Recorde leva 109 mulheres à Câmara
Bancada feminina crescerá 21,1% em 2027, mas ocupará pouco mais de um quinto das 513 cadeiras.

A Câmara dos Deputados terá 109 mulheres na legislatura iniciada em 2027, o maior número já eleito para a Casa. O resultado do primeiro turno deste domingo (4) representa aumento de 21,1% sobre as 90 deputadas escolhidas em 2022.
A Agência Brasil informou nesta segunda-feira (5) que o avanço ocorreu mesmo com a redução do total de candidatas a deputada federal. A Agência Câmara confirmou os 109 nomes e calculou que elas ocuparão 21,2% das 513 cadeiras, proporção que mantém as mulheres como minoria no plenário.
Câmara amplia presença feminina
O novo tamanho da bancada traduz um ganho de 19 cadeiras em quatro anos. Das eleitas, 59 já exercem mandato e foram reconduzidas, o equivalente a 54% do grupo. Outras 50 chegarão à Câmara para iniciar ou retomar uma atuação parlamentar a partir de fevereiro de 2027.
A federação formada por PT, PCdoB e PV elegeu 34 mulheres, a maior parcela partidária da bancada. São Paulo terá 16 deputadas e concentrará 14,7% de todas as cadeiras ocupadas por mulheres na Casa. Os números mostram que o crescimento nacional não se distribuiu de maneira uniforme entre partidos e estados.
O recorde, portanto, precisa ser lido em duas medidas. A primeira é histórica: nunca houve 109 deputadas federais eleitas no mesmo pleito. A segunda é proporcional: mesmo com a alta, quase quatro de cada cinco cadeiras continuarão ocupadas por homens, embora as mulheres representem a maioria do eleitorado brasileiro.
Também houve aumento entre mulheres negras eleitas para a Câmara. O levantamento citado pela Agência Brasil contabilizou ao menos 15 deputadas federais negras, ante nove em 2022. A alta amplia a diversidade interna, mas permanece distante da composição demográfica do país e não elimina barreiras de financiamento, exposição e estrutura partidária.
Senado também bate recorde
No Senado, 12 mulheres venceram disputas entre as 54 vagas renovadas neste ano. A Agência Câmara informou que esse foi o maior número desde a redemocratização. Com as senadoras que ainda tinham mandato, a bancada feminina chegará a 18 integrantes em 2027, de um total de 81 cadeiras.
O Distrito Federal passará a ter três senadoras, tornando-se a única unidade da Federação com toda a representação na Casa composta por mulheres. O Amapá elegeu sua primeira senadora, enquanto o Piauí ficou como o único estado que nunca escolheu uma mulher para o cargo.
O avanço numérico não determina uma agenda política comum. As eleitas pertencem a partidos e correntes ideológicas diferentes, com posições divergentes sobre economia, segurança, direitos e políticas para mulheres. A ampliação da representação muda quem ocupa os espaços de decisão, mas as votações dependerão das bancadas, das alianças e das prioridades de cada parlamentar.
A posse ocorrerá em fevereiro de 2027. Até lá, Câmara e Senado concluirão a totalização dos resultados e a preparação administrativa da nova legislatura. O dado central já está definido: haverá mais mulheres no Congresso do que em qualquer composição anterior, embora a paridade permaneça distante.