Política Nacional · 2026-10-30 · Redação Notícia ES

Senadores da esquerda traçam estratégias para fazer frente ao PL | G1

O g1 entrevistou senadores eleitos pela primeira vez e reeleitos do PT, PSB e PDT para saber como eles se preparam para lidar com os numerosos colegas do PL.

Senadores da esquerda traçam estratégias para fazer frente ao PL | G1
Senadores da esquerda traçam estratégias para fazer frente ao PL | G1

A bancada recorde do PL no Senado , que assume em 2027, trará um desafio de articulação não só para o presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), mas para os parlamentares petistas e de outros partidos da esquerda. O PL vai ocupar sozinho mais de um terço da Casa.

G1 entrevistou senadores eleitos pela primeira vez e reeleitos

O g1 entrevistou senadores eleitos pela primeira vez e reeleitos do PT, PSB e PDT para saber como eles se preparam para lidar com os numerosos colegas do PL, partido de Jair Bolsonaro , e para trabalhar por propostas do governo Lula.

As estreantes no Senado Marília Arraes (PDT-PE), Samanda de Lula (PT-RN) e Marília Campos (PT-MG) defendem a construção de alianças em pautas específicas, o diálogo com adversários políticos e a mobilização da sociedade para impedir retrocessos em direitos sociais.

Os senadores reeleitos Cid Gomes (PSB-CE) e Humberto Costa (PT-PE) preveem a tentativa, por parte da direita, de avanço das chamadas pautas de costumes, como projetos que restringem o direito ao aborto nos casos previstos em lei.

Tema é alvo frequente de parlamentares da direita

O tema é alvo frequente de parlamentares da direita.

🔎 O aborto atualmente é garantido por lei no Brasil em três casos: gestação decorrente de estupro, risco de vida para a pessoa que gesta e fetos anencéfalos.

A composição do Senado ainda poderá sofrer alterações até fevereiro, quando assumem os eleitos em 2026, já que tanto os candidatos eleitos quanto os senadores em exercício podem trocar de partido ou assumir cargos no Executivo.

Caso os números atuais se confirmem, o PL terá a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988. O partido elegeu 19 senadores nas eleições de domingo (4).

Com isso, o partido deverá reunir 28 dos 81 integrantes da Casa. O recorde anterior pertencia ao MDB , então PMDB, que iniciou a legislatura de 1999 com 27 senadores.

Infográfico - Composição do Senado por partidos. — Foto: Arte/g1

Essa também é a primeira vez desde 1988 que um único partido elegeu 19 senadores em uma mesma eleição. Até então, o maior número havia sido de 14, alcançado pelo antigo PMDB em 1994 e 2010 e pelo extinto PFL em 2002.

Enquanto isso, o PT, PSB, Rede e PDT deverão reunir, somados, 15 senadores a partir de 2027. Outros 37 parlamentares estarão distribuídos entre MDB, PP, União Brasil, PSD, Republicanos, Novo, Podemos e PSDB. Há ainda um senador sem partido.

Humberto Costa é senador eleito pelo PT — Foto: Reprodução/TV Globo

O veterano Humberto Costa (PT-PE) foi eleito senador pela terceira vez no pleito de 2026. Acostumado a lidar com os colegas de oposição, avalia que o diálogo, que já é desafiador, deve se tornar ainda mais difícil com a nova composição da Casa.

Para Costa, os parlamentares eleitos para o mandato que se inicia em 2027 têm um perfil mais “radical e agressivo” do que os atuais integrantes do Senado.

Apesar disso, diz que o governo Lula terá maioria para aprovar alguns projetos que devem chegar ao plenário, pois “já estão acertados”. O senador cita como exemplo a proposta de fim da escala de trabalho 6x1.

“Há diálogo com algumas pessoas, mas a grande maioria segue uma orientação única. Fazem questão de apresentar emendas.

Uma bancada muito ativa em apresentar propostas que são maléficas para a população brasileira e fazem um tipo de oposição que é uma oposição sem muito diálogo”, afirmou Humberto Costa.

O senador aposta que temas prioritários para o governo federal, como a segurança pública, vão dominar os debates na Casa.

O senador também acredita que a chegada dos novos parlamentares deve ampliar a discussão de projetos ligados às pautas de costumes, como a criminalização do aborto.

Sobre a disputa pelo comando do Senado, que elegerá seu presidente em fevereiro de 2027 para um mandato de dois anos, Costa defendeu uma aliança com setores do centrão e disse que há possibilidade de apoio à recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

O petista, porém, condicionou esse entendimento à ausência de concessões à oposição em temas que considera inegociáveis, como a anistia a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 .

Em resumo

O que aconteceu?

A bancada recorde do PL no Senado , que assume em 2027, trará um desafio de articulação não só para o presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), mas para os parlamentares petistas e de outros partidos da esquerda. O PL vai ocupar sozinho mais de um terço da Casa.

Qual é o ponto principal?

O g1 entrevistou senadores eleitos pela primeira vez e reeleitos do PT, PSB e PDT para saber como eles se preparam para lidar com os numerosos colegas do PL, partido de Jair Bolsonaro , e para trabalhar por propostas do governo Lula.

Quais são os dados mais importantes?

As estreantes no Senado Marília Arraes (PDT-PE), Samanda de Lula (PT-RN) e Marília Campos (PT-MG) defendem a construção de alianças em pautas específicas, o diálogo com adversários políticos e a mobilização da sociedade para impedir retrocessos em direitos sociais.

Qual é o contexto?

Os senadores reeleitos Cid Gomes (PSB-CE) e Humberto Costa (PT-PE) preveem a tentativa, por parte da direita, de avanço das chamadas pautas de costumes, como projetos que restringem o direito ao aborto nos casos previstos em lei. O tema é alvo frequente de parlamentares da direita.

Quais são os próximos desdobramentos?

🔎 O aborto atualmente é garantido por lei no Brasil em três casos: gestação decorrente de estupro, risco de vida para a pessoa que gesta e fetos anencéfalos.

Fontes