Economia · 2026-11-04 · Redação Notícia ES

Reformas fiscais são mais duradouras, diz economista citado por Lara Resende em texto

John H. Cochrane diz que proposta de brasileiro é economicamente sofisticada e apresenta um argumento coerente, mas que ainda prefere “ver uma reforma fiscal, monetária e microeconômica coordenada

Reformas fiscais são mais duradouras, diz economista citado por Lara Resende em texto
Reformas fiscais são mais duradouras, diz economista citado por Lara Resende em texto

É possível fazer um ajuste fiscal no Brasil por meio da redução gradual e constante da taxa de juros por parte do Banco Central, conforme proposto pelo economista André Lara Resende em um polêmico artigo publicado no Substack?

Dados e contexto do setor

Em meio à polêmica, o macroeconomista ortodoxo John H. Cochrane, citado por Lara Resende no texto, deu sua opinião na mesma plataforma.

Ele diz que o texto do brasileiro é economicamente sofisticado e apresenta um argumento coerente, mas que ainda prefere “ver uma reforma fiscal, monetária e microeconômica coordenada, que já funcionou muitas vezes no passado”.

O economista da Hoover Institution, da Universidade de Stanford, começa sua argumentação dizendo que não sabe muito sobre o Brasil, a economia brasileira e ainda menos sobre política brasileira e que iria focar nos princípios gerais da proposta de Lara Resende.

Impactos e informações adicionais

Cochrane considera que o Brasil tem uma situação fiscal e monetária interessante, uma vez que o déficit primário não é grande — atualmente abaixo de 1% do PIB – e que a dívida em relação ao PIB é grande, cerca de 80%.

Enquanto isso, as taxas de juros são altas, com a taxa overnight (Selic) é de 13,75% e o rendimento dos títulos do governo de 10 anos é de 15,4%.

Ele cita ainda que, se a inflação permanecer em 4,5%, isso significa que as taxas de juros reais, e portanto os custos reais de juros quando a dívida se acumular, ficam em torno de 9% a11%.

“Multiplicado por 80% dívida/PIB, isso significa 8% do déficit do PIB apenas com pagamento de juros. Com até 3% de crescimento real do PIB, a dívida/PIB crescerá 5% ao ano na ausência de qualquer déficit.

“De certa forma, o Brasil está um passo à frente do resto de nós [os EUA], já que os custos de juros começam a consumir o orçamento (…). Não é preciso muita análise para concluir que a situação é insustentável.

A trajetória explosiva da dívida em relação ao PIB deve ser interrompida o mais rápido possível”, avalia.

Assim ele concorda com Lara Resende que taxas de juros mais baixas, sem alteração no déficit primário, de fato melhorariam substancialmente a situação fiscal do Brasil.

Mas questiona se o Banco Central pode fazer isso acontecer apenas reduzindo a meta de juros, uma vez que a reclamação óbvia é que a redução das taxas de juros pode fazer a inflação subir novamente.

“Não conheço um precedente histórico bem-sucedido para a proposta de Resende. Há muitos precedentes para um pacote de reformas em que a inflação para, a dívida é paga e as taxas de juros despencam. Mas os três se juntam.

Isso não significa que Resende esteja errado, apenas que ele depende mais da teoria do que de políticas mais tradicionais”, opina.

Sobre a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (o CFMN), que definiria metas fiscais e monetárias para um período de quatro a cinco anos à frente, e o compromisso do BC de se comprometer em manter a taxa básica num intervalo entre a meta de inflação e a taxa de crescimento nominal potencial, Cochrane diz que “alvos são legais”.

“Políticos fazem isso o tempo todo. Aí as coisas acontecem. ‘Racionalizar e simplificar’ seria ótimo, junto com eliminar fraudes e abusos de desperdício.

Quando penso nos tipos de reformas fiscais fundamentais, institucionais que param a inflação e resolvem dívidas em expansão, elas são mais duradouras, especialmente considerando a história do Brasil.”

Ele diz ainda que, em todos os extremos da inflação, assim como em Milei na Argentina, reformas fiscais e microeconômicas fundamentais levaram ou vieram acompanhadas de mudanças monetárias.

“Corrigir a política fiscal faz com que as taxas de juros caiam. O colapso dos custos de juros pode ter um efeito multiplicador nas reformas fiscais.”

Cochrane conclui seu texto reconhecendo que os leitores podem ficar frustrados por ele não oferecer nem um enfático endosso nem uma negação severa à proposta de Lara Resende. “Aconselhamento de políticas é difícil.

Você precisa sair do modelo e pensar no que pode estar errado ou não ser mantido constante como pensa. E não gosto de dar conselhos sobre países que não conheço muito. Além disso, ideias são como crianças.

Em resumo

O que aconteceu?

É possível fazer um ajuste fiscal no Brasil por meio da redução gradual e constante da taxa de juros por parte do Banco Central, conforme proposto pelo economista André Lara Resende em um polêmico artigo publicado no Substack?

Qual é o ponto principal?

Em meio à polêmica, o macroeconomista ortodoxo John H. Cochrane, citado por Lara Resende no texto, deu sua opinião na mesma plataforma.

Quais são os dados mais importantes?

O economista da Hoover Institution, da Universidade de Stanford, começa sua argumentação dizendo que não sabe muito sobre o Brasil, a economia brasileira e ainda menos sobre política brasileira e que iria focar nos princípios gerais da proposta de Lara Resende.

Qual é o contexto?

Cochrane considera que o Brasil tem uma situação fiscal e monetária interessante, uma vez que o déficit primário não é grande — atualmente abaixo de 1% do PIB – e que a dívida em relação ao PIB é grande, cerca de 80%.

Quais são os próximos desdobramentos?

Ele cita ainda que, se a inflação permanecer em 4,5%, isso significa que as taxas de juros reais, e portanto os custos reais de juros quando a dívida se acumular, ficam em torno de 9% a11%. “Multiplicado por 80% dívida/PIB, isso significa 8% do déficit do PIB apenas com pagamento de juros.

Fontes