Rejeição acende alerta no Senado: Rose chega a 48% e Contarato a 36% no ES
Quaest mostra resistência elevada aos dois nomes enquanto a segunda vaga segue aberta; leitura exige combinar rejeição, conhecimento e potencial de voto.

A corrida pelas duas vagas do Espírito Santo no Senado ganhou um indicador capaz de mudar a estratégia das campanhas. Pesquisa Quaest divulgada em 27 de agosto mostra Rose de Freitas (MDB) com 48% de rejeição e Fabiano Contarato (PT) com 36%. São os maiores percentuais entre os 11 candidatos registrados, num momento em que a disputa pela segunda cadeira permanece pulverizada.
O levantamento foi contratado pela TV Gazeta, ouviu 804 eleitores presencialmente entre 23 e 26 de agosto e tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral é ES-04444/2026.
O dado mais duro é o de Rose: 48% disseram que não votariam nela de jeito nenhum. Outros 27% afirmaram que poderiam votar na ex-senadora e 25% disseram não conhecê-la. No caso de Contarato, 36% descartam o voto, 24% admitem escolhê-lo e 40% dizem não conhecer o senador.
Rejeição alta entra numa disputa já congestionada
O efeito político desses números aparece quando eles são colocados ao lado da intenção de voto. Na mesma rodada da Quaest, Renato Casagrande (PSB) lidera o cenário consolidado para o Senado com 28%. Sérgio Meneguelli (PSD) tem 10%, Contarato e Rose aparecem com 9% cada, Maguinha Malta (PL) marca 6%, Evair de Melo (Republicanos) 5% e Marcos do Val (Avante) 4%.
Como o Espírito Santo elegerá dois senadores em 2026, cada eleitor pode escolher dois nomes. Isso torna a corrida diferente de uma eleição para governador ou presidente. Um candidato pode não ser a primeira preferência e ainda assim crescer como segundo voto. Da mesma forma, uma rejeição elevada pode dificultar a expansão justamente entre eleitores que ainda procuram o segundo nome da chapa.
A CNN Brasil classificou seis candidatos, de Meneguelli a Marcos do Val, como tecnicamente empatados na faixa da segunda vaga quando considerada a margem de erro. Nesse ambiente, poucos pontos podem alterar a ordem nominal.
Rose combina alto conhecimento com resistência elevada
Rose de Freitas tem uma longa trajetória na política capixaba e nacional. O percentual de apenas 25% que diz não conhecê-la mostra que seu nome já chegou a grande parte do eleitorado. Esse conhecimento, porém, vem acompanhado de uma barreira expressiva: quase metade dos entrevistados declara que não votaria nela.
É uma equação eleitoral delicada. Candidatos pouco conhecidos podem crescer à medida que ganham exposição. Para um nome amplamente conhecido, reduzir rejeição costuma exigir convencer eleitores que já formaram uma opinião negativa.
Isso não significa que 48% de rejeição determine o resultado. Pesquisa é fotografia de um período, e rejeição não é voto apurado. O indicador serve para medir resistência declarada naquele momento e precisa ser lido junto de intenção, potencial de voto, conhecimento e evolução das próximas rodadas.
Contarato tem rejeição menor, mas desconhecimento maior
Fabiano Contarato apresenta um quadro diferente. A rejeição de 36% é 12 pontos menor que a de Rose, mas 40% dos entrevistados dizem não conhecê-lo. Para um senador em exercício, esse percentual revela um desafio de reconhecimento eleitoral no próprio Estado.
Ao mesmo tempo, 24% dizem que poderiam votar nele. A campanha, portanto, tem duas tarefas simultâneas: ampliar conhecimento e evitar que a exposição adicional aumente a rejeição.
Contarato e Rose aparecem empatados numericamente com 9% na intenção de voto consolidada. A semelhança termina aí. Os dados de conhecimento e rejeição indicam pontos de partida distintos para as campanhas.
Um segundo bloco também enfrenta resistência
A Quaest registrou 29% de rejeição para Maguinha Malta e Renato Casagrande, 28% para Marcos do Val e 27% para Sérgio Meneguelli. Esses quatro percentuais estão próximos dentro da margem de erro do levantamento.
Casagrande ocupa uma posição particular: lidera a intenção de voto com ampla vantagem e, ao mesmo tempo, tem rejeição de 29%. Isso ilustra por que rejeição não deve ser transformada automaticamente em previsão eleitoral. Um candidato pode concentrar resistência e ainda liderar porque possui uma base de voto maior.
O que a pesquisa permite afirmar
A conclusão segura é que Rose e Contarato enfrentam hoje as maiores resistências declaradas entre os candidatos ao Senado testados pela Quaest. Não é correto concluir, apenas a partir desse indicador, que estejam fora da disputa. Ambos aparecem com 9% na intenção de voto, dentro de um pelotão congestionado pela segunda vaga.
Também não é metodologicamente adequado comparar de forma direta os percentuais atuais com pesquisas anteriores que testavam listas diferentes de possíveis candidatos. A própria publicação de A Gazeta ressalta que esta rodada é a primeira após o registro das candidaturas e trabalha com os nomes que efetivamente estarão na urna.
A campanha começa a ser também uma batalha contra o veto
Com a primeira vaga hoje dominada numericamente por Casagrande e a segunda ainda aberta, as campanhas entram numa fase em que conquistar voto pode não bastar. Para alguns candidatos, será necessário reduzir o número de eleitores que fecham a porta antes mesmo de ouvir a proposta.
As próximas rodadas mostrarão se a propaganda eleitoral e a exposição dos candidatos diminuem ou ampliam essas resistências. Na fotografia de 27 de agosto, Rose e Contarato carregam o maior peso. E numa disputa em que a segunda cadeira pode ser decidida por poucos pontos, rejeição deixa de ser dado lateral e passa a integrar o centro da estratégia.
Foto: José Cruz/Agência Brasil, via Wikimedia Commons. Plenário do Senado Federal. Licença livre conforme a página do arquivo.