Política ES · 2026-08-31 · Redação Notícia ES

Ricardo Ferraço diz que facções não controlam territórios no ES e propõe subsecretaria contra crime organizado

Em sabatina de A Gazeta e CBN Vitória, governador e candidato à reeleição afirmou que o Estado mantém controle territorial e prometeu integrar forças de segurança, tecnologia e inteligência em nova estrutura especializada.

Ricardo Ferraço diz que facções não controlam territórios no ES e propõe subsecretaria contra crime organizado
Ricardo Ferraço diz que facções não controlam territórios no ES e propõe subsecretaria contra crime organizado

O governador do Espírito Santo e candidato à reeleição Ricardo Ferraço afirmou nesta segunda-feira (31) que facções criminosas existem e atuam no tráfico de drogas e armas no Estado, mas não exercem domínio territorial sobre ruas, avenidas ou bairros. A declaração foi feita durante sabatina promovida por A Gazeta e CBN Vitória.

Ricardo utilizou a comparação com outros estados para defender que o Espírito Santo mantém presença efetiva das forças de segurança em seu território. O candidato citou especialmente situações observadas no Rio de Janeiro e na Bahia, onde organizações criminosas são associadas ao controle de áreas e imposição de regras a moradores.

Como proposta para um eventual novo mandato, ele anunciou a intenção de criar uma subsecretaria voltada especificamente à coordenação do combate ao crime organizado, com integração das forças de segurança e uso intensivo de tecnologia e inteligência.

Governador aposta em inteligência e integração

A proposta apresentada na sabatina coloca a inteligência policial no centro da estratégia. Segundo Ricardo, o enfrentamento das facções não deve se limitar à prisão de integrantes que atuam na ponta do tráfico. O objetivo seria atingir também redes financeiras, comunicação, logística e patrimônio.

O candidato defendeu o uso de tecnologia de última geração e inteligência artificial para cruzar informações, acompanhar movimentações e ajudar na identificação de ativos relacionados a organizações criminosas. O foco em descapitalização acompanha uma tendência nacional de tratar o patrimônio das facções como alvo estratégico.

Para funcionar, uma estrutura desse tipo depende da integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, sistema prisional, Ministério Público, Judiciário e órgãos federais. Crimes ligados a lavagem de dinheiro e movimentações interestaduais também exigem cooperação com Polícia Federal, Receita e instituições financeiras.

Afirmação sobre domínio territorial pode ser testada por dados e percepção local

A frase de que não existe uma rua ou bairro dominado por facções é uma afirmação política forte e pode ser avaliada sob diferentes critérios. O controle territorial não se resume à existência de pontos de tráfico. Normalmente envolve capacidade de impor regras, impedir entrada de forças públicas, controlar circulação, cobrar taxas ou substituir funções do Estado.

O fato de facções estarem presentes em determinada comunidade não significa necessariamente domínio territorial completo. Da mesma forma, a existência de patrulhamento policial não elimina automaticamente influência criminosa local.

Uma avaliação técnica precisa considerar indicadores de homicídios, confrontos, presença de barricadas, expulsão de moradores, ameaças a serviços públicos, domínio de comércio ilegal e capacidade das forças de segurança de entrar e permanecer nas áreas.

Presídios e lideranças criminosas

Ricardo afirmou também que líderes de facções estão presos em unidades estaduais ou federais, ou foragidos. Ele usou esse dado para sustentar a tese de que o Estado não permite atuação aberta das principais lideranças.

O sistema prisional é um ponto central dessa política porque organizações criminosas brasileiras historicamente mantêm comunicação e comando a partir de presídios. O isolamento de lideranças, bloqueio de comunicação e transferência para unidades de segurança reforçada são ferramentas utilizadas pelos governos.

Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a prisão de lideranças precisa ser acompanhada por investigação financeira e prevenção do recrutamento dentro das próprias unidades prisionais, sob risco de reorganização das facções.

Segurança domina início das sabatinas

Ricardo foi o primeiro candidato ao governo a participar da série de entrevistas organizada por A Gazeta e CBN Vitória. A segurança pública ocupou parcela relevante da conversa e deve continuar entre os temas mais disputados da campanha estadual.

A proposta da subsecretaria ainda precisa ser detalhada em aspectos como estrutura, orçamento, competências e relação com as secretarias existentes. A efetividade dependerá menos do nome do órgão e mais da capacidade de produzir integração real, dados confiáveis e operações coordenadas.

O debate eleitoral deverá permitir comparação com os planos dos demais candidatos, especialmente sobre prevenção, policiamento ostensivo, investigação, sistema prisional, combate à lavagem de dinheiro e políticas sociais em áreas vulneráveis.

Fontes consultadas: sabatina de A Gazeta e CBN Vitória e cobertura publicada por A Gazeta em 31 de agosto de 2026.

Fontes