Política ES · 2026-08-31 · Redação Notícia ES

Ricardo Ferraço mantém neutralidade presidencial e aposta em campanha estadualizada no ES

Governador evita declarar apoio na corrida ao Planalto e procura preservar alianças distintas no Espírito Santo; estratégia ficou explícita na sabatina de A Gazeta e CBN Vitória.

Ricardo Ferraço mantém neutralidade presidencial e aposta em campanha estadualizada no ES
Ricardo Ferraço mantém neutralidade presidencial e aposta em campanha estadualizada no ES

O governador do Espírito Santo e candidato à reeleição Ricardo Ferraço, do MDB, deixou claro nesta segunda-feira (31) que pretende manter distância da disputa presidencial ao longo da campanha estadual. Durante sabatina de A Gazeta e CBN Vitória, ele evitou declarar apoio a qualquer candidato ao Palácio do Planalto e insistiu que sua prioridade será discutir os problemas e projetos do Espírito Santo.

A postura vinha sendo desenhada desde o início do período eleitoral, mas ganhou contornos mais definidos na entrevista. Ricardo integra uma aliança estadual heterogênea, formada por partidos e lideranças que não caminham juntos na eleição presidencial. Ao evitar uma adesão nacional explícita, ele tenta preservar esse arranjo e manter o foco na própria candidatura.

O movimento tem lógica eleitoral. A disputa pelo governo capixaba reúne forças que dialogam com campos diferentes da política nacional, enquanto o eleitorado estadual também se divide entre candidatos presidenciais. Para Ricardo, nacionalizar a campanha poderia ampliar rejeições e criar tensões entre aliados que hoje compartilham o mesmo palanque estadual.

Uma campanha centrada no Espírito Santo

Na sabatina, o governador procurou reforçar uma narrativa de continuidade administrativa e apresentou temas ligados a segurança pública, infraestrutura, educação, saúde e desenvolvimento econômico. A escolha combina com a estratégia de reduzir a presença da eleição nacional em sua comunicação e transformar a disputa estadual em um julgamento sobre resultados, propostas e capacidade de gestão.

Essa linha não significa ausência de relações com Brasília. Governadores dependem de diálogo institucional com o governo federal, Congresso, bancos públicos e ministérios para obras, convênios e financiamentos. Ricardo tem defendido justamente a ideia de manter canais abertos independentemente de quem vença a eleição presidencial.

A estratégia também procura evitar que adversários definam a candidatura apenas pela proximidade com um dos polos nacionais. Em eleições polarizadas, a associação presidencial pode ajudar em determinados segmentos, mas também limitar a capacidade de conquistar eleitores que votam de maneira diferente nas disputas estadual e federal.

Aliança heterogênea exige equilíbrio

O MDB capixaba construiu uma coligação ampla e precisa administrar interesses distintos. Parte dos aliados tem relação com o campo de centro e centro-direita; outros mantêm interlocução com forças governistas em Brasília. Uma definição presidencial poderia produzir desconforto dentro da própria estrutura de campanha.

Ricardo tenta transformar essa diversidade em argumento favorável. A mensagem é a de que o governo estadual precisa conversar com todos e organizar uma maioria política em torno de temas locais. Adversários podem questionar a neutralidade e cobrar posicionamento sobre assuntos nacionais, sobretudo quando decisões de Brasília afetam diretamente o Espírito Santo.

Esse será um dos testes da estratégia. À medida que a campanha presidencial endurecer, crescerá a pressão para que candidatos a governador expressem preferências nacionais. Debates, entrevistas e agendas conjuntas também podem tornar mais difícil manter separadas as duas disputas.

Neutralidade não impede cobrança sobre temas nacionais

Mesmo evitando declarar voto, Ricardo continuará sendo confrontado com assuntos que dependem da União. Reforma tributária, segurança pública, infraestrutura federal, royalties, petróleo, ferrovias, portos e financiamento de investimentos são temas que atravessam os dois níveis de governo.

A diferença estará na forma de responder. A tendência apresentada até agora é avaliar cada pauta pelo impacto para o Espírito Santo, sem transformar a resposta em adesão a uma campanha presidencial. Esse modelo permite ao governador dialogar com eleitores de diferentes preferências nacionais, mas exige consistência para não parecer apenas uma tentativa de escapar de assuntos difíceis.

Estratégia será medida nas próximas semanas

A sabatina de segunda-feira consolidou uma escolha política: Ricardo quer ser julgado prioritariamente pela disputa estadual. A viabilidade dessa estratégia dependerá do comportamento dos adversários, da intensidade da polarização presidencial e da capacidade de manter unida uma coalizão diversa até o primeiro turno.

Também dependerá das pesquisas. Se a eleição estadual se aproximar de um cenário muito polarizado, candidatos podem buscar apoio explícito de presidenciáveis para mobilizar suas bases. Se o quadro permanecer mais fragmentado, a neutralidade pode funcionar como ferramenta para ampliar o eleitorado potencial.

Por enquanto, Ricardo mantém o discurso de que seu compromisso eleitoral é com o Espírito Santo e de que a relação com o futuro presidente deverá ser institucional. A escolha reduz riscos internos, mas não elimina a pressão por posicionamentos nacionais. A campanha mostrará até onde essa linha poderá ser sustentada.

Fontes consultadas: sabatina de A Gazeta e CBN Vitória em 31 de agosto de 2026 e análise política publicada por A Gazeta após a entrevista.

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