Economia · 2026-10-15 · Redação Notícia ES

Superendividamento: cinco sinais de que as contas não fecham mais

O orçamento apertado, o uso frequente do crédito e o atraso de pagamentos podem indicar que as dívidas estão fugindo do controle. Veja como identificar os sinais de risco antes que a situação se agrave

Superendividamento: cinco sinais de que as contas não fecham mais
Superendividamento: cinco sinais de que as contas não fecham mais

O endividamento das famílias fechou o primeiro semestre de 2026 em 49,9% da renda acumulada pelas famílias em 12 meses, de acordo com o Banco Central , igualando o recorde histórico observado em janeiro, março e abril.

Mas quando esse quadro realmente representa um problema

Mas quando esse quadro realmente representa um problema? E quando é preciso acender a luz amarela?

“Faz total sentido dizer que nem todo endividamento é negativo, porque a dívida e o crédito, quando bem utilizados, podem contribuir muito para o ganho de capital e a construção de patrimônio”, explica Lucas Oliveira, sócio da Nexgen Capital .

“É muito importante diferenciar o conceito de estar endividado, ou seja, ter dívidas, do de estar inadimplente”, complementa.

Financiamento da casa própria, por exemplo, é uma dívida,

O financiamento da casa própria, por exemplo, é uma dívida, mas não significa necessariamente um problema — especialmente quando as parcelas estão em dia.

Ao desconsiderar esse tipo de crédito, o próprio Banco Central reduz o índice de endividamento das famílias para 30,8%, segundo o dado referente a julho.

“Antes de concluir que uma dívida é um problema, precisamos entender o que está por trás dela, qual é a sua finalidade e como ela se encaixa na vida financeira”, reforça Lucas Ferraz, CEO e sócio-fundador da Faz Capital.

Ele e outros especialistas listam alguns sinais que ajudam a identificar o descontrole do orçamento doméstico.

Identificar sinais de desequilíbrio financeiro antes que a situação se agrave é uma etapa importante para prevenir o superendividamento.

Alguns comportamentos podem indicar que as dívidas estão deixando de ser compromissos administráveis e passando a comprometer o orçamento familiar, a capacidade de poupança e a realização de objetivos de longo prazo.

De acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a inadimplência voltou a subir em agosto, chegando a 29,9%. Já o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar as dívidas em atraso subiu para 12,5%.

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), esse último indicador atingiu o maior nível desde fevereiro. O levantamento também aponta que o tempo médio de atraso, que vinha caindo havia três meses, voltou a subir, chegando a 65 dias.

O crescimento do endividamento das famílias brasileiras é atribuído a uma combinação de fatores, que inclui mecanismos econômicos, facilidade de acesso ao crédito e aspectos comportamentais.

Entre eles, está o hábito de recorrer ao cartão de crédito e ao parcelamento para antecipar o consumo, inclusive de itens e serviços de uso imediato, e não apenas de bens duráveis.

“Culturalmente, o brasileiro sempre usou o crédito como ferramenta para antecipar o consumo. Um exemplo disso é o hábito de parcelar compras no cartão de crédito”, confirma Oliveira.

“O brasileiro usa crédito para financiar a aquisição de imóveis e veículos, mas também para comprar roupas e outros bens de consumo, contratar serviços e, agora, até para pedir comida pelo iFood”, observa.

A facilidade de acesso ao crédito, combinada com um cenário de juros elevados, também contribui para o endividamento e compromete o orçamento familiar.

“Somado ao hábito do uso de crédito, passamos a ter, nos últimos anos, um período longo de juros altos no país, o que fez com que as famílias brasileiras passassem a ter um percentual da sua renda comprometido com o pagamento de juros”, acrescenta Oliveira.

Érico Colodet Filho, sócio da Forttu Investimentos , concorda e chama a atenção para outro fator comportamental: a busca pela satisfação imediata, muitas vezes em detrimento do planejamento financeiro de longo prazo.

“O amanhã deixa para lá, o eu do futuro resolve, né?”, contextualiza. “O eu de agora não quer abrir mão de pequenos prazeres porque a vida é muito curta e eu mereço. Além disso, temos ainda as Bets. A maioria das pessoas usa o cartão de crédito para apostas esportivas”, lembra.

Pesquisa do Procon-SP, realizada entre o fim de 2025 e o início de 2026, apontou que quatro em cada dez apostadores se endividaram após utilizar sites de jogos e apostas on-line.

Leia mais: Quatro em cada dez apostadores em bets se endividam, diz levantamento do Procon-SP

Oito em cada dez pessoas com problemas de saúde mental atribuem às dificuldades financeiras o desenvolvimento ou o agravamento do quadro , aponta pesquisa da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), em parceria com o Instituto Axxus.

Em resumo

O que aconteceu?

O endividamento das famílias fechou o primeiro semestre de 2026 em 49,9% da renda acumulada pelas famílias em 12 meses, de acordo com o Banco Central , igualando o recorde histórico observado em janeiro, março e abril. Mas quando esse quadro realmente representa um problema? E quando é preciso acender a luz amarela?

Qual é o ponto principal?

“Faz total sentido dizer que nem todo endividamento é negativo, porque a dívida e o crédito, quando bem utilizados, podem contribuir muito para o ganho de capital e a construção de patrimônio”, explica Lucas Oliveira, sócio da Nexgen Capital . “É muito importante diferenciar o conceito de estar endividado, ou seja, ter dívidas, do de estar inadimplente”, com

Quais são os dados mais importantes?

O financiamento da casa própria, por exemplo, é uma dívida, mas não significa necessariamente um problema — especialmente quando as parcelas estão em dia. Ao desconsiderar esse tipo de crédito, o próprio Banco Central reduz o índice de endividamento das famílias para 30,8%, segundo o dado referente a julho.

Qual é o contexto?

“Antes de concluir que uma dívida é um problema, precisamos entender o que está por trás dela, qual é a sua finalidade e como ela se encaixa na vida financeira”, reforça Lucas Ferraz, CEO e sócio-fundador da Faz Capital. Ele e outros especialistas listam alguns sinais que ajudam a identificar o descontrole do orçamento doméstico.

Quais são os próximos desdobramentos?

Identificar sinais de desequilíbrio financeiro antes que a situação se agrave é uma etapa importante para prevenir o superendividamento. Alguns comportamentos podem indicar que as dívidas estão deixando de ser compromissos administráveis e passando a comprometer o orçamento familiar, a capacidade de poupança e a realização de objetivos de longo prazo. Veja c

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