Política Nacional · 2026-08-30 · Redação Notícia ES

Servidores do INSS pressionam Congresso por inclusão no adicional de fronteira

Categoria busca entrar na MP 1.375/2026, que amplia a indenização paga a servidores federais lotados em localidades estratégicas de fronteira; texto está em regime de urgência no Congresso.

Servidores do INSS pressionam Congresso por inclusão no adicional de fronteira
Servidores do INSS pressionam Congresso por inclusão no adicional de fronteira

Servidores do Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS, passaram a articular no Congresso Nacional a inclusão da categoria na Medida Provisória 1.375/2026, que amplia o grupo de servidores federais com direito à chamada indenização de fronteira. A movimentação ocorre no momento em que a proposta está em regime de urgência e sob relatoria do senador Eduardo Gomes (PL-TO) em comissão mista do Congresso.

A reivindicação foi noticiada neste domingo, 30 de agosto, pela Folha de S.Paulo. O pedido dos servidores é para que trabalhadores do INSS que atuam em localidades consideradas estratégicas também possam receber a indenização prevista na Lei 12.855/2013. A legislação criou um pagamento específico para incentivar a permanência de servidores em regiões de difícil fixação de efetivo, sobretudo em áreas ligadas à prevenção, fiscalização e repressão de delitos transfronteiriços.

O que a MP 1.375 muda

O texto original da MP, editada pelo governo federal em 3 de julho, amplia o rol de carreiras e planos de cargos alcançados pelo benefício. Entre os grupos contemplados estão servidores da carreira de Auditoria Federal de Finanças e Controle e analistas técnicos do Poder Executivo em exercício na Polícia Federal, na Polícia Rodoviária Federal e na Receita Federal.

Segundo o Congresso Nacional, a medida também trata da reabertura de opções funcionais para servidores vinculados aos antigos territórios federais e promove transformação de cargos vagos no Executivo. A proposta recebeu 40 emendas durante o prazo regimental, o que mostra que diferentes categorias e parlamentares tentam alterar o alcance do texto antes da votação definitiva.

A Câmara dos Deputados informou, ao registrar a instalação da comissão mista, que o deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) foi escolhido presidente do colegiado, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) vice-presidente e Eduardo Gomes relator. A tramitação oficial aponta que a MP entrou em regime de urgência em 17 de agosto e permanece pendente de deliberação.

Por que os servidores do INSS querem entrar

O argumento central da mobilização é que o INSS também mantém equipes em municípios de fronteira e áreas remotas, onde o custo de permanência, a dificuldade logística e a baixa atratividade para servidores podem dificultar a manutenção de quadros. A inclusão, contudo, não está garantida no texto original e dependerá de alteração durante a tramitação parlamentar.

A indenização de fronteira não funciona como aumento permanente de salário. Ela é paga em razão do efetivo exercício em determinadas localidades definidas como estratégicas. A legislação prevê critérios específicos para o enquadramento das regiões e das carreiras beneficiadas. Por isso, mesmo que uma categoria seja incluída na lei, o recebimento depende das condições estabelecidas para o exercício da função.

Reportagem da Revista Oeste publicada neste domingo informa que o valor da indenização previsto na regra atual é de R$ 91 por dia efetivamente trabalhado nas localidades enquadradas. O próprio processo legislativo revela que há parlamentares tentando rever esse valor. Uma das emendas apresentadas à MP 1.375, de autoria do deputado Nicoletti (PL-RR), propõe atualização da indenização sob o argumento de que o montante está defasado desde a criação do benefício.

Texto ainda pode mudar no Congresso

O fato de os servidores do INSS estarem se mobilizando não significa que a inclusão já tenha sido aceita pelo relator ou pelo governo. Nesta etapa, categorias profissionais costumam procurar deputados e senadores para defender emendas, sugestões de texto ou ajustes no relatório. A decisão política só ficará mais clara quando o relator apresentar parecer e a comissão mista deliberar sobre a proposta.

Como toda medida provisória, a MP 1.375 produz efeitos desde sua edição, mas precisa ser aprovada pelo Congresso para ser convertida definitivamente em lei. A página oficial da matéria informa que a deliberação foi prorrogada e pode ocorrer até 30 de outubro de 2026. Enquanto isso, o texto segue em discussão e sujeito a mudanças.

A disputa em torno do adicional também expõe um tema recorrente no serviço público federal: como manter profissionais em cidades de fronteira, regiões isoladas e locais com menor oferta de estrutura. O benefício foi concebido justamente como instrumento de fixação de efetivo em pontos considerados sensíveis para o Estado brasileiro.

Próximos passos

Para os servidores do INSS, a etapa decisiva agora é convencer o relator e os integrantes da comissão de que as atividades desempenhadas pela autarquia em determinadas localidades justificam a extensão da indenização. Caso a alteração entre no relatório e seja aprovada pelo colegiado, ainda precisará sobreviver às votações nos plenários da Câmara e do Senado.

Até o momento, portanto, há uma articulação política em curso, e não um direito novo já reconhecido à categoria. A redação final da MP dependerá das negociações entre governo, parlamentares e representantes dos servidores nas próximas semanas.

Fontes consultadas: Folha de S.Paulo, publicação que originou a pauta; Congresso Nacional, página oficial da MPV 1.375/2026; Câmara dos Deputados, cobertura da instalação da comissão mista; Revista Oeste, agenda legislativa e informações sobre o adicional de fronteira.

Fontes