Política Nacional · 2026-10-11 · Redação Notícia ES

Senado agenda votação do fim da escala 6x1 para quarta-feira

Proposta que reduz a jornada semanal e garante dois dias de descanso deve ser analisada em primeiro turno no dia 14, com tentativa de concluir as duas votações no mesmo dia.

Senado agenda votação do fim da escala 6x1 para quarta-feira
Senado agenda votação do fim da escala 6x1 para quarta-feira

O Senado marcou para quarta-feira (14) a votação, em primeiro turno, da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Camilo Santana disseram neste domingo (11) que o governo tentará concluir as duas votações necessárias no mesmo dia.

O InfoMoney registrou a declaração de Lula durante ato na Avenida Paulista, em São Paulo. UOL e R7 confirmaram a agenda anunciada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e detalharam que a antecipação do segundo turno depende da aprovação de um calendário especial pelos senadores.

O texto em discussão reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, estabelece dois dias de descanso por semana e preserva o salário. A proposta prevê um período de transição de um ano e já passou pela Câmara dos Deputados, mas ainda precisa vencer duas votações no plenário do Senado.

Votação depende de 49 senadores

Por se tratar de uma alteração constitucional, a PEC precisa de pelo menos 49 votos favoráveis em cada turno no Senado. Se o conteúdo for aprovado sem mudanças em relação ao texto recebido da Câmara, a proposta poderá ser promulgada pelo Congresso; qualquer alteração substancial exigirá nova análise dos deputados.

Camilo Santana, porta-voz da campanha de Lula no segundo turno presidencial, afirmou que o objetivo do governo é votar os dois turnos na quarta-feira. Ele reconheceu, porém, que os votos pertencem aos senadores e que a definição do calendário cabe ao comando da Casa. A fala apresenta uma meta política, não uma garantia de aprovação.

Alcolumbre havia reservado as últimas sessões de discussão para a semana e anunciou a primeira votação para o dia 14. Para acelerar a segunda etapa, líderes terão de reunir apoio suficiente para dispensar o intervalo regimental. Além do calendário, a base governista precisará manter quórum elevado ao longo das duas deliberações.

A tramitação ocorre entre o primeiro e o segundo turnos da eleição presidencial. O tema ganhou espaço nos atos de campanha deste domingo, mas a decisão formal será tomada pelo Senado. Parlamentares favoráveis defendem mais tempo de descanso para os trabalhadores; críticos discutem custos, transição e efeitos diferentes entre setores da economia.

Proposta entra na campanha

Lula apresentou a votação como um teste público para governo e oposição. O adversário do presidente, Flávio Bolsonaro, declarou apoio ao fim da escala 6x1, embora aliados tenham discutido uma alternativa com maior espaço para negociação entre empregadores e empregados. A posição final de cada bancada só ficará clara na votação nominal.

A pauta não encerra o debate sobre organização do trabalho. Mesmo que a PEC seja promulgada, empresas, sindicatos e órgãos públicos terão de adaptar jornadas e escalas ao novo limite. O período de transição previsto busca reduzir o impacto imediato, especialmente em atividades que funcionam todos os dias.

Também permanece aberta a negociação sobre o calendário especial. Aprovar os dois turnos na mesma quarta-feira encurtaria a tramitação, mas depende de acordo político e quórum. Sem esse entendimento, o Senado poderá realizar apenas a primeira votação e deixar a segunda para uma sessão posterior.

A quarta-feira será, portanto, o primeiro teste decisivo da proposta no plenário do Senado. O resultado dependerá menos das declarações de campanha e mais da presença de ao menos 49 senadores dispostos a votar a favor em cada turno, além de consenso suficiente para acelerar o rito.

Em resumo

Quando será votado o fim da escala 6x1?

A primeira votação no Senado está marcada para quarta-feira, 14 de outubro de 2026.

O Senado pode concluir a votação no mesmo dia?

Pode, se aprovar um calendário especial e reunir quórum para os dois turnos.

Quantos votos a proposta precisa?

A PEC precisa de pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos no Senado.

O que muda na jornada semanal?

O texto reduz a jornada de 44 para 40 horas e prevê dois dias de descanso, sem redução salarial.

A aprovação já está garantida?

Não. Governo e aliados declararam apoio, mas o resultado depende dos votos dos senadores e do quórum no plenário.

Fontes