Economia · 2026-11-06 · Redação Notícia ES

Small caps sob juros altos: as 9 ações preferidas dos analistas no Lula 4

Com juros mais altos e perspectiva de atividade mais contida, casas trocam apostas no consumo doméstico por empresas menos endividadas e mais defensivas

Small caps sob juros altos: as 9 ações preferidas dos analistas no Lula 4
Small caps sob juros altos: as 9 ações preferidas dos analistas no Lula 4

As small caps, ações de empresas de menor porte, foram as que mais sofreram na Bolsa após o resultado do segundo turno da eleição presidencial.

Os números do levantamento

O Índice Small Caps ( SMLL ) da B3 caiu 17,45% em outubro, ante queda de 9,88% do Ibovespa, e passou a acumular perda de 18,78% no ano, enquanto o principal índice da Bolsa ainda sobe 4,22% em 2026.

A queda mais forte reflete o perfil dessas empresas, em geral mais dependentes da economia doméstica e mais sensíveis aos juros futuros , que voltaram a subir com o resultado da eleição diante das incertezas com as contas públicas.

Já o Ibovespa conta com ações de peso ligadas a commodities, como Petrobras e PRIO, que subiram acompanhando os preços do petróleo em meio à guerra no Irã e evitaram uma queda maior do índice.

Impactos e informações adicionais

Com juros altos por mais tempo, bancos e corretoras reforçam empresas com caixa robusto e consistente

A eleição também provocou uma série de trocas nas carteiras recomendadas de small caps de novembro, diante da perspectiva de juros mais altos e de atividade mais contida em 2027.

Empresas que haviam entrado nas carteiras em outubro na expectativa de uma mudança de governo e de queda da Selic deram lugar a companhias mais resistentes a cenários desafiadores, menos dependentes do consumo doméstico e menos endividadas.

Nove empresas aparecem como as mais indicadas pelas casas consultadas pelo InfoMoney, com as ações da Orizon, que atua no tratamento de resíduos, e da rede de academias Smart Fit na liderança, com cinco recomendações cada.

Confira abaixo as análises das small caps mais indicadas em novembro.

Além do tratamento de resíduos, a Orizon atua na geração de energia a partir de biogás e opera usinas de processamento de resíduos, segmento que vem ganhando força no país nos últimos anos.

A companhia é a nova top pick (ação preferida) do Santander no setor de energia e saneamento, já que o banco espera que os municípios recorram cada vez mais a operadores privados na gestão de resíduos.

Para o BTG Pactual, a Smart Fit segue como uma das principais teses de geração de valor no varejo da América Latina, sustentada por uma escala incomparável na região e por uma rentabilidade elevada, com margens em melhora graças à alavancagem operacional.

O banco também destaca a exposição a um mercado fragmentado, com espaço para consolidação, e o crescimento de plataformas adjacentes, como o TotalPass.

Para a Ágora/Bradesco, a empresa combina elevada previsibilidade de receitas, contratos corrigidos pela inflação e distribuição recorrente de dividendos, características que reforçam o perfil defensivo da ação.

A baixa exposição à atividade econômica dá mais estabilidade à geração de caixa, enquanto a entrada em operação dos projetos em implantação deve sustentar o crescimento gradual da receita.

A ação negocia a 16 vezes o lucro , com dividend yield projetado de 5% em 2026 e de 6% em 2027.

A XP mantém a visão positiva para a empresa, sustentada pela forte execução operacional, pelo amplo potencial de crescimento em mercados ainda pouco explorados, pela geração de caixa resiliente e pelo múltiplo atrativo.

O BTG Pactual lembra que a Copasa concluiu em junho seu processo de privatização , que deu à Equatorial a posição de acionista de referência, com participação de 30%.

O banco vê a companhia negociando a uma taxa interna de retorno (TIR) real de 13,8% e acredita que ela pode se tornar em breve uma tese atrativa de dividendos, com dividend yield médio de 7,6% entre 2026 e 2028 e de dois dígitos a partir daí.

“As small caps foram o recorte mais castigado de outubro, e a carteira troca metade das posições para reduzir a dependência da economia doméstica”, diz a Genial Investimentos em relatório.

A Fleury está entre as ações que permanecem, com lucro em alta e dívida controlada em um negócio de demanda pouco ligada ao ciclo econômico.

A companhia teve lucro atribuível aos controladores de R$ 219 milhões no segundo trimestre, ante R$ 145 milhões um ano antes, e a ação negocia a cerca de 16 vezes o lucro.

A casa pondera, no entanto, que a Fleury é a mais sensível aos juros entre as ações mantidas e que o múltiplo exige a continuidade da execução.

A avaliação é anterior ao balanço do terceiro trimestre, divulgado pela companhia na quinta-feira (5), após o fechamento do mercado.

A visão positiva do Santander para a Iguatemi se apoia na forte qualidade dos ativos, na ampla exposição ao público de alta renda, segmento que tende a ser anticíclico em períodos de atividade econômica mais fraca, no preço descontado em relação aos resultados e no sólido potencial de crescimento dos lucros.

O BTG Pactual incluiu a OceanPact em sua carteira de small caps citando o forte momento de resultados, com expectativa de crescimento robusto no segmento de embarcações, e as oportunidades nas licitações da Petrobras para embarcações de apoio a plataformas (PSV, na sigla em inglês) em novembro, com potencial para novas concorrências.

A empresa tem ainda exposição atrativa ao dólar e dividend yield projetado de 12% para 2027.

Para o BTG Pactual, a SLC Agrícola reúne um histórico comprovado de geração de valor no longo prazo e um cenário cíclico em melhora.

A companhia expandiu a área plantada em cerca de 30% nos últimos três anos e está bem posicionada para se beneficiar de uma recuperação dos preços das commodities.

Os riscos climáticos, especialmente o El Niño, seguem como a principal preocupação de curto prazo, mas, com a ação negociando a 8 vezes o lucro projetado para 2027, o banco vê potencial de valorização atrativo.

Em resumo

O que aconteceu?

As small caps, ações de empresas de menor porte, foram as que mais sofreram na Bolsa após o resultado do segundo turno da eleição presidencial. O Índice Small Caps ( SMLL ) da B3 caiu 17,45% em outubro, ante queda de 9,88% do Ibovespa, e passou a acumular perda de 18,78% no ano, enquanto o principal índice da Bolsa ainda sobe 4,22% em 2026.

Qual é o ponto principal?

A queda mais forte reflete o perfil dessas empresas, em geral mais dependentes da economia doméstica e mais sensíveis aos juros futuros , que voltaram a subir com o resultado da eleição diante das incertezas com as contas públicas.

Quais são os dados mais importantes?

Com juros altos por mais tempo, bancos e corretoras reforçam empresas com caixa robusto e consistente

Qual é o contexto?

A eleição também provocou uma série de trocas nas carteiras recomendadas de small caps de novembro, diante da perspectiva de juros mais altos e de atividade mais contida em 2027.

Quais são os próximos desdobramentos?

Nove empresas aparecem como as mais indicadas pelas casas consultadas pelo InfoMoney, com as ações da Orizon, que atua no tratamento de resíduos, e da rede de academias Smart Fit na liderança, com cinco recomendações cada.

Fontes