Reatores nucleares na Lua entram em nova corrida espacial
Estados Unidos aceleram um reator lunar para 2030, enquanto China e Rússia articulam uma estação no polo sul na década seguinte.

Estados Unidos, China e Rússia transformaram a geração de energia na Lua em uma nova frente da corrida espacial. A Nasa e o Departamento de Energia dos EUA trabalham para deixar um reator de superfície pronto para lançamento em 2030, enquanto a parceria sino-russa projeta infraestrutura lunar para meados da década seguinte.
O avanço foi noticiado por O Globo neste domingo (12). Documentos oficiais da Nasa confirmam o prazo norte-americano e registram que China e Rússia anunciaram esforços conjuntos para instalar um reator na Lua na metade dos anos 2030; o governo chinês situa a primeira fase de sua Estação Internacional de Pesquisa Lunar no polo sul até 2035.
A disputa não envolve uma usina convencional transportada da Terra. Os projetos estudam sistemas compactos de fissão capazes de fornecer eletricidade durante anos a módulos habitáveis, equipamentos científicos, veículos e atividades de aproveitamento de recursos locais.
Noite lunar exige energia contínua
A energia solar enfrenta uma limitação decisiva na superfície lunar: em muitas regiões, o ciclo local inclui longos períodos sem luz. Um sistema de fissão poderia operar independentemente da iluminação e das variações extremas de temperatura, oferecendo uma fonte estável para bases permanentes.
A diretriz emitida pela Nasa em agosto de 2025 definiu potência mínima de 100 quilowatts elétricos, massa compatível com um módulo de pouso pesado e prontidão para lançamento no primeiro trimestre do ano fiscal de 2030. O documento também orientou o uso de um ciclo Brayton fechado para converter calor em eletricidade.
Em janeiro de 2026, Nasa e Departamento de Energia renovaram formalmente a cooperação para desenvolver, abastecer, autorizar e preparar o reator. As agências afirmam que a tecnologia deverá funcionar por anos sem reabastecimento e apoiar tanto o programa Artemis quanto futuras missões a Marte.
Do outro lado, China e Rússia estruturam a Estação Internacional de Pesquisa Lunar. A proposta chinesa prevê um modelo básico no polo sul até 2035, e a Rússia anunciou uma central baseada em unidade nuclear para 2036. Os cronogramas são metas de desenvolvimento e ainda dependem de testes, orçamento, veículos de lançamento e pousos bem-sucedidos.
Segurança acompanha disputa tecnológica
O uso de combustível nuclear fora da Terra amplia exigências de segurança desde o lançamento. Uma missão precisa proteger o material durante acidentes, controlar o reator apenas depois da chegada e prever operação, manutenção e descarte sem contaminar áreas de pesquisa.
A reportagem de O Globo também destacou alertas de especialistas sobre riscos radioativos. Isso não significa que um projeto aprovado produzirá necessariamente contaminação: o risco depende do combustível, do desenho, das barreiras de proteção, da trajetória de lançamento e dos protocolos internacionais adotados.
Há ainda uma questão de governança. A própria diretriz norte-americana menciona a possibilidade de o primeiro país a instalar o sistema declarar uma zona de segurança que limite o acesso de rivais. A energia, portanto, seria infraestrutura científica e também instrumento de presença estratégica.
O resultado mais provável não será decidido apenas pela data anunciada. A vantagem caberá ao programa que demonstrar confiabilidade, transportar o equipamento e operar continuamente sem comprometer astronautas nem o ambiente lunar. Até lá, 2030, 2035 e 2036 permanecem marcos de planejamento, não garantias de entrega.
Em resumo
Para fornecer energia contínua a bases, equipamentos científicos e veículos mesmo durante períodos sem luz solar.
A Nasa trabalha para deixar um sistema lunar de fissão pronto para lançamento em 2030.
A diretriz norte-americana estabelece capacidade mínima de 100 quilowatts elétricos.
A estação básica chinesa está prevista para 2035, e a Rússia anunciou uma central nuclear para 2036.
Não. São metas sujeitas a testes, financiamento, lançamentos e operações de pouso.