Saques reduzem saldo das bets em R$ 652 milhões
Usuários ainda têm R$ 1,45 bilhão a retirar; prazo para solicitar o saque termina às 23h59 de segunda-feira, 5 de outubro.

O saldo mantido por usuários em plataformas de apostas caiu R$ 652,6 milhões desde 26 de setembro, após a medida provisória que proibiu as bets no país. O valor recuou de aproximadamente R$ 2,1 bilhões para R$ 1,453 bilhão, redução de 31%.
A Agência Brasil publicou o balanço nesta sexta-feira (2), com dados apresentados pelos ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. O UOL confirmou os valores, o número de usuários e o calendário de restituição.
O montante ainda disponível pertence a cerca de 28,65 milhões de CPFs. Segundo o governo, os usuários devem solicitar a retirada até as 23h59 de segunda-feira, 5 de outubro, último dia previsto para funcionamento dos sites e aplicativos alcançados pela proibição.
Antes da medida, as plataformas movimentavam mais de R$ 600 milhões por dia. Durigan afirmou que esse fluxo foi praticamente interrompido, mas a paralisação das novas apostas não elimina a obrigação de devolver o dinheiro já depositado pelos clientes.
Prazo termina na segunda-feira
Quem possui saldo deve acessar a conta na plataforma e pedir o saque dentro do prazo. A solicitação direta é a primeira etapa do cronograma e reduz a necessidade de transferência posterior das informações para bancos ou para a Caixa Econômica Federal.
Entre 7 e 8 de outubro, as empresas deverão informar às instituições financeiras os valores remanescentes vinculados a cada CPF. Os bancos terão o período de 9 a 14 de outubro para efetuar a devolução aos titulares.
Se o reembolso não for concluído nessa fase, os recursos serão transferidos à Caixa, que assumirá a responsabilidade pela restituição. O mecanismo busca impedir que a saída das plataformas do mercado retenha dinheiro pertencente aos apostadores.
O saldo divulgado não deve ser confundido com o volume diário de apostas. Os R$ 652,6 milhões representam a redução acumulada do dinheiro mantido nas contas desde o início do processo, enquanto os R$ 600 milhões correspondem à movimentação diária estimada antes da proibição.
Fiscalização alcança contas elevadas
O governo identificou 48 contas com saldo superior a R$ 500 mil. Esses casos serão analisados individualmente e poderão ser encaminhados para investigação se houver indícios de lavagem de dinheiro ou outra irregularidade.
Entre 25 de setembro e 1º de outubro, 10.435 endereços de sites ilegais foram enviados à Agência Nacional de Telecomunicações para bloqueio. A fiscalização também alcança empresas responsáveis pelas páginas, instituições de pagamento e publicidade em redes sociais.
A existência de saldo elevado não comprova crime. A análise deverá verificar a origem dos recursos, o histórico de movimentações e a compatibilidade das operações, respeitando os procedimentos administrativos e as garantias legais.
Para o usuário comum, a orientação prática é guardar comprovantes da conta, do saldo e do pedido de retirada. Se a plataforma não efetuar o pagamento, esses registros poderão ajudar na cobrança durante as etapas bancária e de restituição pela Caixa.