Silêncio de Trump: o que vitória de Lula diz sobre relação entre Brasil e EUA - BBC News Brasil
Enquanto presidentes aliados de Washington ligaram para parabenizar o petista, americano rompe tradição de mais de duas décadas. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil dizem que o gesto, ou a falta dele, pode decidir se Flávio Bolsonaro contestará resultado.

Confira a apuração para presidente e governador em seu Estado e município no mapa interativo da BBC News Brasil
Diferentemente do que ocorreu nas últimas eleições presidenciais brasileiras,
Diferentemente do que ocorreu nas últimas eleições presidenciais brasileiras, a Casa Branca ainda não havia reconhecido publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até o começo da manhã desta segunda-feira (26/10).
Com 100% das urnas apuradas, Lula teve 64 milhões de votos (51,79% dos válidos), contra 59 milhões de Flávio Bolsonaro (PL), ou 48,21%. O resultado foi proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08 do domingo.
O silêncio do presidente americano, Donald Trump, contrasta com a rapidez de Washington em pleitos anteriores e com a reação de vários líderes estrangeiro s, entre eles governantes de direita da América Latina, que já cumprimentaram Lula e reconheceram o resultado das urnas no Brasil.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil disseram
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil disseram que a demora de Trump em reconhecer o resultado pode refletir uma "frustração política" e que o presidente americano "pode estar digerindo uma derrota política para um aliado".
Desde a volta de Trump à Casa Branca, uma série de presidentes de direita ou próximos a ele foram eleitos na região . A vitória de Lula interrompe essa sequência e frustra a expectativa de alinhamento regional atribuída a Washington.
Em 2002, 2014, 2018 e 2022, Washington reconheceu o vencedor da eleição brasileira com rapidez.
Em 2022, Joe Biden parabenizou Lula por uma vitória em eleiçõe s "livres, justas e confiáveis", antes mesmo de Jair Bolsonaro admitir formalmente a derrota.
Na eleição anterior, em 2018, Trump ligou para Bolsonaro na noite do domingo do segundo turno. Em 2014, Barack Obama felicitou Dilma Rousseff no dia seguinte à votação. Em 2002, George W. Bush telefonou a Lula cerca de um dia depois da eleição.
"Sim, é muito significativo. Ele deveria ter sido o primeiro", afirmou à BBC News Brasil Christopher Sabatini, pesquisador sênior para América Latina do centro de estudos Chatham House, em Londres.
"Também é significativo que todos os outros (países) estejam correndo para reconhecer o resultado. É um sinal claro para Flávio Bolsonaro e para a Casa Branca de que 'nós reconhecemos, e vocês, onde estão?'. Estão tentando encurralá-lo [Trump]", diz Sabatini.
Para Sabatini, o silêncio também pode refletir frustração política.
"Ele [Trump] recebeu os filhos [de Bolsonaro], designou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Então ele de fato endossou a chapa Bolsonaro", disse.
A designação foi anunciada pelo Departamento de Estado em 28 de maio, um dia depois de Flávio e Eduardo Bolsonaro se reunirem com Trump na Casa Branca.
Segundo o pesquisador, Trump chegou a se gabar de ter levado nove presidentes ao poder na América Latina. "Acho que ele imaginava que este seria o décimo e o maior prêmio."
Anthony Pereira, diretor executivo do Centro para Estudos Latino-Americanos da Universidade Tulane, nos EUA, diz que Washington esperava uma aproximação do Brasil com a agenda de Trump.
Em resumo
Confira a apuração para presidente e governador em seu Estado e município no mapa interativo da BBC News Brasil
Diferentemente do que ocorreu nas últimas eleições presidenciais brasileiras, a Casa Branca ainda não havia reconhecido publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até o começo da manhã desta segunda-feira (26/10).
Com 100% das urnas apuradas, Lula teve 64 milhões de votos (51,79% dos válidos), contra 59 milhões de Flávio Bolsonaro (PL), ou 48,21%. O resultado foi proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08 do domingo.
O silêncio do presidente americano, Donald Trump, contrasta com a rapidez de Washington em pleitos anteriores e com a reação de vários líderes estrangeiro s, entre eles governantes de direita da América Latina, que já cumprimentaram Lula e reconheceram o resultado das urnas no Brasil.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil disseram que a demora de Trump em reconhecer o resultado pode refletir uma "frustração política" e que o presidente americano "pode estar digerindo uma derrota política para um aliado".