Tecnologia · 2026-10-12 · Redação Notícia ES

Reatores nucleares na Lua entram em nova corrida espacial

Estados Unidos aceleram um reator lunar para 2030, enquanto China e Rússia articulam uma estação no polo sul na década seguinte.

Reatores nucleares na Lua entram em nova corrida espacial
Reatores nucleares na Lua entram em nova corrida espacial

Estados Unidos, China e Rússia transformaram a geração de energia na Lua em uma nova frente da corrida espacial. A Nasa e o Departamento de Energia dos EUA trabalham para deixar um reator de superfície pronto para lançamento em 2030, enquanto a parceria sino-russa projeta infraestrutura lunar para meados da década seguinte.

O avanço foi noticiado por O Globo neste domingo (12). Documentos oficiais da Nasa confirmam o prazo norte-americano e registram que China e Rússia anunciaram esforços conjuntos para instalar um reator na Lua na metade dos anos 2030; o governo chinês situa a primeira fase de sua Estação Internacional de Pesquisa Lunar no polo sul até 2035.

A disputa não envolve uma usina convencional transportada da Terra. Os projetos estudam sistemas compactos de fissão capazes de fornecer eletricidade durante anos a módulos habitáveis, equipamentos científicos, veículos e atividades de aproveitamento de recursos locais.

Noite lunar exige energia contínua

A energia solar enfrenta uma limitação decisiva na superfície lunar: em muitas regiões, o ciclo local inclui longos períodos sem luz. Um sistema de fissão poderia operar independentemente da iluminação e das variações extremas de temperatura, oferecendo uma fonte estável para bases permanentes.

A diretriz emitida pela Nasa em agosto de 2025 definiu potência mínima de 100 quilowatts elétricos, massa compatível com um módulo de pouso pesado e prontidão para lançamento no primeiro trimestre do ano fiscal de 2030. O documento também orientou o uso de um ciclo Brayton fechado para converter calor em eletricidade.

Em janeiro de 2026, Nasa e Departamento de Energia renovaram formalmente a cooperação para desenvolver, abastecer, autorizar e preparar o reator. As agências afirmam que a tecnologia deverá funcionar por anos sem reabastecimento e apoiar tanto o programa Artemis quanto futuras missões a Marte.

Do outro lado, China e Rússia estruturam a Estação Internacional de Pesquisa Lunar. A proposta chinesa prevê um modelo básico no polo sul até 2035, e a Rússia anunciou uma central baseada em unidade nuclear para 2036. Os cronogramas são metas de desenvolvimento e ainda dependem de testes, orçamento, veículos de lançamento e pousos bem-sucedidos.

Segurança acompanha disputa tecnológica

O uso de combustível nuclear fora da Terra amplia exigências de segurança desde o lançamento. Uma missão precisa proteger o material durante acidentes, controlar o reator apenas depois da chegada e prever operação, manutenção e descarte sem contaminar áreas de pesquisa.

A reportagem de O Globo também destacou alertas de especialistas sobre riscos radioativos. Isso não significa que um projeto aprovado produzirá necessariamente contaminação: o risco depende do combustível, do desenho, das barreiras de proteção, da trajetória de lançamento e dos protocolos internacionais adotados.

Há ainda uma questão de governança. A própria diretriz norte-americana menciona a possibilidade de o primeiro país a instalar o sistema declarar uma zona de segurança que limite o acesso de rivais. A energia, portanto, seria infraestrutura científica e também instrumento de presença estratégica.

O resultado mais provável não será decidido apenas pela data anunciada. A vantagem caberá ao programa que demonstrar confiabilidade, transportar o equipamento e operar continuamente sem comprometer astronautas nem o ambiente lunar. Até lá, 2030, 2035 e 2036 permanecem marcos de planejamento, não garantias de entrega.

Em resumo

Por que instalar um reator na Lua?

Para fornecer energia contínua a bases, equipamentos científicos e veículos mesmo durante períodos sem luz solar.

Qual é o prazo anunciado pelos Estados Unidos?

A Nasa trabalha para deixar um sistema lunar de fissão pronto para lançamento em 2030.

Qual potência está prevista?

A diretriz norte-americana estabelece capacidade mínima de 100 quilowatts elétricos.

Quando China e Rússia planejam a infraestrutura lunar?

A estação básica chinesa está prevista para 2035, e a Rússia anunciou uma central nuclear para 2036.

Os prazos já estão garantidos?

Não. São metas sujeitas a testes, financiamento, lançamentos e operações de pouso.

Fontes