Economia · 2026-10-24 · Redação Notícia ES

Sucessão mantém fruticultura familiar ativa em Mogi

Terceira geração da família Hoçoya combina aprendizado gradual, diversificação da lavoura e atualização do manejo para preservar um negócio rural de seis décadas.

Sucessão mantém fruticultura familiar ativa em Mogi
Sucessão mantém fruticultura familiar ativa em Mogi

A Fruticultura Hoçoya, de Mogi das Cruzes, chegou à terceira geração com uma transição construída dentro da propriedade e sem ruptura repentina no comando. Ercílio Massahito Hoçoya, de 44 anos, divide a gestão com o pai, Takeo, de 79, enquanto adapta o cultivo à falta de mão de obra e às mudanças do mercado.

A Jovem Pan publicou a história neste sábado (24), com base no relato da família. Uma reportagem do Sebrae de São Paulo confirma que o negócio, localizado no bairro Cocuera, tem mais de 60 anos, cultiva frutas de mesa e adotou a transferência gradual de responsabilidades como parte da sucessão.

O caso pertence à editoria Economia porque mostra como continuidade empresarial, escolha de produtos e treinamento do sucessor afetam a sobrevivência de uma pequena atividade rural. O ponto não é apenas familiar: sem alguém preparado para assumir, conhecimento, clientela e capacidade produtiva podem desaparecer junto com a aposentadoria do fundador.

Aprendizado ocorreu com risco controlado

Ercílio contou que, ao voltar de um período de trabalho no Japão, começou por uma área menor da família. A escolha limitava o efeito financeiro de decisões erradas. Takeo acompanhava o trabalho, mas deixava o filho tomar decisões e explicava depois o que poderia ter sido feito de outra forma.

Esse modelo difere de uma transferência imediata do patrimônio ou do cargo. O sucessor ganhou espaço para aprender manejo e administração antes de responder por toda a produção. Ao mesmo tempo, o pai permaneceu disponível para transmitir conhecimento acumulado em décadas de safras, problemas climáticos e oscilações de preço.

A experiência familiar dialoga com o envelhecimento observado no campo. O Atlas do Espaço Rural do IBGE, baseado no Censo Agropecuário de 2017, mostra participação reduzida de produtores jovens e concentração relevante nas faixas etárias mais altas. A estatística não determina o futuro de cada propriedade, mas ajuda a medir o desafio de formar novas lideranças rurais.

Na Hoçoya, a continuidade também dependeu da diversificação. O caqui permanece central, mas a propriedade incorporou lichia, pitaya, nêspera e goiaba para ampliar o número de meses com colheita e reduzir a dependência de uma única janela de faturamento.

Diversificação sustenta receita agrícola

A família construiu reputação com o caqui Fuyu e venceu durante três décadas consecutivas a premiação de qualidade de uma cooperativa. Depois, preservou o cuidado com o produto e atualizou embalagens, ferramentas e decisões de plantio, sem tratar a tradição como obrigação de manter tudo inalterado.

Algumas culturas foram testadas e abandonadas quando preço, produtividade ou doença inviabilizaram a permanência. Outras ganharam área por exigirem menos mão de obra ou ocuparem meses em que o caixa ficava sem receita. A lógica mostra que sucessão não significa apenas repetir o método anterior, mas conservar o negócio ajustando-o aos riscos atuais.

O Sebrae informa que o Alto Tietê reúne mais de 6 mil pequenos negócios ligados ao agronegócio e que a região produz frutas, hortaliças, cogumelos e flores. Nesse ambiente, propriedades familiares competem por trabalhadores, compradores e margem, o que torna planejamento e diferenciação tão importantes quanto o domínio técnico da lavoura.

A passagem entre gerações da família Hoçoya ainda está em curso, mas já apresenta um resultado concreto: o conhecimento do fundador não ficou isolado e o sucessor recebeu responsabilidade antes de assumir sozinho. O caso evidencia que preparar a continuidade com antecedência pode ser tão decisivo quanto escolher a próxima cultura a plantar.

Em resumo

Quem administra a Fruticultura Hoçoya?

Ercílio Massahito Hoçoya divide a gestão com o pai, Takeo, em Mogi das Cruzes.

Como ocorreu a preparação do sucessor?

Ercílio começou por uma área menor, assumiu responsabilidades gradualmente e recebeu orientação depois das decisões.

Qual é a principal produção da família?

O caqui Fuyu permanece central, acompanhado por frutas como lichia, pitaya, nêspera e goiaba.

Por que diversificar a lavoura?

Para ampliar os meses com colheita, reduzir períodos sem receita e distribuir os riscos de mercado e produção.

Qual é a lição econômica do caso?

A continuidade de um negócio rural depende de sucessão antecipada, transmissão de conhecimento e adaptação produtiva.

Fontes