Rússia prevê exportar até 3,5 milhões de toneladas de diesel
O governo russo afirma que poderá elevar as exportações mensais de diesel para até 3,5 milhões de toneladas até o fim de 2026, acima dos volumes anunciados por Donald Trump.

A Rússia poderá exportar entre 3 milhões e 3,5 milhões de toneladas de diesel por mês até o fim de 2026, segundo o vice-primeiro-ministro Alexander Novak. A projeção foi divulgada nesta segunda-feira (12) e supera os volumes apresentados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao anunciar um acordo para ampliar a oferta mundial do combustível.
A CNN Brasil publicou a declaração de Novak com base em informações da Reuters. Em reportagem própria, a agência confirmou os números, a suspensão temporária de sanções americanas ao diesel russo e a afirmação de Trump de que Moscou forneceria imediatamente mais de 300 mil toneladas aos mercados dos Estados Unidos e de outros países.
Meta russa supera anúncio americano
O cálculo apresentado por Novak indica uma capacidade mensal bem maior do que os primeiros carregamentos detalhados por Trump. Além das 300 mil toneladas imediatas, o presidente americano mencionou mais 500 mil toneladas em novembro e 1 milhão de toneladas depois, sem especificar todo o cronograma. A projeção russa, por sua vez, descreve um ritmo mensal que retomaria níveis anteriores à crise das refinarias.
As exportações russas de diesel caíram após ataques ucranianos contra instalações de petróleo e restrições adotadas pelo próprio governo de Vladimir Putin. Antes da série de ataques de 2024 e 2025, o país vendia ao exterior mais de 3 milhões de toneladas por mês. Mesmo durante a limitação, Moscou manteve fornecimentos a países da Ásia Central por acordos entre governos.
Novak disse que a Rússia teria condições de recuperar esse patamar até dezembro. O número, contudo, representa uma capacidade anunciada, não um volume já contratado ou entregue. O resultado dependerá da produção das refinarias, da logística dos embarques e das regras comerciais aplicáveis a compradores do combustível russo.
Acordo afeta mercado global
O governo Trump suspendeu temporariamente sanções que buscavam reduzir a receita obtida por Moscou com combustíveis. A Casa Branca apresenta a medida como tentativa de aumentar a oferta, conter a alta do diesel e aproximar a Rússia de novas negociações sobre a guerra na Ucrânia. Parlamentares americanos e o governo ucraniano criticaram o acordo por entender que ele devolve recursos ao Kremlin sem uma concessão equivalente.
A pressão sobre os preços tem peso econômico e político. O diesel abastece caminhões, máquinas agrícolas e sistemas de aquecimento, e sua alta alcança custos de transporte e de produção. Nos Estados Unidos, o tema ganhou importância adicional antes das eleições legislativas de 3 de novembro, quando o controle do Congresso estará em disputa.
Segundo Novak, o retorno do combustível russo já teria ajudado a reduzir as cotações internacionais do diesel entre 5% e 6%. A afirmação foi feita pelo próprio representante de Moscou e ainda depende da evolução do mercado. Preços de energia reagem também a estoques, capacidade de refino, rotas marítimas, guerras e expectativas sobre sanções.
Os anúncios deixam duas medidas diferentes em observação: os embarques específicos prometidos por Trump e a capacidade mensal projetada pela Rússia. A comparação entre elas só ficará completa quando houver dados de exportação, destinos e entregas efetivas. Até lá, a cifra de 3,5 milhões de toneladas deve ser tratada como uma meta oficial russa, e não como garantia de oferta já disponível.