Esporte · 2026-10-06 · Redação Notícia ES

Scarpa leva literatura além dos vestiários

Meio-campista do Atlético-MG transforma resenhas de livros em mobilização de atletas e torcedores, com impacto nas vendas editoriais.

Scarpa leva literatura além dos vestiários
Scarpa leva literatura além dos vestiários

Gustavo Scarpa ampliou para além do futebol a influência conquistada como jogador do Atlético-MG. Aos 32 anos, o meio-campista passou a publicar resenhas literárias, estimulou colegas e torcedores a ler e ajudou um clássico de Liev Tolstói a ganhar destaque entre os livros mais vendidos no Brasil.

Em entrevista publicada pela CNN Brasil nesta terça-feira, 6 de outubro, Scarpa falou sobre a repercussão dos vídeos, a troca com jogadores de outros clubes e os autores que mais aprecia. Ele disse considerar especialmente positiva a capacidade de reunir pessoas por meio dos livros.

Tolstói rompe a rotina esportiva

O movimento ganhou força após uma resenha de “A Morte de Ivan Ilitch”. O vídeo levou leitores que acompanhavam o atleta pelo futebol a procurar a obra russa e impulsionou o título nos rankings da Amazon. A reação mostrou que uma recomendação fora dos círculos literários tradicionais pode alcançar públicos novos.

A Folha de S.Paulo registrou que Scarpa começou a publicar vídeos no próprio canal e que a obra chegou ao topo das vendas depois da indicação. O jornal também relatou a criação de um clube de leitura por torcedores do Atlético, resultado que liga uma comunidade esportiva a uma atividade normalmente distante das arquibancadas.

Scarpa não apresenta as resenhas como aulas acadêmicas. Ele comenta impressões pessoais, admite dúvidas e descreve passagens que o fizeram pensar. Essa linguagem aproxima leitores iniciantes e reduz a ideia de que clássicos exigem formação especializada para serem lidos e discutidos.

Entre os autores preferidos, o jogador cita C. S. Lewis e Victor Hugo, além do interesse por literatura russa e obras de crítica social. A lista combina ficção, ensaio e temas religiosos, revelando um hábito de leitura anterior ao sucesso recente dos vídeos.

Influência alcança torcedores e atletas

O ge informou que o meio-campista se surpreendeu com a adesão de atletas e torcedores ao clube do livro. Imagens de jogadores lendo durante concentrações e períodos de recuperação ajudaram a romper o estereótipo de que o ambiente do futebol profissional não reserva espaço para literatura.

O efeito comercial é apenas uma parte do fenômeno. Rankings mudam rapidamente e não medem, sozinhos, quantas pessoas concluem uma obra. Ainda assim, a procura pelo livro, as conversas nas redes e a organização de leituras coletivas são sinais concretos de mobilização cultural.

Para o esporte, a iniciativa também amplia a imagem pública do atleta sem depender de publicidade convencional. Scarpa usa uma audiência formada por desempenho em campo para compartilhar um interesse pessoal e cria uma ponte entre torcedores que talvez não chegassem a Tolstói, Lewis ou Hugo por canais literários.

A repercussão recente não transforma o jogador em crítico profissional, e ele não reivindica esse papel. O fato jornalístico é a capacidade de uma voz do futebol estimular leitura em escala nacional. Ao levar livros para o vestiário e para as redes, Scarpa mostrou que a influência de um atleta pode produzir resultados culturais mensuráveis fora das quatro linhas.

Em resumo

Qual livro viralizou após a indicação de Scarpa?

“A Morte de Ivan Ilitch”, de Liev Tolstói, ganhou destaque nas vendas após a resenha do jogador.

Onde Scarpa publica as resenhas?

Ele divulga vídeos e comentários em seu canal e nas redes sociais.

A iniciativa mobilizou torcedores?

Sim. Torcedores do Atlético-MG organizaram um clube de leitura inspirado pela repercussão.

Quais autores Scarpa prefere?

Ele cita C. S. Lewis e Victor Hugo, além de demonstrar interesse por literatura russa e crítica social.

Por que a história pertence ao Esporte?

A mobilização nasceu da influência de um jogador profissional e alcançou atletas, vestiários e torcedores.

Fontes