Cultura · 2026-10-07 · Redação Notícia ES

‘Toda vez que alguém perde a eleição, a vilã é a comunicação. Mas tem a política por trás’, reflete Patrícia Campos Mello

Em entrevista ao Estúdio CBN nesta quarta-feira (07), a jornalista Patrícia Campos Mello – autora do livro “A Máquina do Ódio”, de 2020 – elucida sobre como a tecnologia tem transformado a comunicação, especialmente em relação à política.

‘Toda vez que alguém perde a eleição, a vilã é a comunicação. Mas tem a política por trás’, reflete Patrícia Campos Mello
‘Toda vez que alguém perde a eleição, a vilã é a comunicação. Mas tem a política por trás’, reflete Patrícia Campos Mello

Atualmente, a comunicação digital é um fator central nas campanhas políticas. No primeiro turno das eleições, que ocorreu no último domingo (04), a maioria dos parlamentares eleitos para a Câmara e o Senado possuem forte presença nas redes sociais.

De acordo com um levantamento feito pela reportagem

De acordo com um levantamento feito pela reportagem da CBN no início desta semana na plataforma Plenário 2027, todos os dez mais bem votados a deputado federal superam a marca de um milhão de seguidores no Instagram.

Em entrevista ao Estúdio CBN nesta quarta-feira (07), a jornalista Patrícia Campos Mello – autora do livro “A Máquina do Ódio”, de 2020 – elucida sobre como a tecnologia tem transformado a comunicação, especialmente em relação à política.

Questionada sobre o motivo da direita ter certo domínio frente à esquerda quanto à comunicação nas redes sociais, Patrícia afirma que não há uma resposta exata, mas que detalhes sobre a “estrutura de funcionamento das redes sociais explicam um pouco”.

“Os algoritmos recompensam o que gera mais engajamento

“Os algoritmos recompensam o que gera mais engajamento. Então, o que faz com que as pessoas curtam, compartilhem e visualizem mais, acaba ganhando o maior alcance dos algoritmos. E, normalmente, a humanidade é triste.

O que mais engaja e o que mais atrai a atenção das pessoas é raiva e ódio, são emoções fortes. Então, os políticos se utilizam disso.

Eles sabem como funciona, eles sabem como aumentar o alcance da sua mensagem e acabam usando esses conteúdos que geram emoções mais fortes”, explica.

“A esquerda, até hoje, não mergulhou de cabeça na importância da comunicação digital, com algumas exceções.

Esses últimos dados de declarações de gastos ao Tribunal Superior Eleitoral, mostrando quanto cada partido gastou com impulsionamento de conteúdo digital, o candidato Flávio Bolsonaro gastou três vezes mais do que o presidente Lula.

E isso segue nessa magnitude para os outros cargos eletivos. Então, uma coisa é essa. (Outro motivo é que) tem um tipo de discurso populista de direita que é mais fácil de viralizar e de captar essa linguagem das redes.

A coisa dos memes, a coisa da super ‘oversimplificação’ de ideias. (...) Do outro lado, uma reflexão que tem que ser mais ambígua, com mais nuances, ela não ganha tanto alcance”.

Para a jornalista, não é preciso que a esquerda copie as estratégias da direita, ou vice-versa, para ter sucesso ao discutir propostas nas redes sociais. No entanto, é necessário refletir que, diante de derrotas, a estratégia de comunicação não é a única “vilã”.

“Você pode tentar discutir propostas de uma forma mais eficiente e mais moldada para a rede social, para a comunicação digital. Você não tem que copiar as táticas da extrema direita que você rejeita de forma acertada.

(...) Mas você pode abraçar de uma forma mais, tentar entender melhor o meio e a comunicação das pessoas. Isso é uma coisa, por exemplo, que o Jones Manoel fala muito”, diz.

“A comunicação, toda vez que alguém perde a eleição, a vilã é a comunicação. Ah não, o problema é a comunicação, ou é o marqueteiro, ou a estratégia de comunicação, não sabe usar a rede… Tem a política por trás disso, os erros políticos, o que veio antes”, completa.

‘Toda vez que alguém perde a eleição, a vilã é a comunicação. Mas tem a política por trás’, reflete Patrícia Campos Mello

Em resumo

O que aconteceu?

Atualmente, a comunicação digital é um fator central nas campanhas políticas. No primeiro turno das eleições, que ocorreu no último domingo (04), a maioria dos parlamentares eleitos para a Câmara e o Senado possuem forte presença nas redes sociais.

Qual é o ponto principal?

De acordo com um levantamento feito pela reportagem da CBN no início desta semana na plataforma Plenário 2027, todos os dez mais bem votados a deputado federal superam a marca de um milhão de seguidores no Instagram.

Quais são os dados mais importantes?

Em entrevista ao Estúdio CBN nesta quarta-feira (07), a jornalista Patrícia Campos Mello – autora do livro “A Máquina do Ódio”, de 2020 – elucida sobre como a tecnologia tem transformado a comunicação, especialmente em relação à política.

Qual é o contexto?

Questionada sobre o motivo da direita ter certo domínio frente à esquerda quanto à comunicação nas redes sociais, Patrícia afirma que não há uma resposta exata, mas que detalhes sobre a “estrutura de funcionamento das redes sociais explicam um pouco”.

Quais são os próximos desdobramentos?

“Os algoritmos recompensam o que gera mais engajamento. Então, o que faz com que as pessoas curtam, compartilhem e visualizem mais, acaba ganhando o maior alcance dos algoritmos. E, normalmente, a humanidade é triste. O que mais engaja e o que mais atrai a atenção das pessoas é raiva e ódio, são emoções fortes. Então, os políticos se utilizam disso. Eles sab

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