Suspeita de dado alterado em celular de Vorcaro pode salvar Moraes
Suspeita de dado alterado em celular de Vorcaro pode salvar Moraes | Poder Justiça

Perícia encomendada pela defesa do ex-banqueiro identificou 999 arquivos modificados depois da apreensão do aparelho; se confirmado, abre caminho para anular provas
Laudo pericial encomendado pela defesa do fundador do Banco
Um laudo pericial encomendado pela defesa do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro , sobre os dados extraídos de seu celular em poder do Supremo Tribunal Federal pode vir a beneficiar não só o ex-banqueiro, mas também o ministro Alexandre de Moraes .
A perícia afirma ter identificado inconsistências nos dados. Entre elas, 657 arquivos com registros de modificação em 18 de novembro de 2025, dia da prisão de Vorcaro, e 999 arquivos com registros de modificação depois dessa data.
Há ainda 94 imagens com registro de criação depois da prisão. Leia a íntegra do laudo (PDF – 15 MB).
Se comprovada, a alteração dos dados extraídos do celular
Se comprovada, a alteração dos dados extraídos do celular de Vorcaro pode abrir caminho para a anulação dessas provas.
Isso seria bem-vindo para Moraes –que tem sua relação com o ex-banqueiro sob escrutínio público e é alvo de um pedido de investigação feito pelo ministro André Mendonça , relator do caso do Master no STF.
Segundo a Polícia Federal, Moraes recebeu ao menos 52 mensagens de Vorcaro enquanto o escritório da sua mulher, Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato de até R$ 131 milhões com o Banco Master e outro de R$ 50 milhões envolvendo o uso de aeronaves.
O laudo pericial foi feito com base nos dados do celular entregues pela PF ao STF e fornecidos à defesa. São dados já processados e classificados pela corporação, em um arquivo com a extensão UFDR, e não o arquivo bruto extraído do celular.
Por isso, não é possível comparar os dados apresentados pela PF com o conteúdo originalmente coletado. O laudo não comprova que o material extraído do celular de Vorcaro tenha sido adulterado, mas não descarta essa possibilidade.
“A ausência de elementos que permitam atribuir essas alterações a uma intervenção humana não autoriza, por consequência, classificá-las como automáticas, rotineiras ou inofensivas”, afirma o documento. A defesa do ex-banqueiro quer acesso aos dados brutos do celular.
O Poder360 perguntou à Polícia Federal se há nos dados referentes ao celular de Vorcaro arquivos criados ou modificados depois da sua apreensão. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.
O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
A anulação das provas obtidas pela PF do celular de Vorcaro é o sonho dos advogados do ex-banqueiro, mas também de Moraes. Se isso ocorrer, todas as provas e procedimentos que derivam dela poderão ser anuladas também.
É o que estabelece a Teoria do Fruto da Árvore Envenenada ( Fruit of the Poisonous Tree )– princípio do direito processual penal que determina que todas as provas obtidas por meio de uma fonte ilícita (ou derivadas dela) sejam consideradas nulas e não possam ser utilizadas no processo.
A expressão faz uma analogia com uma árvore contaminada: se a origem da prova é ilícita, os elementos obtidos a partir dela também podem estar comprometidos. O objetivo é impedir que uma investigação se beneficie de violações à lei para produzir provas contra um investigado.
No Brasil, o princípio está no artigo 157 do Código de Processo Penal, que determina a inadmissibilidade das provas ilícitas e das provas derivadas delas. A aplicação da teoria depende da análise das circunstâncias de cada caso pela Justiça.
Um item do laudo pericial contratado pela defesa de Vorcaro pode ser especialmente útil para Moraes: a identificação de 94 arquivos de imagem no formato HEIC, utilizado pelos dispositivos iPhone para o armazenamento de fotografias digitais, com registros temporais de criação posteriores à apreensão do aparelho celular.
As mensagens entre Moraes e Vorcaro não eram trocadas no formato de texto no WhatsApp, segundo a PF. Vorcaro escrevia a mensagem no aplicativo Notas do iPhone , tirava um print e em seguida o enviava como imagem de visualização única no WhatsApp.
Dessa forma, Moraes lia e a mensagem desaparecia. As respostas do ministro para Vorcaro também chegavam por meio de imagens de visualização única.
Em resumo
Perícia encomendada pela defesa do ex-banqueiro identificou 999 arquivos modificados depois da apreensão do aparelho; se confirmado, abre caminho para anular provas
Um laudo pericial encomendado pela defesa do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro , sobre os dados extraídos de seu celular em poder do Supremo Tribunal Federal pode vir a beneficiar não só o ex-banqueiro, mas também o ministro Alexandre de Moraes .
A perícia afirma ter identificado inconsistências nos dados. Entre elas, 657 arquivos com registros de modificação em 18 de novembro de 2025, dia da prisão de Vorcaro, e 999 arquivos com registros de modificação depois dessa data. Há ainda 94 imagens com registro de criação depois da prisão. Leia a íntegra do laudo (PDF – 15 MB).
Se comprovada, a alteração dos dados extraídos do celular de Vorcaro pode abrir caminho para a anulação dessas provas. Isso seria bem-vindo para Moraes –que tem sua relação com o ex-banqueiro sob escrutínio público e é alvo de um pedido de investigação feito pelo ministro André Mendonça , relator do caso do Master no STF.
Segundo a Polícia Federal, Moraes recebeu ao menos 52 mensagens de Vorcaro enquanto o escritório da sua mulher, Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato de até R$ 131 milhões com o Banco Master e outro de R$ 50 milhões envolvendo o uso de aeronaves.