Justiça · 2026-10-20 · Redação Notícia ES

STF admite debate sobre revisão da tabela do SUS

Supremo reconheceu repercussão geral na disputa sobre valores pagos a hospitais privados e filantrópicos, mas ainda não decidiu se haverá revisão nem qual critério poderá ser aplicado.

STF admite debate sobre revisão da tabela do SUS
STF admite debate sobre revisão da tabela do SUS

O Supremo Tribunal Federal reconheceu nesta segunda-feira (19) a repercussão geral da discussão sobre a revisão dos valores pagos pelo Sistema Único de Saúde a hospitais privados e filantrópicos conveniados. A decisão abre caminho para um julgamento de alcance nacional, mas não autoriza reajuste imediato nem define quanto deverá ser pago.

A informação publicada pelo Metrópoles foi conferida com o registro oficial do STF sobre o Tema 1491. O processo, relatado pelo ministro Gilmar Mendes, discute os limites da revisão judicial da tabela do SUS, a divisão dos encargos entre os entes federativos e quem deve responder às ações movidas pelos prestadores.

Mérito ainda não foi julgado

O reconhecimento da repercussão geral significa que o Supremo considera a controvérsia relevante do ponto de vista constitucional, econômico e social. Quando o mérito for julgado, a tese fixada deverá orientar processos semelhantes em outras instâncias. Por enquanto, não existe decisão determinando a equiparação automática entre tabelas nem pagamento retroativo.

Hospitais sustentam que os valores do SUS não acompanham os custos dos procedimentos e pedem a adoção de referências usadas no ressarcimento devido por planos de saúde à rede pública. Entre os parâmetros citados estão a antiga Tabela Única Nacional de Equivalência de Procedimentos e o Índice de Valoração do Ressarcimento, ambos ligados ao cálculo realizado no sistema de saúde suplementar.

A controvérsia não se limita a comparar preços. O Supremo terá de avaliar se o Judiciário pode substituir a política pública de remuneração, como os custos seriam repartidos entre União, estados e municípios e quais órgãos precisam participar de cada ação. Também deverá examinar a reserva de plenário quando uma decisão judicial afastar o regime legal aplicado aos convênios do SUS.

O caso atual decorre do Recurso Extraordinário 1.612.904. O acompanhamento oficial do STF mostra que o Tema 1491 permanece em julgamento. Essa informação é decisiva para evitar a leitura de que a Corte já aprovou uma correção ou reconheceu um crédito líquido em favor dos hospitais.

Impacto fiscal exige cautela

A União estimou que uma revisão ampla poderia produzir impacto anual de cerca de R$ 24 bilhões no orçamento do Ministério da Saúde. O número é uma projeção apresentada no processo, não um valor já reconhecido pelo tribunal. O custo real dependerá do critério eventualmente adotado, do universo de prestadores alcançado e da possibilidade de efeitos sobre períodos anteriores.

A dimensão fiscal convive com uma preocupação assistencial. Entidades hospitalares afirmam que a defasagem compromete o equilíbrio dos contratos e a capacidade de manter serviços. O poder público, por sua vez, alerta que uma equiparação definida judicialmente pode retirar recursos de outras políticas do SUS e alterar a programação orçamentária sem uma fonte adicional de financiamento.

O Supremo já analisou controvérsias próximas, mas o novo tema procura tratar de forma abrangente os processos sobre a tabela. A mudança de entendimento quanto à natureza constitucional da disputa explica por que o tribunal voltou a admitir repercussão geral, agora com questões mais amplas sobre financiamento, responsabilidade federativa e controle judicial.

Até a conclusão do mérito, decisões locais poderão aguardar a orientação da Corte, conforme a condução de cada processo. Prestadores não devem tratar o reconhecimento da repercussão geral como garantia de vitória, e gestores públicos não podem presumir que a tabela permanecerá intocada. A palavra final dependerá da tese que o plenário ainda vai construir.

Em resumo

O STF já determinou a revisão da tabela do SUS?

Não. O tribunal reconheceu a relevância constitucional da discussão, mas ainda não julgou o mérito nem fixou um novo critério de pagamento.

O que significa repercussão geral nesse caso?

Significa que a tese futura do Supremo deverá orientar processos semelhantes em todo o país.

Qual é o valor estimado pelo governo?

A União apresentou projeção de impacto anual de cerca de R$ 24 bilhões, valor que depende do resultado e do alcance do julgamento.

Quais pontos o STF deverá analisar?

A Corte examinará os limites da revisão judicial, a divisão de custos entre entes federativos e quem deve responder às ações.

Qual processo deu origem ao novo tema?

A controvérsia está no Recurso Extraordinário 1.612.904, vinculado ao Tema 1491 da repercussão geral.

Fontes