Ricardo amplia vantagem entre eleitores de esquerda no ES
Cruzamentos da Quaest mostram o governador à frente de Pazolini entre lulistas e eleitores de esquerda, embora a disputa geral permaneça tecnicamente empatada.

O governador Ricardo Ferraço (MDB) ampliou sua vantagem sobre Lorenzo Pazolini (Republicanos) entre eleitores capixabas que se identificam com a esquerda, segundo cruzamentos da pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira (25). O recorte ganhou peso na reta final porque os dois aparecem tecnicamente empatados no quadro geral.
A coluna de Vitor Vogas em A Gazeta apresentou os dados por identificação política. A Gazeta do Povo confirmou os números gerais do levantamento: Ricardo tem 33% das intenções de voto no primeiro turno, Pazolini soma 31% e Helder Salomão (PT) aparece com 12%, todos considerados dentro da margem aplicável.
Entre entrevistados que se definem como de esquerda não lulista, Ricardo marca 64% em uma simulação de segundo turno contra Pazolini, que obtém 19%. A diferença chegou a 45 pontos, dois a mais do que no levantamento de agosto.
No grupo lulista, o governador registra 62% e Pazolini, 21%. A vantagem de Ricardo nesse segmento passou de 31 para 41 pontos em quatro semanas, apesar de o emedebista não ter construído sua campanha como aliado direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Disputa cruza campos ideológicos
Os números indicam que a escolha estadual não repete automaticamente a divisão presidencial. Parte do eleitorado identificado com Lula migra para Ricardo na disputa pelo Palácio Anchieta, enquanto Helder tenta converter a preferência nacional pelo PT em apoio à sua própria candidatura ao governo.
No primeiro turno, entre eleitores que declaram voto em Lula, Ricardo aparece com 40%, Helder com 30% e Pazolini com 15%. O dado mostra que o candidato petista não retém sozinho esse campo e que o governador entra na reta final com uma base eleitoral mais ampla do que o alinhamento formal de sua chapa.
O movimento inverso aparece entre os eleitores de Flávio Bolsonaro. Nesse grupo, Pazolini alcança 51% das intenções no primeiro turno, contra 29% de Ricardo. O ex-prefeito de Vitória consolidou a dianteira no segmento bolsonarista, mas ainda precisa avançar fora dele para ampliar sua votação geral.
Os cruzamentos ajudam a explicar por que a diferença total é menor do que as vantagens observadas dentro de cada campo. Ricardo lidera na esquerda e entre lulistas; Pazolini vence na direita e entre eleitores de Flávio. O equilíbrio surge da soma de segmentos com tamanhos e graus de mobilização diferentes.
Segundo turno exige pontes
Na simulação geral de segundo turno, Ricardo tem 43% e Pazolini, 38%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, o resultado configura empate técnico. Onze por cento se declaram indecisos e 8% afirmam que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam.
A pesquisa ouviu presencialmente 804 pessoas no Espírito Santo entre 21 e 24 de setembro. O nível de confiança informado é de 95%, e o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo ES-01978/2026.
Por serem recortes de amostra, os percentuais internos devem ser lidos como fotografia do momento, não como previsão exata. A margem divulgada vale para o conjunto da pesquisa, e segmentos menores podem apresentar variação superior. Ainda assim, a direção dos dados revela onde cada campanha encontra resistência e oportunidade.
Ricardo precisa manter eleitores de esquerda sem perder apoio de centro e direita; Pazolini precisa preservar a identidade conservadora e reduzir sua rejeição no campo oposto. Helder, por sua vez, busca demonstrar que o voto presidencial em Lula também pode sustentar uma candidatura petista ao governo estadual.
Até domingo (4), debates, propaganda e voto útil podem alterar a distribuição observada pela Quaest. O dado mais relevante para a estratégia das campanhas é que a sucessão capixaba se tornou uma disputa por pontes entre campos nacionais, e não apenas uma reprodução local da corrida ao Planalto.
Em resumo
Ricardo Ferraço aparece com 62% em um segundo turno contra Pazolini, que registra 21% nesse grupo.
Ricardo tem 33%, Pazolini 31% e Helder Salomão 12%, com empate técnico entre os dois primeiros.
Ricardo marca 43% e Pazolini 38%; a diferença permanece dentro da margem de erro.
A Quaest entrevistou 804 eleitores capixabas entre 21 e 24 de setembro de 2026.
O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo ES-01978/2026.