relação baseada em entregas administrativas, e não em alinhamento partidário.
A governadora também indicou que buscará novos pactos em Brasília para destravar a Transnordestina e outras intervenções de infraestrutura. A agenda reforça seu argumento de que o mandato estadual deve preservar capacidade de negociação com qualquer governo federal.
Postura preserva diálogo institucional
Raquel foi reeleita no primeiro turno com 53,3% dos votos válidos. João Campos, candidato do PSB apoiado por Lula, recebeu 44,8%. A vitória deu à governadora peso político em um estado importante para a estratégia nacional do PT.
Durante a entrevista, ela defendeu que o próximo governo federal trabalhe pela pacificação e criticou a redução da campanha a debates sobre eventual impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Para Raquel, responsabilizações devem seguir as regras constitucionais e o devido processo.
A neutralidade não significa ausência na campanha. As equipes de Lula e Flávio procuraram a governadora para conhecer sua posição, e ela respondeu que continuará colocando o interesse de Pernambuco acima das alianças da eleição presidencial.
A posição poderá ser novamente testada até a votação do segundo turno, quando as duas campanhas buscam apoio de governadores e partidos. Até agora, porém, Raquel repetiu a mesma orientação em entrevistas diferentes e não indicou mudança de rumo.
Em resumo
Ela afirmou que não declarará apoio a Lula nem a Flávio Bolsonaro.
Sim. Raquel disse ter sido procurada pelas duas campanhas.
A governadora afirma que precisa preservar a interlocução federal em favor de Pernambuco.
Não. Ela agradeceu as parcerias do governo federal, mas separou a relação institucional do apoio eleitoral.
Raquel foi reeleita no primeiro turno com 53,3% dos votos válidos.