Scarpa leva literatura além dos vestiários
Meio-campista do Atlético-MG transforma resenhas de livros em mobilização de atletas e torcedores, com impacto nas vendas editoriais.

Gustavo Scarpa ampliou para além do futebol a influência conquistada como jogador do Atlético-MG. Aos 32 anos, o meio-campista passou a publicar resenhas literárias, estimulou colegas e torcedores a ler e ajudou um clássico de Liev Tolstói a ganhar destaque entre os livros mais vendidos no Brasil.
Em entrevista publicada pela CNN Brasil nesta terça-feira, 6 de outubro, Scarpa falou sobre a repercussão dos vídeos, a troca com jogadores de outros clubes e os autores que mais aprecia. Ele disse considerar especialmente positiva a capacidade de reunir pessoas por meio dos livros.
Tolstói rompe a rotina esportiva
O movimento ganhou força após uma resenha de “A Morte de Ivan Ilitch”. O vídeo levou leitores que acompanhavam o atleta pelo futebol a procurar a obra russa e impulsionou o título nos rankings da Amazon. A reação mostrou que uma recomendação fora dos círculos literários tradicionais pode alcançar públicos novos.
A Folha de S.Paulo registrou que Scarpa começou a publicar vídeos no próprio canal e que a obra chegou ao topo das vendas depois da indicação. O jornal também relatou a criação de um clube de leitura por torcedores do Atlético, resultado que liga uma comunidade esportiva a uma atividade normalmente distante das arquibancadas.
Scarpa não apresenta as resenhas como aulas acadêmicas. Ele comenta impressões pessoais, admite dúvidas e descreve passagens que o fizeram pensar. Essa linguagem aproxima leitores iniciantes e reduz a ideia de que clássicos exigem formação especializada para serem lidos e discutidos.
Entre os autores preferidos, o jogador cita C. S. Lewis e Victor Hugo, além do interesse por literatura russa e obras de crítica social. A lista combina ficção, ensaio e temas religiosos, revelando um hábito de leitura anterior ao sucesso recente dos vídeos.
Influência alcança torcedores e atletas
O ge informou que o meio-campista se surpreendeu com a adesão de atletas e torcedores ao clube do livro. Imagens de jogadores lendo durante concentrações e períodos de recuperação ajudaram a romper o estereótipo de que o ambiente do futebol profissional não reserva espaço para literatura.
O efeito comercial é apenas uma parte do fenômeno. Rankings mudam rapidamente e não medem, sozinhos, quantas pessoas concluem uma obra. Ainda assim, a procura pelo livro, as conversas nas redes e a organização de leituras coletivas são sinais concretos de mobilização cultural.
Para o esporte, a iniciativa também amplia a imagem pública do atleta sem depender de publicidade convencional. Scarpa usa uma audiência formada por desempenho em campo para compartilhar um interesse pessoal e cria uma ponte entre torcedores que talvez não chegassem a Tolstói, Lewis ou Hugo por canais literários.
A repercussão recente não transforma o jogador em crítico profissional, e ele não reivindica esse papel. O fato jornalístico é a capacidade de uma voz do futebol estimular leitura em escala nacional. Ao levar livros para o vestiário e para as redes, Scarpa mostrou que a influência de um atleta pode produzir resultados culturais mensuráveis fora das quatro linhas.
Em resumo
“A Morte de Ivan Ilitch”, de Liev Tolstói, ganhou destaque nas vendas após a resenha do jogador.
Ele divulga vídeos e comentários em seu canal e nas redes sociais.
Sim. Torcedores do Atlético-MG organizaram um clube de leitura inspirado pela repercussão.
Ele cita C. S. Lewis e Victor Hugo, além de demonstrar interesse por literatura russa e crítica social.
A mobilização nasceu da influência de um jogador profissional e alcançou atletas, vestiários e torcedores.