Starnav Elektra estreia com tripulação feminina e investimento de R$ 450 milhões
Navio de apoio construído em Itajaí é a primeira entrega do Programa Mar Aberto e seguirá para plataformas nas bacias petrolíferas brasileiras.

A Petrobras batizou no Rio de Janeiro o Starnav Elektra, primeiro navio afretado entregue dentro do Programa Mar Aberto, após investimento de cerca de R$ 450 milhões. Construída pelo Estaleiro Detroit, em Itajaí, Santa Catarina, a embarcação chegou ao Píer Mauá com tripulação formada por 16 mulheres, sob comando de Isabela Teixeira Ponce de Leon. O navio seguirá para apoiar plataformas nas bacias petrolíferas brasileiras.
A cerimônia ocorreu na quinta-feira (17), e a Petrobras divulgou o balanço no dia seguinte. O Elektra é um PSV, sigla em inglês para embarcação de suprimento de plataformas. Esse tipo de navio transporta equipamentos, materiais, água, combustível e outros insumos entre bases costeiras e unidades de produção no mar. A atividade exige regularidade logística e sistemas de posicionamento adequados às operações offshore.
A viagem de Santa Catarina ao Rio com equipe integralmente feminina foi destacada pela companhia e pela Agência Brasil como marco de participação das mulheres na navegação comercial. O dado se refere à tripulação dessa viagem e não significa que todas as futuras escalas terão composição idêntica. A qualificação e as funções a bordo seguem regras marítimas e contratos de operação.
Programa prevê renovação em escala maior
O Starnav Elektra é a primeira entrega do Programa Mar Aberto, criado para renovar e ampliar a frota de apoio do Sistema Petrobras. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a empresa pretende chegar a 48 barcos contratados até o fim de 2026 e a 96 embarcações no ano seguinte, incluindo barcaças e empurradores. Contratação, entrega e entrada em serviço são etapas diferentes.
O investimento informado de R$ 450 milhões corresponde ao projeto do navio, segundo a Petrobras. Para medir impacto econômico, será necessário acompanhar conteúdo nacional, empregos mantidos no estaleiro, prazo de afretamento e custo operacional. A entrega em Itajaí beneficia a cadeia naval, mas o retorno depende de utilização eficiente e de contratos que distribuam riscos entre armador, estaleiro e contratante.
Dados públicos de rastreamento identificam o Elektra pelo número IMO 1094979, com 92 metros de comprimento e 20 metros de boca. O registro técnico ajuda a distinguir a embarcação de navios com nomes semelhantes. Informações de posição em plataformas privadas variam conforme recepção do sinal AIS e não substituem comunicados de operação da autoridade marítima ou do armador.
Baterias prometem reduzir consumo
O projeto incorpora bancos de baterias, monitoramento de consumo por telemetria e sistemas de geração e distribuição de energia mais modernos. A Petrobras também menciona preparação para uso parcial futuro de combustível renovável, além de pintura e tecnologias anti-incrustação. O efeito ambiental real dependerá do perfil de missão, do combustível empregado e das horas em que as baterias substituírem geradores.
A classificação híbrida não torna o navio livre de emissões. PSVs continuam usando motores e combustíveis para navegação e apoio. Baterias podem estabilizar picos de demanda, reduzir tempo de geradores e melhorar eficiência. Relatórios de consumo e emissões serão necessários para quantificar ganho em relação a embarcações convencionais de tamanho e operação comparáveis.
A construção nacional é apresentada pela estatal como estímulo à indústria naval. Esse argumento pode ser testado por indicadores de produtividade, prazo, custo e capacidade de repetir entregas. Uma unidade bem-sucedida não garante sozinha a recuperação do setor, mas cria referência concreta para a série de dez PSVs híbridos mencionada por fontes especializadas.
Próximos passos operacionais
Depois do batismo, o navio deve cumprir procedimentos de entrada em operação e ser alocado às plataformas. A Petrobras e a Starnav precisarão acompanhar desempenho de posicionamento, disponibilidade, segurança e consumo. A Autoridade Marítima permanece responsável pelas regras de navegação, enquanto a fiscalização trabalhista e os contratos definem condições da tripulação.
O marco combina três dimensões: investimento industrial, renovação logística e presença feminina em funções embarcadas. A celebração não encerra a avaliação. O resultado econômico aparecerá no custo do apoio marítimo e na confiabilidade das operações; o ambiental, nos dados de combustível e emissões; e o social, na continuidade de oportunidades para mulheres além da viagem inaugural.
Em resumo
Um navio de suprimento de plataformas do tipo PSV, construído em Itajaí.
Cerca de R$ 450 milhões, segundo a Petrobras.
A tripulação tinha 16 mulheres, comandadas por Isabela Teixeira Ponce de Leon.
Não. É híbrido e usa bancos de baterias combinados a sistemas convencionais.
Programa de renovação e ampliação da frota de apoio do Sistema Petrobras.
Entrada em operação no apoio às plataformas das bacias petrolíferas brasileiras.