Tarcísio creditou vitória ao acordo com Salles
Governador paulista afirmou que a retirada de Ricardo Salles ajudou a concentrar votos em Guilherme Derrite e André do Prado.

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, atribuiu a vitória de Guilherme Derrite e André do Prado para o Senado ao acordo que retirou Ricardo Salles da disputa. A avaliação foi apresentada na quinta-feira (8), quatro dias depois de os dois aliados conquistarem as vagas paulistas.
A Revista Oeste divulgou a entrevista nesta sexta-feira (9). O Notícia ES conferiu a movimentação política e os resultados em reportagens do Congresso em Foco e da Folha de S.Paulo, que registraram a desistência de Salles, a justificativa do grupo e a votação final.
Acordo concentrou votos aliados
Salles anunciou a retirada da candidatura em 28 de setembro, seis dias antes do primeiro turno. Ao lado de Tarcísio, declarou apoio a Derrite, do PP, e André do Prado, do PL. O argumento público foi evitar que três nomes identificados com a direita dividissem o mesmo eleitorado enquanto quatro candidaturas apareciam em faixa competitiva.
Na entrevista ao programa Arena Oeste, Tarcísio disse que o bom senso prevaleceu e relatou ter procurado Salles para pedir o gesto. O governador afirmou que as pesquisas indicavam maior viabilidade eleitoral de Derrite e André. Também elogiou a coragem e a humildade do deputado do Novo ao abrir mão da própria campanha.
O movimento não era isento de tensão. Antes da retirada, Salles havia feito críticas a André do Prado e mantinha candidatura independente da chapa oficial do governador. Mesmo assim, apresentou a decisão como uma escolha por um objetivo político comum. Tarcísio defendeu que divergências internas não deveriam impedir a união do campo conservador.
Pesquisa divulgada na véspera da eleição mostrava empate técnico entre Derrite, André, Marina Silva e Simone Tebet. A incerteza dava peso adicional ao risco de dispersão dos votos. A desistência de Salles ocorreu depois de as urnas eletrônicas já terem sido preparadas, por isso seu nome e sua fotografia ainda apareceram para os eleitores.
Apesar de ter renunciado, Salles recebeu 120.575 votos, anulados pela Justiça Eleitoral. O dado mostra que parte do eleitorado não acompanhou a mudança ou manteve o voto mesmo após o anúncio. Não há como medir quantos votos migraram para os dois candidatos apoiados por Tarcísio, o que impede atribuir todo o resultado exclusivamente ao acordo.
Urnas confirmaram vitória dupla
Com 100% das urnas apuradas, Guilherme Derrite recebeu 30,59% dos votos e André do Prado alcançou 29,28%. Simone Tebet ficou com 19,23%, enquanto Marina Silva obteve 18,12%. Derrite somou 13.273.880 votos e tornou-se o senador mais votado do país na eleição de 2026.
Os dois vencedores integravam o palanque de Tarcísio e de Flávio Bolsonaro. Marina e Tebet estavam ligadas à candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista e à campanha presidencial de Lula. O resultado entregou as duas cadeiras em disputa ao grupo político do governador.
Na leitura de Tarcísio, a experiência paulista deve orientar alianças conservadoras em outros estados. Essa é uma conclusão política do governador, não uma prova de que o mesmo arranjo produziria resultados idênticos em disputas diferentes. Sistemas locais, candidatos e pesquisas variam de estado para estado.
A sequência documentada permite afirmar que houve uma articulação para concentrar votos, seguida pela eleição dos dois candidatos apoiados. Também exige cautela: as urnas confirmaram a vitória dupla, mas não isolam o efeito da retirada de Salles de fatores como campanha, estrutura partidária, desempenho individual e apoio do governador.
Em resumo
Ele afirmou que a retirada de Ricardo Salles ajudou a concentrar votos em Guilherme Derrite e André do Prado.
Salles anunciou a retirada em 28 de setembro, seis dias antes do primeiro turno.
Guilherme Derrite, com 30,59%, e André do Prado, com 29,28% dos votos.
Ele recebeu 120.575 votos, que foram anulados pela Justiça Eleitoral.
Não. A articulação precedeu a vitória, mas as urnas não isolam seu efeito de outros fatores eleitorais.