Supermercado lidera pressão sobre orçamento familiar
Pesquisa da Serasa aponta alimentação como principal peso mensal para 59% dos entrevistados e mostra aperto maior na reta final do mês.

Os gastos com alimentação e supermercado estão entre as despesas que mais comprometem o orçamento de 59% dos brasileiros. O resultado vem de pesquisa nacional realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box e divulgada nesta semana.
O levantamento foi publicado pelo InfoMoney nesta sexta-feira (23) e confirmado em reportagem do portal Mercado & Consumo, que reproduz os principais percentuais do estudo. Foram ouvidas 1.008 pessoas por meio de entrevistas on-line, entre 29 de setembro e 5 de outubro, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais.
Depois da alimentação, aparecem moradia, aluguel ou financiamento, citados por 40% dos participantes. Contas da casa, como água, energia e serviços recorrentes, foram apontadas por 32%, mostrando que os três maiores focos de pressão estão ligados a despesas essenciais.
Alimentação lidera gastos essenciais
A pesquisa não mede apenas o valor absoluto das compras. Ela capta a percepção das famílias sobre quais compromissos mais limitam o dinheiro disponível. Por isso, os percentuais indicam quantos entrevistados incluíram cada despesa entre as mais pesadas, e não a parcela exata da renda destinada a cada item.
O aperto se torna mais visível na reta final do ciclo de pagamentos. Para 41% dos consumidores, a terceira e a quarta semanas são as mais difíceis para equilibrar as finanças. Outros 13% dizem enfrentar dificuldade durante todo o mês, sem um período claro de alívio.
Quase três em cada dez entrevistados, ou 28%, afirmaram que precisam cortar despesas, adiar pagamentos ou conviver com contas que não conseguem quitar no próprio mês. Quando o salário ameaça acabar antes do próximo recebimento, 29% reduzem gastos não essenciais e 22% buscam alguma renda extra.
Cartão amplia risco mensal
O cartão de crédito apareceu como o principal recurso usado nos últimos 12 meses para cobrir despesas quando faltou dinheiro, citado por 28% dos participantes. Ao mesmo tempo, a fatura foi o compromisso deixado sem pagamento por 25%, sinal de que o instrumento pode transferir o problema de um mês para o seguinte.
Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, recomenda que o limite do cartão não seja tratado como extensão da renda. Antes de financiar uma despesa corrente, o consumidor precisa considerar como pagará a fatura e quanto das receitas futuras já está comprometido por parcelas.
O estudo mostra que 75% dizem planejar os gastos com frequência antes de o mês começar. Entre os instrumentos mais usados, 46% preferem caderno e anotações, enquanto 21% recorrem a planilhas. O hábito, porém, não neutraliza sozinho o peso de despesas essenciais e imprevistos.
A leitura prática é que o planejamento deve continuar durante o mês, com revisão semanal do saldo e das próximas contas. Quando alimentação, moradia e serviços básicos já absorvem grande parte da renda, identificar cedo o aperto aumenta a chance de ajustar despesas sem recorrer a crédito caro.