Roaming obrigatório promete dobrar cobertura móvel nas rodovias
Plano prevê compartilhamento de redes entre operadoras e expansão do sinal nas estradas federais de 27,2 mil para 57,1 mil quilômetros até 2030.

O governo federal anunciou um plano para mais que dobrar a cobertura de telefonia móvel nas rodovias federais até 2030. A proposta combina roaming obrigatório entre operadoras, novas antenas e compromissos regulatórios para ampliar o sinal dos atuais 27,2 mil para 57,1 mil quilômetros de estradas.
A medida foi noticiada pela Veja nesta sexta-feira (16) e detalhada pela publicação especializada Teletime, que acompanhou o lançamento da Política Nacional de Conectividade em Rodovias. O compartilhamento de redes deverá responder por 13,1 mil quilômetros da expansão prevista nas vias federais.
Na prática, o celular poderá se conectar à rede de outra empresa quando a operadora contratada pelo usuário não tiver sinal naquele trecho. A mudança busca reduzir áreas de sombra sem obrigar cada companhia a instalar infraestrutura própria em todos os mesmos pontos.
Como funcionará o roaming
O roaming nacional permite que uma operadora utilize a rede instalada por outra para atender seu cliente. O número e o plano permanecem vinculados à empresa de origem, enquanto a conexão é feita pela antena disponível no local. A troca entre as redes tende a ocorrer automaticamente, sem que o motorista precise alterar configurações no aparelho.
O mecanismo não cria sinal onde nenhuma operadora está presente. Trechos totalmente descobertos continuarão dependendo da instalação de torres, estações rádio base, energia e conexão de transporte de dados. Por isso, o plano reúne compartilhamento de rede e investimentos vinculados a leilões de frequência, concessões rodoviárias e obrigações impostas pela Agência Nacional de Telecomunicações.
Segundo o anúncio, as redes nas estradas deverão oferecer 4G e 5G. As companhias acertarão entre si a remuneração pelo uso das estruturas, sem compensação direta do governo. Para o consumidor, cobranças e limites continuarão submetidos ao contrato mantido com a operadora de origem e às regras que ainda serão consolidadas.
A utilidade vai além do acesso a redes sociais. Cobertura contínua melhora o uso de mapas, a comunicação de acidentes, a solicitação de socorro e o acompanhamento de interdições. Também pode apoiar a logística de cargas, os sistemas de pedágio e o monitoramento de veículos em viagens longas.
Metas dependem de infraestrutura
A maior parte do avanço está projetada para 2027. O governo espera acrescentar sinal a mais de 16 mil quilômetros de rodovias federais e usar roaming em cerca de 42 mil quilômetros de vias estaduais. A BR-101 aparece como prioridade para cobertura integral no próximo ano, uma meta especialmente relevante para o Espírito Santo.
Também estão entre as rotas prioritárias as BRs 116, 135, 163, 242 e 364. Ao final do plano, os 57,1 mil quilômetros conectados deverão corresponder a aproximadamente 77% da malha federal. Os trechos restantes seriam reavaliados depois da conclusão dessa etapa.
Parte da expansão virá de compromissos anteriores: 6,4 mil quilômetros ligados ao leilão da faixa de 700 MHz, 4,3 mil decorrentes da adaptação de uma concessão de telefonia fixa, 988 quilômetros de obrigações regulatórias e 1,2 mil previstos em contratos de concessão de rodovias. O Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações também poderá financiar projetos, com linhas específicas esperadas para 2027.
O cronograma ainda depende de regulamentação, planos técnicos e execução pelas empresas. A apresentação de metas não significa que o roaming já esteja ativo em todas as estradas. Operadoras, concessionárias e órgãos reguladores precisarão definir padrões, responsabilidades e prazos para cada trecho.
Se a implementação seguir o calendário, a política pode reduzir uma deficiência antiga das viagens rodoviárias brasileiras: a perda completa de comunicação em áreas remotas. O resultado será medido menos pelo anúncio nacional e mais pela capacidade de entregar sinal estável, inclusive nos pontos em que hoje não existe rede de empresa alguma.
Em resumo
O aparelho poderá usar a rede de outra operadora quando a empresa contratada não tiver cobertura naquele trecho.
O plano pretende ampliar a cobertura de 27,2 mil para 57,1 mil quilômetros de rodovias federais até 2030.
Não. Ele funciona apenas onde ao menos uma operadora possui rede; áreas totalmente descobertas exigirão novas antenas e infraestrutura.
A BR-101 deverá ter cobertura integral em 2027, e as BRs 116, 135, 163, 242 e 364 também aparecem entre as prioridades.
Não. A política ainda depende de regulamentação, planos técnicos e execução gradual pelas operadoras e concessionárias.