Servidora do DER-MG é presa em investigação sobre propina
Prisão preventiva foi cumprida em Uberlândia; Ministério Público apura suspeita de favorecimento a grupo imobiliário em troca de vantagens.

A coordenadora regional do DER-MG em Uberlândia, Patrícia Metz Peixoto, foi presa preventivamente nesta quinta-feira (15). Ela é investigada sob suspeita de favorecer um grupo imobiliário em procedimentos ligados a obras viárias no município mineiro.
O Metrópoles informou que a ordem foi cumprida pelo Ministério Público de Minas Gerais e pela Polícia Militar. O portal Regionalzão confirmou a prisão e registrou a manifestação da defesa, que considera a medida desproporcional e afirma ter pedido a liberdade da servidora.
A apuração envolve suspeitas de corrupção, falsidade ideológica, advocacia administrativa e sonegação de documento. O processo corre sob segredo de Justiça, e as acusações ainda serão submetidas ao contraditório e à análise judicial.
Além da prisão, foram cumpridas buscas na residência da investigada e uma ordem de apreensão do computador usado por ela no órgão estadual. A Justiça também determinou a preservação de contas, mensagens e arquivos institucionais relacionados ao caso.
Investigação aponta troca de vantagens
O foco é um empreendimento imobiliário em Uberlândia que dependia da construção de um trevo na rodovia LMG-503. A obra era uma condição para a implantação do projeto, mas não teria sido concluída no prazo previsto.
Segundo a investigação, a servidora assinou em outubro de 2023 um ofício que deu aparência de regularidade a uma alternativa de acesso à rodovia. O documento teria sido apresentado pela empresa em audiência judicial no dia seguinte e usado na negociação que alterou a obrigação original.
O Ministério Público sustenta que a agente pública comprou em 2024 um imóvel avaliado em R$ 1,5 milhão de grupo ligado ao empreendimento. Parte da dívida, conforme a apuração, teria sido paga por empresas associadas ao negócio por meio de recibos usados para justificar os repasses.
O Regionalzão informou que os investigadores identificaram pelo menos R$ 230 mil em vantagens supostamente recebidas. O valor total ainda depende da análise de documentos, pagamentos e relações entre as empresas envolvidas.
Defesa contesta prisão preventiva
A defesa afirma que Patrícia é servidora de carreira, ré primária, tem residência fixa e compareceu às convocações oficiais. Também sustenta que ela já estava afastada das funções desde setembro e não teria descumprido as cautelares impostas anteriormente.
Os advogados classificaram a prisão antes do julgamento como excepcional e desnecessária. A equipe jurídica informou que apresentou as medidas cabíveis para que a investigada responda ao procedimento em liberdade.
Ao decretar a preventiva, a Justiça considerou a necessidade de interromper possíveis pagamentos e preservar provas. A decisão foi expedida pelo Juízo das Garantias da Comarca de Uberlândia, responsável pelo controle das medidas adotadas durante a investigação.
O procedimento é conduzido pela 3ª Promotoria de Justiça de Uberlândia. O DER-MG não havia divulgado manifestação pública sobre o caso até a publicação das primeiras reportagens, e a investigação deverá avançar com a análise do material apreendido.
Em resumo
A coordenadora regional do órgão em Uberlândia, Patrícia Metz Peixoto.
A apuração cita corrupção, falsidade ideológica, advocacia administrativa e sonegação de documento.
A servidora teria favorecido um grupo imobiliário em atos ligados a uma obra viária em troca de vantagens.
Os investigadores apontam pelo menos R$ 230 mil, valor que ainda está em apuração.
A defesa considera a prisão desproporcional e afirma ter pedido que a servidora responda em liberdade.