Política ES · 2026-10-08 · Redação Notícia ES

Relatos de candidatas levantam suspeita sobre cota no PSD-ES

Mulheres lançadas à Câmara dizem que não receberam recursos nem estrutura; eventual questionamento dependerá de provas e decisão eleitoral.

Relatos de candidatas levantam suspeita sobre cota no PSD-ES
Relatos de candidatas levantam suspeita sobre cota no PSD-ES

Relatos de três mulheres ligadas à chapa do PSD para deputada federal no Espírito Santo levantaram suspeitas sobre o cumprimento material da cota de gênero nas eleições de 2026. Duas candidatas disseram ter disputado sem recursos ou estrutura, enquanto uma terceira renunciou durante a campanha.

As declarações foram reunidas nesta quinta-feira (8) pelo Metrópoles e já haviam aparecido em reportagem de A Gazeta sobre a falta de financiamento na chapa. Não há, nas fontes consultadas, decisão da Justiça Eleitoral que reconheça fraude; qualquer consequência depende de provocação, produção de provas e julgamento.

Candidatas relatam falta de apoio

Sandra Frasson, que recebeu 153 votos, afirmou que não teve organização partidária, material impresso ou recursos para deslocamento. Ela disse ter procurado a direção nacional do partido por e-mail, sem retorno, e sustentou que as mulheres da chapa ficaram sem o aparato necessário para uma campanha efetiva.

Jane Zanetti, de Colatina, obteve 122 votos. Segundo seu relato, pessoas ligadas à direção estadual a convidaram de última hora porque o partido precisava de uma mulher na nominata e prometeram apoio. Ela afirmou que não recebeu dinheiro, transporte ou acompanhamento para percorrer municípios.

A terceira candidata mulher da chapa, Cintia Nininha, renunciou em 14 de setembro. Antes da desistência, declarou a A Gazeta que não havia recebido recursos nem respostas para organizar a campanha. O PSD apresentou nove nomes à Câmara, dos quais três eram mulheres antes da renúncia.

O Metrópoles procurou o secretário-geral do PSD no Espírito Santo, Nilo Locatelli, mas informou que não recebeu resposta até a publicação. O espaço para manifestação do partido permanece necessário, porque os depoimentos das candidatas são alegações que ainda precisam ser confrontadas com documentos, contas eleitorais e atos de campanha.

Regra exige prova concreta

A Lei das Eleições determina que cada partido ou federação preencha o mínimo de 30% e o máximo de 70% das candidaturas de cada sexo nas disputas proporcionais. A exigência não se limita ao registro formal dos nomes: a Justiça Eleitoral analisa se houve participação real na campanha.

A Súmula 73 do Tribunal Superior Eleitoral lista sinais que podem caracterizar fraude conforme as circunstâncias do caso. Entre eles estão votação zerada ou inexpressiva, prestação de contas sem movimentação relevante e ausência de atos efetivos de campanha. A presença de um desses elementos não dispensa a análise conjunta das provas.

Uma eventual anulação dos votos do PSD alteraria o total de votos válidos no Espírito Santo. Esse recálculo interessa à Federação Rede-PSOL, que ficou 185 votos abaixo do patamar necessário para atingir 1,5% dos votos válidos para a Câmara em uma nona unidade da Federação e superar a cláusula de desempenho.

Esse efeito, porém, é apenas uma possibilidade matemática. Para produzir consequência eleitoral, seria necessário um processo próprio, com defesa das partes e decisão competente. Até lá, os votos permanecem válidos e não é correto tratar a suspeita relatada pelas candidatas como fraude já comprovada.

Em resumo

O que as candidatas relataram?

Elas disseram que não receberam recursos, materiais, transporte ou estrutura suficiente para fazer campanha.

A fraude já foi reconhecida?

Não. As fontes consultadas não registram decisão judicial que reconheça fraude na chapa do PSD-ES.

O que diz a cota de gênero?

A lei exige no mínimo 30% e no máximo 70% de candidaturas de cada sexo nas eleições proporcionais.

Quais sinais o TSE considera?

A Súmula 73 cita votação inexpressiva, contas sem movimentação relevante e ausência de atos efetivos de campanha.

Por que o caso interessa à Rede-PSOL?

Uma eventual anulação reduziria o total de votos válidos e poderia mudar o cálculo da cláusula de desempenho no Espírito Santo.

Fontes