Segurança concentra confronto entre Ricardo e Pazolini
Último debate antes do segundo turno ao governo do Espírito Santo foi marcado por divergências sobre efetivo policial, combate às facções, saúde, educação e investimentos.

Ricardo Ferraço (MDB) e Lorenzo Pazolini (Republicanos) fizeram, entre a noite de quinta-feira (22) e a madrugada desta sexta (23), o último debate televisionado antes do segundo turno para o governo do Espírito Santo. Segurança pública abriu e concentrou o confronto, que também passou por saúde, educação, economia e reforma tributária.
A cobertura de A Gazeta registrou as perguntas, respostas e propostas apresentadas na TV Gazeta. A Folha de S.Paulo confirmou o cenário eleitoral: Pazolini chegou ao segundo turno após obter 49,65% dos votos válidos em 4 de outubro, enquanto Ricardo recebeu 34,06%; a decisão nas urnas será no domingo (25).
Segurança abre confronto eleitoral
O primeiro bloco deu aos candidatos tempo livre para administrar perguntas e respostas. Pazolini retomou relatos de cobrança de taxas por grupos criminosos em comunidades capixabas e afirmou que o Estado precisa reagir com mais presença policial. Ricardo respondeu que o diagnóstico desprezava resultados das forças de segurança e citou a redução dos homicídios como sinal de avanço.
A divergência sobre pessoal apareceu em números diferentes apresentados pelos próprios candidatos. Pazolini afirmou que faltam 2 mil policiais militares e prometeu recompor o efetivo, melhorar salários e condições de trabalho. Ricardo disse que a gestão estadual contratou 8.400 profissionais para a área e sustentou que concursos e investimentos afastam a tese de abandono das corporações.
O feminicídio também entrou no embate. Pazolini apontou a posição do Espírito Santo no Sudeste como motivo para cobrar mudança, enquanto Ricardo comparou a evolução capixaba com a de estados vizinhos. Nenhum dos dois apresentou no palco uma política isolada capaz de resolver o problema; as falas mostraram estratégias distintas, com o republicano enfatizando déficit e o emedebista defendendo resultados recentes.
No bloco sobre facções, Ricardo destacou inteligência, tecnologia e ações fora do território capixaba contra lideranças criminosas. Pazolini insistiu que a existência de cobranças ilegais em comunidades exige resposta mais visível. Como se tratava de debate eleitoral, os dados foram usados para defender programas de governo e precisam ser confrontados com estatísticas oficiais e metas verificáveis depois da votação.
Saúde e economia ampliam disputa
Na saúde e na educação, Ricardo criticou a gestão de Pazolini em Vitória pela ausência de uma UPA entregue e pelo desempenho da rede municipal. O adversário respondeu que a assistência da capital tem qualidade e afirmou que a educação avançou 24 posições desde 2021. Mais tarde, Ricardo defendeu regionalização hospitalar, telemedicina e expansão de unidades, enquanto Pazolini cobrou redução das filas e melhores condições em serviços da capital.
A atração de investimentos produziu outro contraste. Pazolini prometeu estabilidade de regras, diálogo com empresários e cursos profissionalizantes articulados com as prefeituras. Ricardo citou empresas instaladas no Estado, o desempenho da economia capixaba e uma rede de escolas certificadas, além de prometer ampliação da qualificação para mulheres e trabalhadores de diferentes faixas etárias.
Os candidatos também divergiram sobre os efeitos da reforma tributária. Pazolini alertou para possível perda de arrecadação e defendeu negociação com o setor produtivo. Ricardo afirmou que estudos do governo não indicam queda e relacionou a solidez fiscal à capacidade de manter investimentos em infraestrutura e serviços públicos.
O debate encerrou a etapa de confronto direto antes da escolha de domingo. A vantagem de Pazolini no primeiro turno não decide a eleição, porque vence quem superar metade dos votos válidos na nova votação. Para o eleitor, as promessas agora podem ser comparadas por três critérios objetivos: prazo, fonte de recursos e indicador público capaz de mostrar se cada compromisso foi cumprido.
Em resumo
O encontro começou na noite de quinta-feira, 22 de outubro, e avançou pela madrugada de sexta-feira, dia 23.
Segurança pública concentrou o início e a maior parte das divergências entre os candidatos.
Ricardo Ferraço, do MDB, e Lorenzo Pazolini, do Republicanos, disputam o governo do Espírito Santo.
O segundo turno está marcado para domingo, 25 de outubro de 2026.
Pazolini obteve 49,65% dos votos válidos e Ricardo recebeu 34,06%.