Política ES · 2026-09-22 · Redação Notícia ES

Segurança domina debate ao governo do ES e expõe divergências entre candidatos

Candidatos divergiram sobre maioridade penal, feminicídio, efetivo policial e enfrentamento às facções no confronto da Rede Vitória.

Segurança domina debate ao governo do ES e expõe divergências entre candidatos
Ricardo Ferraço, Lorenzo Pazolini e Hélder Salomão disputam o governo capixaba e debateram segurança pública. Imagem de arquivo: A Gazeta.

A segurança pública concentrou os embates entre Hélder Salomão (PT), Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) no debate ao governo do Espírito Santo realizado pela Rede Vitória na noite de segunda-feira, 21 de setembro. Maioridade penal, feminicídio, vagas nas polícias e atuação de facções apareceram em perguntas diretas e respostas nas quais os candidatos combinaram dados, críticas à gestão estadual e propostas para o próximo mandato.

Ao discutir a responsabilização de adolescentes, Helder se posicionou contra a redução da maioridade penal e afirmou que menores de 16 anos respondem por parcela pequena dos crimes violentos. Defendeu o fortalecimento do sistema socioeducativo, educação em tempo integral e políticas de prevenção. Ferraço discordou da conclusão e citou o ataque a escolas de Aracruz como exemplo da gravidade que crimes praticados por adolescentes podem alcançar.

O episódio de Aracruz não resolve sozinho o debate nacional sobre maioridade penal, assim como um percentual isolado não descreve todas as modalidades de violência juvenil. Mudanças na idade de responsabilização dependem do Congresso e são objeto de controvérsia constitucional. O governador pode administrar o sistema socioeducativo, investir em prevenção e apoiar posições políticas, mas não altera a Constituição por decisão estadual.

Feminicídio virou ponto de confronto

Pazolini questionou Ferraço sobre o índice de feminicídios no Espírito Santo e citou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. Segundo o candidato, a taxa capixaba foi de 1,7 morte por 100 mil mulheres, acima das taxas de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo apresentadas no mesmo recorte. A comparação foi usada para cobrar resultados e defender reforço na investigação e proteção às vítimas.

Ferraço respondeu com dados do Mapa da Paz, programa estadual que reúne indicadores e ações de prevenção, e disse que 61 dos 78 municípios não haviam registrado feminicídio em 2026 até o período citado. As duas informações podem coexistir porque medem coisas diferentes: uma compara taxas anuais entre estados; a outra conta municípios sem ocorrência registrada em parte do ano. Nenhuma delas autoriza minimizar as mortes já registradas.

Políticas contra feminicídio envolvem policiamento, medidas protetivas, investigação, rede de acolhimento e resposta rápida a ameaças. O dado mais útil para o eleitor será a descrição de metas verificáveis: prazo de atendimento, capacidade das delegacias especializadas, monitoramento de agressores e cobertura de serviços fora da Grande Vitória.

Efetivo e estrutura das polícias

Pazolini afirmou que cerca de 42% dos cargos da Polícia Civil estariam vagos e mencionou aproximadamente 2 mil vagas de soldado sem preenchimento na Polícia Militar. Os números foram apresentados pelo candidato e precisam ser comparados com os quadros legais, a lotação efetiva e os concursos em andamento, pois o percentual muda conforme a base usada para contar cargos previstos e posições consideradas necessárias.

Ferraço defendeu as ações do atual governo e argumentou que a política de segurança deve ser avaliada também por investimentos, tecnologia e integração. Helder propôs planejamento, inteligência e repressão financeira às organizações criminosas, além da expansão de políticas juvenis. Ele citou os Centros de Referência das Juventudes e defendeu presença em mais municípios.

O que será cobrado das candidaturas

O debate deixou quatro perguntas objetivas para os programas de governo: quantos profissionais cada candidato pretende nomear, qual será o custo, como a prioridade afetará outras despesas e quais indicadores serão usados para medir resultado. Sem cronograma e fonte de recursos, anúncios de concursos e ampliação de serviços permanecem como intenção eleitoral.

Os candidatos ainda terão oportunidade de detalhar propostas antes de 4 de outubro. A íntegra do debate permite conferir a sequência das falas e evita que recortes de campanha substituam o contexto. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e da Secretaria de Segurança do Estado oferecem bases diferentes para checar as afirmações e acompanhar se as promessas são compatíveis com o diagnóstico apresentado.

O eleitor também deve distinguir efetivo autorizado por lei, efetivo ocupado e força disponível diariamente. Férias, licenças, cessões e funções administrativas alteram a presença operacional. Da mesma forma, nomear policiais sem ampliar formação, equipamentos e custeio pode deslocar o problema. A comparação responsável precisa reunir pessoal, investimento e resultado.

As metas contra facções exigem integração com Polícia Federal, Ministério Público, sistema prisional e inteligência financeira. O governo estadual controla parte decisiva dessa estrutura, mas não atua sozinho. Propostas que prometem resultado imediato devem explicar como compartilhar dados, bloquear comunicações criminosas e atingir patrimônio sem violar garantias legais.

Em resumo

Quais temas de segurança apareceram no debate?

Maioridade penal, feminicídio, efetivo policial, facções e prevenção social.

Quem participou do confronto?

Hélder Salomão, Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço.

O governador pode reduzir a maioridade penal?

Não sozinho; a mudança depende do Congresso e enfrenta debate constitucional.

O ES teve a maior taxa de feminicídio do Sudeste?

Pazolini citou taxa de 1,7 por 100 mil mulheres no Anuário 2026; o dado deve ser lido no recorte anual usado pelo levantamento.

O número de vagas policiais foi confirmado?

Foi apresentado por Pazolini e depende da base usada para comparar cargos legais, lotação e concursos.

Onde conferir as falas completas?

Na íntegra do debate publicada pela Rede Vitória.

Fontes