Justiça · 2026-10-08 · Redação Notícia ES

Relato à PF aponta tentativa de apagar dados de celular de Vorcaro

Ação atribuída ao ex-banqueiro teria buscado excluir informações armazenadas no iCloud antes da extração pericial do aparelho apreendido.

Relato à PF aponta tentativa de apagar dados de celular de Vorcaro
Relato à PF aponta tentativa de apagar dados de celular de Vorcaro

Um relato prestado à Polícia Federal atribui a Daniel Vorcaro a ordem para tentar apagar, em janeiro, dados armazenados na nuvem de um celular que já estava apreendido. A iniciativa teria ocorrido quando o ex-banqueiro cumpria prisão domiciliar em São Paulo e não teria alcançado o objetivo.

A Jovem Pan noticiou o caso nesta quinta-feira (8), com base em apuração publicada originalmente pela revista piauí e confirmada pelo Estadão. Segundo essas reportagens, o profissional de segurança digital Thiago Santos descreveu aos investigadores como a tentativa teria sido organizada e informou que a PF detectou e interrompeu o acesso.

As informações são apresentadas como elementos de investigação, não como condenação judicial. A responsabilidade de cada pessoa citada, a intenção atribuída às ações e o eventual enquadramento penal dependem da análise da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário, com direito de defesa.

Relato descreve acesso ao iCloud

De acordo com a apuração, Vorcaro teria recorrido a Thiago Miranda, interlocutor que atuava em assuntos ligados ao ex-banqueiro. Miranda, então, teria procurado Thiago Santos para tentar acessar as contas de iCloud vinculadas a Vorcaro e a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro.

O objetivo atribuído à operação era apagar informações antes que os investigadores concluíssem a extração dos conteúdos dos aparelhos. A reportagem da piauí afirma que o celular de Vorcaro estava havia cerca de dois meses sob custódia da PF e que o acesso externo aos dados digitais havia sido bloqueado para preservar possíveis evidências.

A mesma apuração sustenta que houve acesso à conta, mas que policiais identificaram a movimentação e conseguiram preservar os dados. A inclusão posterior de diálogos em relatórios policiais também é apontada pelas reportagens como sinal de que a investida não eliminou o material disponível aos investigadores.

O episódio precisa ser distinguido de um ataque contra o aparelho físico. O que se apura é uma tentativa remota de interferir no conteúdo associado às contas de armazenamento em nuvem, enquanto os dispositivos permaneciam em poder da polícia para exame pericial.

Investigação avaliará responsabilidade criminal

A apuração da PF deverá estabelecer quem solicitou, intermediou ou executou cada etapa e se houve efetiva tentativa de destruir provas. A revista piauí registra que condutas dessa natureza podem ser examinadas como possível obstrução da Justiça, mas a definição jurídica depende do conjunto probatório e das autoridades competentes.

O caso também envolve a cadeia de custódia digital. Quando um aparelho é apreendido, os investigadores precisam documentar a guarda, impedir alterações externas e registrar os procedimentos de coleta. A detecção de uma tentativa de acesso, se comprovada, passa a integrar tanto a proteção da prova quanto a investigação sobre a própria interferência.

As reportagens informam que as defesas foram procuradas e que a defesa de Vorcaro nega ilegalidades nas condutas atribuídas ao ex-banqueiro. Essa posição deve ser considerada enquanto a investigação prossegue, sem substituir a apuração técnica nem antecipar conclusão sobre culpa.

A classificação desta matéria é Justiça porque o núcleo do fato não é a tecnologia usada, mas a possível interferência em uma investigação criminal da Polícia Federal. Os dados do celular, a atuação dos citados e os registros técnicos deverão ser confrontados antes de qualquer decisão acusatória ou judicial.

Em resumo

O que o relato atribui a Daniel Vorcaro?

Uma ordem para tentar apagar remotamente dados de contas no iCloud ligadas a celulares apreendidos pela Polícia Federal.

Quando a tentativa teria ocorrido?

Em janeiro de 2026, quando Vorcaro cumpria prisão domiciliar em São Paulo.

A tentativa teria apagado os dados?

Segundo as reportagens, não. A PF teria detectado a movimentação, interrompido o acesso e preservado o material.

Quem descreveu a operação aos investigadores?

O profissional de segurança digital Thiago Santos, de acordo com as apurações publicadas.

O caso já resultou em condenação?

Não. Os fatos narrados integram uma investigação e ainda dependem de análise policial, ministerial e judicial.

Fontes