Quaest põe Ricardo Ferraço na frente e com vantagem em todos os cenários de 2º turno no ES
Governador marca 35% no primeiro turno e aparece com 45% a 35% contra Lorenzo Pazolini; contra Helder Salomão, vantagem chega a 55% a 17%.

A primeira grande fotografia eleitoral do Espírito Santo depois do início oficial da campanha mostra Ricardo Ferraço (MDB) na liderança e com vantagem nos cenários de segundo turno testados pela Quaest. O governador aparece com 35% das intenções de voto no primeiro turno, contra 28% do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) e 10% do deputado federal Helder Salomão (PT).
No confronto direto mais competitivo, Ricardo registra 45% contra 35% de Pazolini. Em um segundo turno contra Helder, o governador alcança 55%, enquanto o petista marca 17%. A pesquisa, contratada pela TV Gazeta, ouviu 804 eleitores entre 23 e 26 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro estadual informado é ES-04444/2026.
Primeiro turno: liderança existe, mas corrida ainda tem espaço para mudança
No cenário estimulado para o governo, Ricardo soma 35%, Pazolini 28%, Helder 10%, Breno Barcelos 2% e Rafael Demuner 1%. A distância entre os dois primeiros é de sete pontos. Considerada a margem de erro, Ricardo pode oscilar entre 32% e 38%, enquanto Pazolini pode variar de 25% a 31%. Os intervalos não se sobrepõem no ponto central divulgado, o que dá ao governador uma vantagem estatística mais confortável do que aquela observada na disputa presidencial medida no mesmo Estado.
Mesmo assim, a eleição não está fechada. Pesquisas são retratos do momento, e a campanha ainda tem semanas de propaganda, debates, agendas regionais e exposição dos candidatos. Além disso, indecisos e eleitores que hoje optam por branco ou nulo continuam representando uma reserva eleitoral capaz de mexer na distância entre os concorrentes.
Segundo turno mostra o maior ativo de Ricardo
É nos confrontos diretos que a pesquisa entrega o dado politicamente mais forte para o governador. Contra Pazolini, Ricardo tem dez pontos de vantagem, 45% a 35%. Há ainda 10% de indecisos e 10% de branco, nulo ou não voto.
Contra Helder Salomão, a diferença é muito maior: 55% a 17%. Nesse cenário, 13% estão indecisos e 15% declaram branco, nulo ou ausência. A Quaest também testou um segundo turno sem Ricardo: Pazolini aparece com 53% contra 19% de Helder.
O conjunto desses cenários sugere que Helder enfrenta, neste momento, a maior dificuldade de expansão entre os três principais nomes. Ricardo e Pazolini, por sua vez, concentram a disputa mais competitiva e aparecem com capacidade maior de agregar voto quando o campo é reduzido a dois candidatos.
Ricardo assumiu o governo em abril e disputa agora o voto como titular
Ricardo Ferraço assumiu definitivamente o governo do Espírito Santo em 2 de abril de 2026, após Renato Casagrande deixar o cargo para disputar o Senado. O movimento mudou a natureza da candidatura do MDB: Ricardo deixou de ser apenas o sucessor político do grupo governista e passou a concorrer carregando diretamente o bônus e o ônus da administração estadual.
Segundo o Governo do Estado, sua gestão começou com foco declarado em segurança pública, saúde e educação. Esse período curto no comando do Palácio Anchieta transforma a campanha numa avaliação acelerada de continuidade. Para Ricardo, o desafio é converter a estrutura e a visibilidade do cargo em voto sem deixar que a eleição seja interpretada apenas como extensão do ciclo Casagrande. Para Pazolini, a estratégia natural é nacionalizar e municipalizar críticas ao governo, apresentando-se como alternativa de mudança.
Pazolini aparece como adversário mais competitivo
Os 28% de Pazolini no primeiro turno e os 35% no confronto direto contra Ricardo mostram que o ex-prefeito de Vitória ocupa uma posição distinta dos demais adversários. Ele está sete pontos atrás no primeiro turno, mas reduz parte da distância quando a disputa fica restrita aos dois.
Esse comportamento é importante porque indica que uma parcela do eleitorado que hoje escolhe candidatos menores, está indecisa ou votaria branco e nulo pode migrar para Pazolini num segundo turno. Ao mesmo tempo, o resultado de 45% de Ricardo mostra que o governador também amplia sua base e mantém vantagem.
Helder enfrenta rejeição e dificuldade de transferência
Outra divulgação da mesma rodada da Quaest coloca Helder Salomão com 34% de rejeição, Ricardo com 30% e Pazolini com 22%. Considerada a margem de erro, Helder e Ricardo aparecem tecnicamente empatados nesse indicador, mas o petista combina uma intenção de voto de apenas 10% no primeiro turno com desempenho de 17% contra Ricardo e 19% contra Pazolini nos cenários de segundo turno.
Isso sugere um teto eleitoral mais baixo neste momento. A campanha do PT terá de ampliar conhecimento, reduzir resistência e conectar sua candidatura estadual ao desempenho nacional de Lula se quiser romper a polarização local entre MDB e Republicanos.
A eleição começa a ganhar forma
A rodada da Quaest não encerra a disputa, mas organiza o tabuleiro. Ricardo Ferraço entra na reta decisiva na liderança e com vantagem em todos os segundos turnos em que foi testado. Pazolini é, pelos números atuais, o adversário mais próximo e o único que reduz a diferença a dez pontos no confronto direto. Helder precisa produzir uma mudança de patamar para entrar na disputa principal.
As próximas pesquisas vão mostrar se a liderança de Ricardo se consolida ou se a campanha encurta a distância. Por enquanto, o dado mais relevante é simples: o governador começa o período decisivo na frente e, hoje, venceria todos os confrontos diretos apresentados aos eleitores pela Quaest.
Foto: Senado Federal, via Wikimedia Commons. Uso permitido com atribuição.