Economia · 2026-10-26 · Redação Notícia ES

Taxas dos DIs disparam mais de 250 pontos-base após Lula superar Flávio na eleição

Início da sessão foi marcado por paralisações nos negócios com DIs após as taxas de vários vencimentos atingirem limites de alta

Taxas dos DIs disparam mais de 250 pontos-base após Lula superar Flávio na eleição
Taxas dos DIs disparam mais de 250 pontos-base após Lula superar Flávio na eleição

SÃO PAULO, 26 Out (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira pós-eleição com fortes altas, superiores a 250 pontos-base em alguns contratos, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto, surpreendendo o mercado.

Disparada dos prêmios na curva reflete tanto um ajuste

A disparada dos prêmios na curva reflete tanto um ajuste em relação às baixas vistas após o primeiro turno, quando Flávio estava à frente de Lula, quanto as preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal.

Ações de empresas europeias que são expostas ao Brasil caíram após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL)

As negociações da bolsa à vista só começaram a partir das 10h38 (horário de Brasília)

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,8%, em alta de 194 pontos-base ante o ajuste de 12,859% da última sexta-feira, antes do segundo turno.

Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2031 estava em 15,185%, com elevação de 254 pontos-base ante 12,642%.

O início da sessão foi marcado por paralisações nos negócios com DIs após as taxas de vários vencimentos atingirem limites de alta. A B3 anunciou a expansão desses limites ainda pela manhã, mantendo pausas para que o mercado encontrasse preços de equilíbrio.

Às 11h02, após uma paralisação, a taxa do DI para janeiro de 2031 atingiu a máxima intradia de 15,940%, em alta de 330 pontos-base ante o ajuste de sexta-feira.

O movimento foi consequência direta da vitória de Lula sobre Flávio no segundo turno da disputa presidencial, por 51,79% a 48,21% dos votos válidos. Como o mercado estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio, o ajuste na curva foi inevitável.

Isso porque com Flávio no Planalto o mercado enxergava chances maiores de controle das contas públicas — ainda que nem o candidato nem seus assessores econômicos tenham apresentado durante a campanha propostas concretas para reduzir gastos.

Como Lula venceu, o mercado voltou a incorporar prêmios à curva, em especial entre os contratos de longo prazo, mais suscetíveis à política fiscal. O movimento ocorreu em paralelo à forte queda do Ibovespa e à disparada do dólar ante o real.

A disparada desta segunda-feira colocou as taxas inclusive acima dos patamares vistos antes do primeiro turno da eleição presidencial, o que sugere que o mercado não apenas reincorporou à curva os prêmios perdidos anteriormente quanto acrescentou mais prêmios.

A taxa do DI para janeiro de 2031, por exemplo, que encerrou a sessão regular desta segunda-feira em 15,185%, estava em 13,99% no dia 2 de outubro, antes do primeiro turno.

Assim como a B3, o Tesouro atuou ao longo do dia para tentar acalmar o mercado. O órgão anunciou pela manhã o cancelamento do tradicional leilão de títulos indexados à inflação na terça-feira e o cancelamento do leilão de papéis prefixados na quinta-feira.

Por outro lado, manteve o leilão regular de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos indexados à taxa básica Selic, previsto para terça-feira.

Em outra frente, o Tesouro recomprou cerca de R$7,1 bilhões de títulos prefixados em posse do mercado no fim da manhã e mais R$7,7 bilhões em títulos indexados à inflação durante a tarde. Ao promover a recompra de títulos, o Tesouro atuou para suavizar a disparada das taxas.

O triunfo de Lula também alterou de forma substancial a parte curta da curva de DIs, que passou a precificar a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central não cortar a Selic, hoje em 13,75%, na próxima semana.

No auge da pressão, durante a manhã, a curva chegou a precificar aumento de 25 pontos-base da Selic na próxima semana, sendo que na sexta-feira havia quase 100% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base.

Em resumo

O que aconteceu?

SÃO PAULO, 26 Out (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira pós-eleição com fortes altas, superiores a 250 pontos-base em alguns contratos, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto, surpreendendo o mercado.

Qual é o ponto principal?

A disparada dos prêmios na curva reflete tanto um ajuste em relação às baixas vistas após o primeiro turno, quando Flávio estava à frente de Lula, quanto as preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal.

Quais são os dados mais importantes?

Ações de empresas europeias que são expostas ao Brasil caíram após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL)

Qual é o contexto?

As negociações da bolsa à vista só começaram a partir das 10h38 (horário de Brasília)

Quais são os próximos desdobramentos?

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,8%, em alta de 194 pontos-base ante o ajuste de 12,859% da última sexta-feira, antes do segundo turno. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2031 estava em 15,185%, com elevação de 254 pontos-base ante 12,642%.

Fontes