Economia · 2026-09-23 · Redação Notícia ES

Rochas do ES buscam novos mercados na Marmomac sob pressão de tarifas

Empresas capixabas ampliam presença na feira de Verona para reduzir a dependência dos Estados Unidos e abrir clientes na Europa, Ásia e Oriente Médio.

Rochas do ES buscam novos mercados na Marmomac sob pressão de tarifas
Abertura do pavilhão brasileiro na Marmomac 2026, em Verona, na Itália. Foto: Abdo Filho/A Gazeta.

Empresas brasileiras de rochas ornamentais, com forte participação do Espírito Santo, ampliaram sua presença na Marmomac 2026, aberta na terça-feira (22) em Verona, na Itália, para buscar clientes fora dos Estados Unidos e reduzir a exposição do setor às tarifas norte-americanas. A 60ª edição da feira segue até sexta-feira (25) e reúne toda a cadeia da pedra natural, de pedreiras e beneficiamento a máquinas, ferramentas, arquitetura e design.

A estratégia tem peso direto na economia capixaba. Segundo dados reunidos por A Gazeta, o Espírito Santo responde por aproximadamente 80% da indústria brasileira de rochas, segmento que movimenta mais de R$ 15 bilhões por ano e mantém cerca de 30 mil empregos. A concentração é ainda mais relevante no Sul do Estado, onde extração, beneficiamento, transporte e exportação formam uma cadeia extensa de fornecedores e trabalhadores.

A pressão veio do mercado que paga por boa parte do produto de maior valor agregado. Em 2025, o Brasil exportou o recorde de US$ 1,48 bilhão em rochas; os Estados Unidos absorveram US$ 795 milhões desse total. A participação norte-americana ajuda a explicar por que mudanças tarifárias têm efeito imediato sobre margens, pedidos e planejamento das empresas capixabas.

Pavilhão brasileiro vira vitrine para diversificação

O Brasil é o único país com pavilhão exclusivo na Marmomac e mantém, desde 2025, cerca de 5 mil metros quadrados dedicados a materiais e empresas nacionais. A feira estima receber aproximadamente 66 mil visitantes de 140 países, público que inclui compradores, distribuidores, arquitetos, designers e fabricantes de equipamentos. É justamente esse alcance que o setor pretende transformar em novas portas de entrada.

O site oficial da Marmomac define o encontro como o principal evento global de toda a cadeia da pedra natural. A programação e a exposição combinam negócios, tecnologia e especificação de materiais, o que permite ao exportador apresentar não apenas a chapa bruta, mas também acabamento, aplicação, rastreabilidade e soluções de projeto capazes de elevar o valor da venda.

O presidente do Centrorochas, Tales Machado, disse a A Gazeta que a indústria continuará trabalhando para preservar o mercado dos Estados Unidos, inclusive por meio de diplomacia empresarial, mas manterá uma agenda paralela de diversificação. Entre as frentes citadas estão a renovação da parceria com a ApexBrasil e rodadas de negócios direcionadas a China, Austrália e Polônia.

Europa, Ásia e países árabes entram no radar

A localização da feira favorece o contato com compradores europeus, asiáticos e árabes. Para a indústria, ampliar a carteira não significa substituir imediatamente o cliente norte-americano, e sim reduzir o risco de depender de um único destino. Um portfólio mais distribuído pode amortecer oscilações cambiais, barreiras comerciais ou quedas de demanda em um mercado específico.

A diretora da Marmomac no Brasil, Flávia Milaneze, relatou maior interesse dos empresários na edição de Verona e em ações voltadas à Ásia. O movimento reforça uma mudança de postura: em vez de reagir apenas quando uma tarifa entra em vigor, as empresas passam a investir com antecedência em relacionamento comercial, presença física e adaptação de produtos a padrões de outros compradores.

O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Paulo Baraona, também avaliou que os Estados Unidos continuarão relevantes, mas que a diversificação é estratégica. Na prática, novos mercados exigem mais do que participação em feira. Empresas precisam conhecer normas técnicas, custos logísticos, preferências de arquitetura, canais de distribuição e condições de pagamento de cada destino.

Resultado será medido depois da feira

O acordo entre Mercosul e União Europeia aparece entre as oportunidades observadas pelo setor, mas seus efeitos dependerão da implementação das regras e da capacidade de transformar acesso comercial em contratos. A indústria também terá de acompanhar fretes, câmbio e certificações para saber se as novas rotas serão competitivas diante do mercado norte-americano já consolidado.

Para o Espírito Santo, a diversificação tem consequência que vai além do valor exportado. Uma carteira mais ampla ajuda a estabilizar a produção das fábricas, a demanda por transporte e a ocupação em municípios que dependem da cadeia de rochas. Ao mesmo tempo, a busca por produtos de maior valor agregado pressiona empresas a investir em tecnologia, design, qualidade e apresentação internacional.

Os resultados da Marmomac não serão conhecidos no encerramento da exposição. Contatos feitos em Verona ainda precisam avançar para amostras, negociação de preço, validação técnica, logística e contrato. As rodadas previstas para outros países funcionarão como continuidade desse trabalho e indicarão se o interesse observado na feira se converte em vendas.

A aposta capixaba, portanto, combina defesa e expansão: manter o maior comprador, negociar os efeitos das tarifas e construir alternativas. A feira de Verona oferece a vitrine, mas a medida decisiva será a participação de novos destinos nas exportações dos próximos meses. Para uma cadeia que sustenta milhares de empregos no Estado, diminuir a concentração de risco virou parte da estratégia de crescimento.

Em resumo

Por que a Marmomac é importante para a economia do Espírito Santo?

O Estado concentra cerca de 80% da indústria brasileira de rochas ornamentais, atividade que movimenta mais de R$ 15 bilhões por ano e emprega aproximadamente 30 mil pessoas, segundo dados reunidos por A Gazeta.

Quando ocorre a Marmomac 2026?

A 60ª edição da feira ocorre de 22 a 25 de setembro de 2026, em Verona, na Itália, conforme o calendário oficial do evento.

Qual é o objetivo das empresas brasileiras na feira?

O setor quer preservar negócios com os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, ampliar vendas para compradores europeus, asiáticos, árabes e de outros mercados.

Quanto o Brasil exportou em rochas em 2025?

As exportações brasileiras do setor alcançaram o recorde de US$ 1,48 bilhão em 2025; desse total, US$ 795 milhões tiveram os Estados Unidos como destino, de acordo com A Gazeta.

O Brasil tem espaço próprio na Marmomac?

Sim. O país é o único com pavilhão exclusivo e, desde 2025, dispõe de cerca de 5 mil metros quadrados para apresentar materiais e empresas brasileiras.

Quais são os próximos passos da estratégia de diversificação?

O setor prevê renovar a parceria com a ApexBrasil, realizar rodadas de negócios voltadas a China, Austrália e Polônia e avaliar oportunidades ligadas ao acordo entre Mercosul e União Europeia.

Fontes