Suspeito de matar casal em Ceilândia fica preso
Justiça converteu o flagrante em prisão preventiva; polícia apura ameaças anteriores, versões contraditórias e possível vingança.

A Justiça do Distrito Federal manteve preso o homem de 22 anos investigado pelas mortes de Larissa Rodrigues de Paula e Arlandson de Sousa Alves, conhecido como Alan Tons. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva na segunda-feira (12), um dia depois de o casal ser encontrado morto a tiros em Ceilândia.
O avanço da investigação foi noticiado pelo Metrópoles e confirmado pelo Correio Braziliense e pelo UOL. Os veículos registram que o suspeito era vizinho das vítimas, apresentou-se à 15ª Delegacia de Polícia acompanhado de advogado, negou participação no crime e permaneceu detido após a análise judicial.
Investigação aponta ameaças anteriores
Larissa e Alan foram encontrados dentro da residência onde moravam, em um lote de kitnets na QNM 22. Testemunhas relataram ter ouvido vários disparos durante a madrugada de domingo (11), por volta das 2h30. A Polícia Militar foi acionada pela manhã e encontrou os dois já sem vida.
A principal linha examinada pela Polícia Civil é a de possível vingança. Segundo os elementos divulgados pela investigação, o casal costumava intervir em episódios de violência doméstica atribuídos ao vizinho e acionar a polícia para proteger a companheira dele. Essas intervenções teriam provocado desavenças e ameaças anteriores.
Relatos colhidos pelos investigadores indicam que o suspeito chegou a exibir uma arma e ameaçar as vítimas semanas antes do duplo homicídio. A decisão que manteve a prisão também considerou o fato de ele ainda ter acesso ao lote onde o casal morava. Esses dados orientam as diligências, mas ainda precisam ser submetidos ao contraditório no processo.
O investigado afirmou que estava em uma distribuidora de bebidas no horário dos tiros e que depois seguiu para a casa da sogra. A polícia, porém, identificou divergências entre os horários apresentados, depoimentos de testemunhas e outros elementos reunidos. A companheira dele confirmou parte do relato, mas também teria dado informações incompatíveis em alguns pontos.
Alan havia se apresentado em um bar de Ceilândia na noite anterior. Após o show, ele e Larissa retornaram para casa. O cantor integrava a cena musical local, enquanto Larissa trabalhava como confeiteira. A apuração busca reconstruir o intervalo entre a chegada do casal ao imóvel e o momento em que os disparos foram ouvidos.
Prisão preserva apuração policial
A prisão preventiva não representa condenação. Ela é uma medida cautelar usada quando a Justiça identifica requisitos legais para manter o investigado detido durante a apuração. A responsabilidade pelo crime só poderá ser definida depois da produção de provas, da manifestação da defesa e do julgamento.
Entre os pontos ainda pendentes estão a arma utilizada, a sequência exata dos disparos e a confirmação técnica da presença do suspeito no local. Perícias, imagens, registros telefônicos e depoimentos podem ajudar a verificar ou afastar as hipóteses examinadas pela 15ª Delegacia de Polícia.
A conversão do flagrante em preventiva também evita que a liberdade imediata do investigado interfira na coleta de provas ou exponha testemunhas. O suspeito nega o duplo homicídio, e a defesa poderá contestar a decisão, apresentar sua própria versão e pedir a revisão da medida cautelar.
O caso reúne duas frentes de segurança pública: a apuração das mortes e os relatos anteriores de violência doméstica. A polícia precisará esclarecer se as ameaças atribuídas ao vizinho têm relação direta com o crime e se denúncias ou ocorrências anteriores deixaram registros capazes de sustentar a linha de possível vingança.
Até a conclusão do inquérito, a informação confirmada é que o casal foi morto a tiros dentro de casa e que o principal suspeito permanece preso preventivamente. A investigação continua responsável por reunir provas materiais, confrontar versões e encaminhar o resultado ao Ministério Público.
Em resumo
Larissa Rodrigues e Alan Tons foram encontrados mortos na manhã de domingo, 11 de outubro de 2026.
A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva enquanto a Polícia Civil reúne e confronta as provas.
A polícia apura possível vingança relacionada a intervenções do casal em episódios anteriores de violência doméstica.
Não. Ele negou participação e apresentou uma versão sobre onde estava no horário dos disparos.
A investigação está sob responsabilidade da 15ª Delegacia de Polícia, em Ceilândia.