Fé e Sociedade · 2026-09-21 · Redação Notícia ES

Tarcísio diz que relação com evangélicos não é de ocasião eleitoral

Governador participou de ao menos nove encontros com católicos e evangélicos desde o início da campanha; adversário também ampliou diálogo religioso.

Tarcísio diz que relação com evangélicos não é de ocasião eleitoral
Tarcísio de Freitas fala à imprensa após agenda de campanha em São Paulo. Crédito: Caiuá Maia/Divulgação campanha.

O governador de São Paulo e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou nesta segunda-feira, 21 de setembro, que sua relação com o público evangélico foi construída ao longo da vida e não surgiu como estratégia para a eleição. A declaração ocorreu depois de uma agenda com jovens no CIEE, na capital, e após uma sequência de compromissos religiosos durante a campanha.

Desde o início oficial da disputa, na segunda quinzena de agosto, Tarcísio participou de ao menos nove encontros com católicos e evangélicos, segundo levantamento da CBN. Ele é católico e atribui a proximidade com evangélicos à criação familiar. No fim de semana, esteve em atividades ligadas às igrejas Batista, Universal e Quadrangular.

A presença em templos e eventos de fé ocorre em momento de disputa aberta por um eleitorado numeroso. O principal adversário, Fernando Haddad (PT), realizou no sábado, 19 de setembro, seu primeiro compromisso de campanha dedicado ao segmento evangélico, com representantes de denominações como Batista, Metodista e Presbiteriana. Os dois negam que a fé seja apenas um instrumento de ocasião.

Agenda religiosa tem peso eleitoral mensurável

Pesquisa Datafolha realizada entre 8 e 10 de setembro apontou Tarcísio com 59% das intenções de voto entre evangélicos paulistas, ante 20% de Haddad. O levantamento ouviu 1.610 eleitores, tem margem de erro geral de dois pontos percentuais e está registrado no TSE sob o número SP-04189/2026. Recortes por religião podem ter margem maior e devem ser lidos como retrato do período pesquisado.

A vantagem ajuda a explicar por que as agendas religiosas atraem atenção das campanhas, mas não prova que todo compromisso de fé seja calculado eleitoralmente. Tarcísio já havia participado de cultos antes da reta final e esteve com Flávio Bolsonaro em evento da Igreja Mundial em 7 de setembro. Haddad, por sua vez, ampliou o diálogo com lideranças e assinou uma carta apresentada pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito.

A diversidade interna do campo evangélico impede tratá-lo como bloco único. Igrejas históricas, pentecostais, neopentecostais e comunidades independentes possuem estruturas, prioridades e posições políticas distintas. Mulheres, jovens, trabalhadores e moradores de diferentes regiões também votam por razões que combinam fé, economia, segurança, serviços públicos e avaliação de governo.

Templos têm limites para propaganda

Candidatos podem frequentar cultos e dialogar com fiéis, mas locais de uso comum, como templos, não podem ser transformados livremente em espaços de propaganda eleitoral. A legislação também exige cuidado com pedido explícito de voto, distribuição de material e uso da estrutura religiosa em benefício de candidaturas. A análise depende da conduta concreta e pode chegar à Justiça Eleitoral.

Para igrejas, o desafio é preservar liberdade de culto e participação cívica sem constranger a consciência dos membros. Lideranças têm direito a opiniões políticas, enquanto fiéis mantêm autonomia para discordar. Vincular pertencimento religioso a voto obrigatório empobrece a fé e pode produzir abuso espiritual.

Tarcísio declarou que manifesta gratidão a Deus sempre que encontra oportunidade e que não começou a ir a igrejas agora. A reportagem registra a fala como posição do candidato. A verificação objetiva possível está nas agendas públicas: elas confirmam presença frequente em eventos religiosos, mas intenção pessoal não pode ser comprovada apenas pelo calendário.

Haddad também busca aproximação

No encontro de sábado, Haddad dialogou com cerca de 25 representantes de igrejas e ouviu demandas sobre laicidade, combate à intolerância religiosa, violência doméstica e feminicídio. A carta apresentada ao petista também defendeu que campanha eleitoral permaneça fora de púlpitos e celebrações. A aproximação ocorre quando pesquisas mostram resistência maior ao candidato entre evangélicos.

O movimento dos dois lados evidencia que religião ganhou papel central na eleição paulista. A pauta, porém, não deve ficar limitada a gestos simbólicos. Eleitores podem cobrar propostas para liberdade religiosa, assistência social, dependência química, proteção de famílias, saúde mental, educação e segurança, áreas em que igrejas frequentemente mantêm trabalho comunitário.

Próximos passos

As campanhas continuarão divulgando agendas até o primeiro turno. A Justiça Eleitoral poderá ser acionada se houver denúncia de propaganda irregular em templo ou uso indevido de estrutura religiosa. Pesquisas futuras mostrarão se a aproximação de Haddad reduz a vantagem de Tarcísio no segmento ou se o quadro permanece estável.

Para o debate público, a medida mais útil é separar testemunho pessoal de promessa política. A fé declarada pertence à esfera de consciência; a atuação de um governante pode ser avaliada por decisões, orçamento e resultados. Tarcísio diz que seu vínculo com evangélicos não nasceu da eleição. Aos eleitores cabe comparar essa afirmação com sua trajetória e, principalmente, com as propostas oferecidas para o próximo mandato.

Em resumo

O que Tarcísio disse sobre o voto evangélico?

Que sua relação com evangélicos foi construída ao longo da vida e não nasceu por causa da eleição.

Quantas agendas religiosas ele cumpriu na campanha?

Ao menos nove encontros com católicos e evangélicos desde a segunda quinzena de agosto.

Como está a disputa entre evangélicos?

O Datafolha apontou Tarcísio com 59% e Haddad com 20% nesse segmento no levantamento de 8 a 10 de setembro.

Haddad também se reuniu com evangélicos?

Sim. Em 19 de setembro, participou de encontro com cerca de 25 representantes de diferentes denominações.

É permitida propaganda eleitoral em templos?

Templos são locais de uso comum e estão sujeitos a restrições de propaganda previstas na legislação eleitoral.

Todos os evangélicos votam da mesma forma?

Não. O segmento é diverso em denominações, regiões, perfis sociais e prioridades políticas.

Fontes

  • CBN
  • UOL - encontro de Haddad com evangélicos
  • Metrópoles - agendas religiosas
  • TSE - propaganda eleitoral