Tecnologia · 2026-10-16 · Redação Notícia ES

Roaming obrigatório promete dobrar cobertura móvel nas rodovias

Plano prevê compartilhamento de redes entre operadoras e expansão do sinal nas estradas federais de 27,2 mil para 57,1 mil quilômetros até 2030.

Roaming obrigatório promete dobrar cobertura móvel nas rodovias
Roaming obrigatório promete dobrar cobertura móvel nas rodovias

O governo federal anunciou um plano para mais que dobrar a cobertura de telefonia móvel nas rodovias federais até 2030. A proposta combina roaming obrigatório entre operadoras, novas antenas e compromissos regulatórios para ampliar o sinal dos atuais 27,2 mil para 57,1 mil quilômetros de estradas.

A medida foi noticiada pela Veja nesta sexta-feira (16) e detalhada pela publicação especializada Teletime, que acompanhou o lançamento da Política Nacional de Conectividade em Rodovias. O compartilhamento de redes deverá responder por 13,1 mil quilômetros da expansão prevista nas vias federais.

Na prática, o celular poderá se conectar à rede de outra empresa quando a operadora contratada pelo usuário não tiver sinal naquele trecho. A mudança busca reduzir áreas de sombra sem obrigar cada companhia a instalar infraestrutura própria em todos os mesmos pontos.

Como funcionará o roaming

O roaming nacional permite que uma operadora utilize a rede instalada por outra para atender seu cliente. O número e o plano permanecem vinculados à empresa de origem, enquanto a conexão é feita pela antena disponível no local. A troca entre as redes tende a ocorrer automaticamente, sem que o motorista precise alterar configurações no aparelho.

O mecanismo não cria sinal onde nenhuma operadora está presente. Trechos totalmente descobertos continuarão dependendo da instalação de torres, estações rádio base, energia e conexão de transporte de dados. Por isso, o plano reúne compartilhamento de rede e investimentos vinculados a leilões de frequência, concessões rodoviárias e obrigações impostas pela Agência Nacional de Telecomunicações.

Segundo o anúncio, as redes nas estradas deverão oferecer 4G e 5G. As companhias acertarão entre si a remuneração pelo uso das estruturas, sem compensação direta do governo. Para o consumidor, cobranças e limites continuarão submetidos ao contrato mantido com a operadora de origem e às regras que ainda serão consolidadas.

A utilidade vai além do acesso a redes sociais. Cobertura contínua melhora o uso de mapas, a comunicação de acidentes, a solicitação de socorro e o acompanhamento de interdições. Também pode apoiar a logística de cargas, os sistemas de pedágio e o monitoramento de veículos em viagens longas.

Metas dependem de infraestrutura

A maior parte do avanço está projetada para 2027. O governo espera acrescentar sinal a mais de 16 mil quilômetros de rodovias federais e usar roaming em cerca de 42 mil quilômetros de vias estaduais. A BR-101 aparece como prioridade para cobertura integral no próximo ano, uma meta especialmente relevante para o Espírito Santo.

Também estão entre as rotas prioritárias as BRs 116, 135, 163, 242 e 364. Ao final do plano, os 57,1 mil quilômetros conectados deverão corresponder a aproximadamente 77% da malha federal. Os trechos restantes seriam reavaliados depois da conclusão dessa etapa.

Parte da expansão virá de compromissos anteriores: 6,4 mil quilômetros ligados ao leilão da faixa de 700 MHz, 4,3 mil decorrentes da adaptação de uma concessão de telefonia fixa, 988 quilômetros de obrigações regulatórias e 1,2 mil previstos em contratos de concessão de rodovias. O Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações também poderá financiar projetos, com linhas específicas esperadas para 2027.

O cronograma ainda depende de regulamentação, planos técnicos e execução pelas empresas. A apresentação de metas não significa que o roaming já esteja ativo em todas as estradas. Operadoras, concessionárias e órgãos reguladores precisarão definir padrões, responsabilidades e prazos para cada trecho.

Se a implementação seguir o calendário, a política pode reduzir uma deficiência antiga das viagens rodoviárias brasileiras: a perda completa de comunicação em áreas remotas. O resultado será medido menos pelo anúncio nacional e mais pela capacidade de entregar sinal estável, inclusive nos pontos em que hoje não existe rede de empresa alguma.

Em resumo

O que muda para o celular nas rodovias?

O aparelho poderá usar a rede de outra operadora quando a empresa contratada não tiver cobertura naquele trecho.

Qual é a meta de cobertura federal?

O plano pretende ampliar a cobertura de 27,2 mil para 57,1 mil quilômetros de rodovias federais até 2030.

O roaming resolve todo trecho sem sinal?

Não. Ele funciona apenas onde ao menos uma operadora possui rede; áreas totalmente descobertas exigirão novas antenas e infraestrutura.

Quais estradas são prioritárias?

A BR-101 deverá ter cobertura integral em 2027, e as BRs 116, 135, 163, 242 e 364 também aparecem entre as prioridades.

O serviço já está disponível em todas as estradas?

Não. A política ainda depende de regulamentação, planos técnicos e execução gradual pelas operadoras e concessionárias.

Fontes