Ri Happy negocia R$ 827 milhões em dívidas
Varejista pediu recuperação extrajudicial para reorganizar R$ 827,4 milhões e afirma que lojas e canais digitais continuam funcionando.

A Ri Happy protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. A medida foi apresentada à Justiça de São Paulo e alcança seis empresas do grupo, entre elas a rede PBKids, sem previsão de interrupção das lojas físicas ou dos canais digitais.
A reportagem do InfoMoney publicada nesta segunda-feira (19) informa que credores responsáveis por R$ 308,8 milhões já aderiram ao plano, montante equivalente a 42,4% dos créditos abrangidos. A companhia diz que a iniciativa integra sua reorganização financeira e operacional.
O UOL confirmou o pedido, a inclusão de seis sociedades e a manutenção das operações. A segunda apuração também registrou que o processo foi apresentado 48 dias depois da compra de 100% do grupo pela BluSun Capital Partners, anunciada em 31 de agosto.
Plano preserva operações comerciais
A recuperação extrajudicial permite que uma empresa negocie condições com grupos de credores e leve o acordo à homologação judicial. O instrumento difere da recuperação judicial porque pode ser direcionado a determinadas classes de dívida, sem reunir necessariamente todo o passivo no mesmo procedimento.
Para consumidores, a informação central é que a rede afirma manter normalmente as vendas, entregas e atividades do comércio eletrônico. A preservação da operação é especialmente importante às vésperas da Black Friday e do Natal, períodos de forte movimento para o varejo de brinquedos.
A continuidade anunciada não elimina a necessidade de acompanhamento. Fornecedores, franqueados, administradoras de shopping centers e instituições financeiras precisam avaliar os prazos e garantias previstos, enquanto clientes devem observar as regras usuais de entrega, troca e atendimento.
No pedido, a companhia atribui a pressão sobre o caixa à combinação de juros elevados, perda de poder de compra, maior endividamento das famílias, desaceleração do varejo e concorrência de plataformas internacionais. Também menciona efeitos acumulados da pandemia e negociações financeiras anteriores.
Credores avaliam condições financeiras
A adesão de 42,4% representa um ponto relevante, mas não encerra o processo. A homologação e a extensão dos efeitos do plano dependem dos requisitos legais, da composição dos créditos e das condições efetivamente aceitas pelos credores alcançados pela proposta.
A troca de controle colocou Héctor Núñez novamente na presidência da varejista. Sob a nova gestão, o grupo anunciou revisão de custos, ajustes em equipes corporativas e preparação para mudança de sede, embora não tenha informado publicamente a economia esperada com essas medidas.
O pedido transforma a dívida em prioridade imediata da administração, mas o teste econômico será mais amplo: preservar estoques, abastecimento e confiança no período sazonal enquanto o plano é negociado. A empresa precisará demonstrar que a reorganização do passivo pode sustentar uma operação competitiva depois das vendas de fim de ano.
Em resumo
O pedido de recuperação extrajudicial busca reorganizar R$ 827,4 milhões em dívidas do grupo Ri Happy.
A empresa afirma que lojas físicas, comércio eletrônico e demais canais seguem funcionando normalmente durante a negociação.
Credores responsáveis por R$ 308,8 milhões, equivalentes a 42,4% dos créditos abrangidos, já teriam aderido ao plano.
O processo envolve seis sociedades do grupo, incluindo Ri Happy, PBKids e outras empresas ligadas à operação e às marcas.
A Justiça analisará a homologação do plano, enquanto credores avaliam as condições e a companhia mantém a operação comercial.