Tesla e SpaceX criam comitês para avaliar fusão
Conselheiros independentes das duas empresas analisam possível combinação, mas ainda não chegaram a um acordo sobre a operação.

Tesla e SpaceX criaram comitês especiais para avaliar uma possível fusão entre as duas empresas comandadas por Elon Musk. O empresário confirmou a iniciativa nesta terça-feira (20), durante a apresentação dos resultados trimestrais da companhia espacial, mas ressaltou que não existe acordo fechado.
A informação foi publicada pelo InfoMoney e confirmada em coberturas específicas da Associated Press e do The Verge sobre a teleconferência. Os grupos foram formados por conselheiros independentes a pedido de acionistas interessados em analisar a viabilidade e as condições de uma combinação empresarial.
Uma eventual operação reuniria foguetes, internet por satélite e serviços de computação da SpaceX com os veículos elétricos, baterias, robótica e projetos de direção autônoma da Tesla. Musk afirmou enxergar vantagens na cooperação tecnológica, especialmente em software e inteligência artificial.
Musk fica fora das conversas
Por controlar parcelas relevantes das duas companhias e ocupar cargos executivos em ambas, Musk declarou que não participa das negociações. O afastamento busca reduzir o conflito de interesses enquanto os comitês comparam avaliações, estrutura acionária e efeitos para os investidores.
As empresas já mantêm relações comerciais. A SpaceX comprou veículos da Tesla, enquanto projetos de Musk compartilham fornecedores, profissionais e infraestrutura tecnológica. A aproximação também aparece no desenvolvimento do novo Roadster, apresentado com recursos inspirados em tecnologia de foguetes.
Apesar dessas conexões, uma fusão teria de conciliar negócios com receitas e riscos diferentes. A Tesla depende principalmente de automóveis e armazenamento de energia. A SpaceX obtém recursos de lançamentos, da rede Starlink e de atividades ligadas a computação e inteligência artificial.
Negócio ainda não está fechado
Musk disse que os comitês ainda não definiram termos e advertiu que a união não deve ser tratada como inevitável. Segundo ele, a aprovação pelo lado da Tesla exigiria o apoio de metade de todas as ações da companhia, e não apenas a maioria dos votos apresentados em assembleia.
As estimativas publicadas nesta terça-feira colocam o valor combinado das empresas perto de US$ 3,5 trilhões. Uma transação dessa dimensão estaria entre as maiores já propostas, mas o número não representa um preço acertado e pode mudar conforme o mercado e o desenho da operação.
Antes da confirmação dos comitês, investidores já pressionavam as administrações por uma resposta sobre a possibilidade de fusão. Analistas discutiam se a SpaceX seria a compradora mais provável, mas nenhuma das companhias havia assumido compromisso com esse formato.
As próximas etapas dependem dos pareceres dos conselheiros, de eventuais aprovações regulatórias e do voto dos acionistas. Até que haja proposta formal, a iniciativa permanece em fase de estudo, sem cronograma para decisão e sem garantia de que resultará em transação.
Em resumo
Não. Comitês independentes estão avaliando a operação, mas ainda não há acordo ou proposta formal.
Musk declarou conflito de interesses por ocupar cargos e possuir participação relevante nas duas empresas.
A combinação envolveria veículos elétricos, energia, robótica, foguetes, satélites, conectividade e inteligência artificial.
Estimativas de mercado citadas na cobertura aproximam o valor conjunto de US$ 3,5 trilhões, sem preço negociado.
Os comitês precisam definir se a operação é viável antes de qualquer proposta, avaliação regulatória ou votação de acionistas.