Rose declara voto em Caiado e adia escolha entre Lula e Flávio no 2º turno
Candidata do MDB ao Senado pelo Espírito Santo apoia Ronaldo Caiado no primeiro turno, mas diz que ainda avaliará eventual disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

A candidata do MDB ao Senado pelo Espírito Santo, Rose de Freitas, declarou que pretende votar em Ronaldo Caiado, do PSD, para presidente no primeiro turno das eleições de 4 de outubro. A manifestação foi feita na quinta-feira, 17 de setembro, durante sabatina promovida por A Gazeta e CBN Vitória. Questionada sobre um eventual segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, a ex-senadora afirmou que não votará em branco nem anulará, mas deixou a escolha para depois.
A posição é individual. O MDB decidiu permanecer neutro na disputa presidencial e liberou seus filiados para apoiar candidatos diferentes. Rose explicou que se identifica com o centro político e justificou o apoio a Caiado pela avaliação que faz das propostas e da postura do candidato. A declaração não vincula o diretório estadual nem os demais integrantes da coligação que sustenta sua candidatura ao Senado.
Na sabatina, Rose rejeitou antecipar como se comportaria se Lula e Flávio avançassem à etapa final. Ela disse que tem direito de refletir antes de tomar essa decisão e ressaltou que exercerá o voto. A resposta delimita duas posições verificáveis: Caiado é sua opção atual no primeiro turno; uma escolha entre os dois nomes que lideram parte das pesquisas nacionais ainda não foi anunciada.
Apoio presidencial não reorganiza sozinho a disputa capixaba
O movimento ocorre numa eleição em que o Espírito Santo escolherá dois senadores. Rose concorre pelo MDB, enquanto o PSD, partido de Caiado, lançou Sérgio Meneguelli ao Senado sem integrar a coligação da ex-senadora. Assim, o apoio presidencial não significa uma aliança formal entre as duas candidaturas capixabas. No sistema majoritário para o Senado, cada eleitor terá dois votos e os dois candidatos mais votados serão eleitos.
A separação entre alianças estaduais e nacionais é permitida pela estrutura partidária brasileira. Uma legenda pode adotar neutralidade na corrida ao Planalto e, ao mesmo tempo, participar de coligações estaduais. Filiados também podem declarar preferências pessoais, desde que respeitem decisões e regras internas. Para o eleitor, a distinção é importante porque o voto presidencial de Rose não altera seu número, sua chapa de suplentes ou a composição formal apresentada à Justiça Eleitoral.
Rose tem uma trajetória longa na política capixaba e já exerceu mandatos na Câmara dos Deputados e no Senado. Em 2026, tenta retornar à Casa em um campo concorrido. A ficha de candidatura e a relação oficial organizada pela Agência Senado permitem conferir partido, situação do registro e dados da chapa. Essas informações cadastrais devem ser separadas das declarações políticas feitas em entrevistas.
Centro político e autonomia viram mensagem de campanha
Ao se definir como uma pessoa de centro, Rose buscou justificar tanto o voto em Caiado quanto a recusa de escolher imediatamente entre Lula e Flávio. Ela mencionou sua defesa da democracia e sua experiência durante o regime militar. A candidata também criticou a ideia de que apenas um partido teria os melhores quadros, argumento usado para sustentar uma escolha fora da legenda de Lula e do PL.
O apoio a um presidenciável pode ajudar a candidatura ao Senado a dialogar com parte do eleitorado, mas também produz cobrança por coerência. Caiado apresenta uma agenda de direita na segurança pública, na economia e na relação com o Supremo Tribunal Federal. Rose terá de explicar em quais pontos acompanha o candidato e em quais preserva posições próprias. O conteúdo integral da sabatina é a referência mais segura para essa comparação, pois evita transformar uma frase em alinhamento automático sobre todos os temas.
Também é necessário tratar o segundo turno como hipótese. A definição dependerá dos votos válidos de 4 de outubro. Se nenhum candidato à Presidência alcançar maioria absoluta, os dois mais votados disputarão nova votação em 25 de outubro. Até lá, declarações de apoio podem mudar conforme alianças, resultados estaduais e decisões partidárias.
Próximos passos
A campanha de Rose deverá mostrar se o apoio a Caiado aparecerá em materiais, atos públicos ou apenas como preferência pessoal. O PSD capixaba, por sua vez, mantém candidatura própria ao Senado, o que limita leituras de uma composição estadual. Qualquer mudança formal precisa ser comunicada pelos partidos e refletida nos registros eleitorais quando exigido.
Para o eleitor, o ponto objetivo é acompanhar três planos distintos: o voto pessoal da candidata para presidente, as alianças registradas no Espírito Santo e as propostas que Rose pretende defender no Senado. A entrevista tornou a primeira escolha conhecida, mas deixou a segunda etapa em aberto. Se houver um confronto entre Lula e Flávio, a ex-senadora terá de decidir antes da votação — e será cobrada para explicar como sua decisão se relaciona com o discurso de centro apresentado na campanha.
Em resumo
Ela declarou voto em Ronaldo Caiado, do PSD, no primeiro turno.
Não. Disse que não anulará nem votará em branco, mas que ainda vai refletir.
Não. O MDB adotou neutralidade nacional e liberou os filiados para manifestarem preferências.
Ela é candidata ao Senado pelo Espírito Santo.
Não. O PSD lançou Sérgio Meneguelli ao Senado em candidatura independente.
Serão eleitos dois senadores, e cada eleitor poderá votar em dois nomes diferentes.