Ricardo Ferraço perde aliados para campanha de Pazolini
Mudanças de lado envolvem partidos da coligação governista e lideranças municipais após Pazolini abrir ampla vantagem no primeiro turno.

Partidos e lideranças que apoiaram Ricardo Ferraço (MDB) no primeiro turno passaram a se aproximar de Lorenzo Pazolini (Republicanos) na disputa pelo governo do Espírito Santo. O movimento ganhou novos episódios nesta quarta-feira (14), a dez dias da votação decisiva.
A coluna de Letícia Gonçalves em A Gazeta reuniu as mudanças e os conflitos que antecederam o afastamento de antigos aliados. A Folha de S.Paulo confirmou a reunião de Pazolini com os presidentes estaduais do PP e do União Brasil, enquanto o ES Hoje registrou a adesão do ex-prefeito de Ibatiba Luciano Pingo.
O rearranjo ocorre depois de Pazolini terminar o primeiro turno com 49,65% dos votos válidos, contra 34,06% de Ricardo. O resultado colocou o republicano perto de vencer sem segundo turno e alterou o cálculo de partidos e lideranças que integravam ou orbitavam a base governista.
Partidos redesenham alianças estaduais
União Brasil e Podemos, integrantes da coligação de Ricardo, tiveram comandos nacionais favoráveis a Pazolini no segundo turno. As decisões abriram divergências dentro das estruturas estaduais. No Podemos, por exemplo, o presidente regional Gilson Daniel declarou inicialmente que continuaria apoiando Ricardo, apesar da posição anunciada pela direção nacional.
No caso do PP, não houve mudança partidária oficial registrada nas fontes consultadas. Mesmo assim, o presidente estadual da sigla, deputado federal Da Vitória, apareceu ao lado de Pazolini e de Marcelo Santos, que dirige o União Brasil no Espírito Santo, durante um café organizado pelo presidente estadual do Republicanos, Erick Musso.
A imagem teve peso político porque o PP indicou Camillo Neves para vice na chapa de Ricardo. Da Vitória e Marcelo Santos estavam formalmente ligados à coligação governista quando participaram do encontro. Os dois não haviam apresentado, naquele momento, uma declaração individual explícita de rompimento.
A Gazeta relacionou o distanciamento a atritos acumulados durante o primeiro turno. Entre os pontos citados estão queixas de lideranças sobre a distribuição de apoio a candidaturas proporcionais e divergências com o grupo do ex-governador Renato Casagrande (PSB), principal aliado de Ricardo.
Votação amplia pressão política
O deslocamento também alcançou lideranças municipais. Em Vila Velha, os vereadores Renzo Mendes (Podemos), Anadelso Pereira (PSDB) e Carol Caldeira (DC) aderiram à campanha de Pazolini. Os três haviam disputado cargos legislativos no primeiro turno e pertencem a partidos ou grupos com trajetórias distintas na política local.
Luciano Pingo, ex-prefeito de Ibatiba e filiado ao Agir, anunciou apoio a Pazolini na quarta-feira. Ele esteve com Ricardo na primeira etapa da eleição e justificou a troca como uma opção pela vontade majoritária demonstrada nas urnas. O apoio também foi confirmado pelo ES Hoje.
Nem toda ausência pública equivale a rompimento. O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), trabalhou pela reeleição de Ricardo no primeiro turno, mas ainda não havia feito manifestação equivalente na segunda etapa. O silêncio político, por si só, não permite afirmar que ele passou a apoiar o adversário.
As mudanças mostram a disputa por posição em torno do candidato que saiu na frente, mas não permitem atribuir uma única motivação a todos os envolvidos. Diretrizes partidárias nacionais, conflitos locais, resultados de candidatos proporcionais e expectativas sobre o próximo governo aparecem combinados no processo.
Para Ricardo, o desafio é impedir que as adesões produzam percepção de isolamento e reconstruir uma rede que sustentou sua candidatura no primeiro turno. Para Pazolini, o ganho depende de transformar fotografias, declarações e decisões partidárias em apoio efetivo nas ruas e nas urnas.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Até lá, novas adesões podem alterar o ambiente da campanha, mas o resultado continuará definido pelo eleitor. A vantagem do primeiro turno explica a pressão sobre as alianças; não substitui a votação final.
Em resumo
Dirigentes do União Brasil e do PP apareceram com Pazolini, enquanto lideranças municipais e o ex-prefeito Luciano Pingo anunciaram apoio ao republicano.
Sim. As duas siglas integravam a coligação de Ricardo, mas seus comandos nacionais se posicionaram por Pazolini no segundo turno.
Não havia mudança partidária oficial nas fontes consultadas, embora o presidente estadual do PP tenha se reunido publicamente com Pazolini.
Pazolini obteve 49,65% dos votos válidos, e Ricardo Ferraço ficou com 34,06%.
A votação que definirá o governo do Espírito Santo está marcada para 25 de outubro de 2026.